quinta-feira, 30 de outubro de 2014

GRAÇA E ARTE DE PRESIDIR - V

5.      Intervenções próprias do Presidente
Tarefa própria de quem pre­side é dirigir a celebração (cf. IGMR 92). A presidência deve ser exercida durante a celebração toda, com as próprias capacidades, de natureza e de graça[1]. É tarefa altíssima e muito delicada, explicitação da realidade sacramental dos ministros da Igreja que, pela ordenação sacerdotal, são configurados a Cristo sacerdote e, portanto, no agir litúrgico são sinal-memorial de Cristo orante. Como Jesus foi mestre de oração, assim quem preside uma celebração deve diri­gir e animar a oração da Assembleia. Ele não é o único prota­gonista da oração, mas o líder sacramental da Igreja em oração, preposto à Assembleia para tornar atual, no concreto momento celebrativo, o culto do Cristo total (cf. SC 33). Como ministro da Igreja, ele não ora só para si mesmo, mas em nome de todos e por / para todos, qual instrumento dócil do Espírito Santo[2]. Podemos compreender, então, quanto esse serviço é precioso e insubstituível: orar com a Assembleia, em nome da Assembleia, para a Assembleia.
Alguns elementos exclusivos do Presidente. Antes de tudo a Oração eucarística (OE), “centro e ápice de toda a celebração, prece de ação de graças e santificação” (IGMR 78). Ela não é somente oração, mas memorial, isto é, atuação do sacrifício redentor de Cristo. Suas palavras não só evocam um acontecimento, mas realizam, no presente, o evento salvífico da morte e ressurreição do Senhor. Por isso, expressam a mais alta ação de gra­ças e a mais profunda súplica ao Pai por Cristo no Espírito[3].
O que se observa da postura de quem preside, vale de maneira especial na Oração Eucarística que deve ser proferida “em voz alta e distinta” (IGMR 38). De fato, todos os textos – observa sempre a IGMR – precisam ser proferidos de modo que “a voz corresponda ao gê­nero do próprio texto”, como também à forma de celebração e à solenidade da Assembleia e levando em conta a índole das diversas línguas e o gênio dos povos.
Por isso, eis algumas observações. A Oração Eucarística pede um tom pacato, com breves pausas, com voz serena e intensa, modulada segundo as diferentes partes. As epícleses, por exemplo, são de tipo invocativo, o conto da instituição é narrativo, a anamnese é de caráter evocativo, a doxologia é aclamatória. Numa palavra, o Presidente deve dar as cores ao texto, interpretá-lo, sendo e sentindo-se guia orante da Assembleia, tor­nando-se voz de Cristo e da Igreja e não frio ‘pronunciador’ de palavras impostas.
Algumas partes da Oração Eucarística devem ser cantadas (nas celebrações festivas, ao menos). É o caso da introdução ao prefácio, do Santo, da doxologia e, se o celebrante tem dom, também o prefácio, o conto da Instituição. Se for assim, sentida e rezada, essa Oração se torna o que é: o momento mais alto da celebração, experiência intensa e alegre de fé viva que estimula os cristãos a entrarem no mistério da fé e no testemunho amoroso da vida cristã.
Pertencem ao Presidente também as três orações presidenciais (cf. IGMR 30) colocadas no final dos três momentos rituais: no início, a oração do dia; na apresentação dos dons, a oração sobre as oferendas; por fim, a oração depois da Comunhão. Trata-se de três textos breves, mas densos, que devem ser rezados com calma e em tom implorante, em nome da Assembleia toda que sentirá as orações como suas, respondendo o Amém. Cabe também ao sacerdote fazer outras admoestações (cf. IGMR 31-33) e – muito importante – a homilia[4].
Dom Armando




[1] Para que isso se torne possível não se pode presidir muitas celebrações no mesmo dia! É humanamente impossível!
[2] Deve procurar ativar uma dúplice relação, em sentido vertical e horizontal: favorecer o diálogo da Assembleia com o Senhor e do diálogo – comu­nhão na Assembleia reunida.
[3] Em IGMR 79 encontramos os principais elementos desta Oração: - Ação de graças, - Santo, - Epíclese, - a narrativa da Instituição e Consagração, - a Anamnese, - a Oblação, - as Intercessões, - a Doxologia final. Observamos, mais uma vez, que esta Prece não é oração particular do sacerdote; ela é presi­dencial, isto é, o sujeito é o nós eclesial, por isso, exige a participação ativa da Assembleia. As respostas próprias das Orações Eucarísticas na Igreja do Brasil favorecem a participação litúrgica.

