A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - IV

Nestas anotações sobre ‘batismo de crianças’, vimos o sentido da Palavra de Deus no contexto celebrativo do batismo. À escuta da Palavra, segue uma breve homilia. O Ritual (n. 50) escreve que a homilia visa “aprofundar o mistério do batismo... procurando evidenciar a relação entre a vida das pessoas e os apelos do Senhor. Recomenda que “a Palavra de Deus, acolhida na fé, conduza ao encontro sacramental com o Senhor”. Como acontece de costume, pede-se que, no fim da homilia, se faça um momento de silêncio; pode-se, também, acrescentar um canto apropriado (cf. Ritual 51).
 Segue a oração dos fiéis e a invocação dos santos. A Igreja pede ao Senhor ‘da vida’ a graça que estas crianças possam ‘crescer na alegria do Reino’, ‘sejam protegidas’, ‘convivam em harmonia e respeito com a natureza e se alegrem com as maravilhas divinas’; reza-se para que pais e padrinhos sejam abençoados e sejam ‘fiéis testemunhas da fé para seus afilhados e que a comunidade toda se empenhe ‘a serviço da vida e da esperança’. Trata-se de orações propostas pelo Ritual, mas, para que não sejam simples palavras de circunstância, devem ser consideradas com os pais e os padrinhos, sobretudo na preparação ao batismo. O Ritual propõe três esquemas de orações e, como de costume, é oportuno acrescentar outras preces espontâneas, ligadas à situação concreta dos presentes.
Esta segunda parte da celebração termina com um gesto e uma oração. Lê-se no Ritual (n. 55): “Quem preside, os pais e as mães, os padrinhos e as madrinhas impõem as mãos sobre a cabeça das crianças e fazem uma oração em silêncio”. Segue uma oração para pedir a Deus de dar às crianças a força de Cristo e a luz do Espírito, para que vivam sempre como filhos e filhas da luz e, ‘libertas do poder das trevas’, enfrentem as tentações do mal. Outra oração pede ao “Deus da vida e do amor” que, “como templos vivos do Espírito Santo, manifestem as maravilhas do vosso amor”. Quem preside unge as crianças no peito dizendo: “O Cristo Salvador lhes dê sua força. Que ela penetre em suas vidas como este óleo em seus peitos”. E unge o peito de cada criança de maneira ‘abundante e expressiva’, recomenda o Ritual (n. 57).
Observamos que palavras e ritos expressam, com riqueza de mensagens, o sentido do  batismo e as exigências de vida nova em Cristo. Mais uma vez, constatamos que, para uma adequada catequese, o rito mesmo oferece material muito significativo; basta destacar o que se diz e se faz. O documento conciliar ‘Sacrosanctum Concilium’ já recomendava que os fiéis ‘não assistam à liturgia ‘como estranhos e mudos expectadores’, mas sejam introduzidos na compreensão daquilo que se celebra; de fato, a liturgia se realiza ‘per ritus et preces’, diz o Concílio, isto é, ‘por meio dos ritos e das orações’ e sua compreensão é indispensável para uma participação ‘consciente, piedosa e ativa’ (cf. SC 48).
Desejo que isso aconteça em cada celebração e que, sempre mais intensamente, as nossas celebrações litúrgicas se tornem ‘momentos de graça’, isto é, oportunidades preciosas para cada um(a) viver um encontro transformador com o Senhor.
Dom Armando