[4] Sobre Homilia, ver o que escreve o papa FRANCISCO em Evangelii Gaudium nn. 135-159, muito rico de sugestões e exigências.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A felicidade é o amor

O homem ao longo dos séculos almeja alcançar a felicidade plena, para sanar essa busca, inúmeras são as receitas, e incontáveis também são as explicações para muitas atitudes tidas como irracional. E, diante desse incessante desejo de ser feliz, surgem questionamentos que nos remetem ao real sentido da felicidade. O que é essencial à minha felicidade? Sou uma pessoa feliz? Qual a diferença entre felicidade e desejo? Ante essas interrogações, procuraremos em poucas linhas, tratar de um assunto tão amplo e merecedor de grande discursão.
Desde os filósofos da Era Clássica, o tema felicidade já vem sendo abordado, para Aristóteles, por exemplo, a eudaimonia tem caráter essencial na vida do cidadão da polis, esse sentimento, caracteriza-se por uma atividade espiritual através da busca incessante da verdade. Cada pessoa em seu meio, exercendo sua função, tinha o direito de gozar desse bem.
A proposta cristã aponta uma vertente nova para a felicidade, a compaixão é tida como a maneira mais autêntica de alcançar a alegria eterna. Diante dessa proposta, que chocou a sociedade da época, visto que, tinha-se a troca de recompensas e favores como normais, o convite a um amor gratuito marca a religião da caridade. Os pensadores cristãos do período medieval propõe a busca da felicidade no mistério trinitário de Deus, com isso, o caminho da felicidade é trilhado conjuntamente com a verdade suprema, que é o transcendente.
Passado o auge da escolástica, o olhar do homem, que busca a tão almejada felicidade, volta-se para a ciência e o empirismo, o caráter transcendental, dá lugar ao homem e seus anseios, nesse período surgem as grandes descobertas científicas.
Na contemporaneidade, marcada pelo imediatismo e pela rotatividade cada vez mais acelerada das coisas, o homem contemporâneo corre o risco de colocar seus anseios em coisas fugazes, e fazer de suas relações interpessoais um mero utilitarismo, tornando assim, apenas momentos felizes, aquilo que era pra ser a plena satisfação. Diante de tal problemática, o correto é que se busque uma felicidade pautada no verdadeiro e autêntico amor, no companheirismo e, sobretudo na sinceridade de relacionamentos mais sólidos e duradouros.
Portanto, um dos caminhos mais seguros para se alcançar a felicidade é o amor, com o passar dos tempos, mudou quem se ama, a verdade, Deus, o próprio homem, e o outro, porém, o sentimento não mudou. São Paulo falou à comunidade de corinto que a caridade é eterna, nos apeguemos então a tão perene graça, para que ela seja a meta de nosso puro eudemonismo.



 Pablo Barbosa
1º Filosofia

CONSTRUÇÃO DO CENTRO PASTORAL PE. JOSÉ MENON - PARÓQUIA DE IBIPITANGA


Os trabalhos de construção do Centro Pastoral Pe. José Menon, na Paróquia de Santa Luzia de Ibipitanga, continuam “de vento em popa”. Aproximadamente, 170 homens se reuniram na etapa de enchimento da laje (430m.). O envolvimento da Comunidade na obra demonstra a consciência dos fiéis sobre a necessidade deste espaço de formação e evangelização. Agradecemos a todos que desde a idealização até o presente momento têm contribuído para tornar esse sonho do saudoso Pe. José e da comunidade de Ibipitanga uma realidade. Veja mais fotos!

sábado, 25 de outubro de 2014

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

LEITURAS:
Ex 22, 20-26
Salmo: Sl 17 (18)
1Ts 1,5c-10
Mt 22,34-40

A liturgia deste domingo traz um tema que é fundamental para a vivência da fé Cristã: o compromisso de viver o amor. Na primeira leitura do livro do Êxodo, ouvimos Deus recomendando seu povo a agir com misericórdia. Foi assim que Deus agiu com o povo de Israel (Cf. Ex 2, 23-24). Ele ouviu o clamor do povo oprimido e o libertou da escravidão. Agora, libertado, o povo é convidado a assumir esse caminho de vida, agindo com misericórdia para com os pobres e marginalizados, rejeitando toda exclusão. Nessa leitura, duas vezes Deus fala de si como aquele que ouve o clamor dos necessitados e faz justiça. Assim é nosso Deus. Ele é um Deus de misericórdia que volta o olhar ao pobre e excluído. Nós, seu povo, precisamos nos configurar a esse amor de Deus e buscar ser sinal dele diante de tantas pessoas necessitadas presentes no mundo.
Assim podemos compreender o que ouvimos no Evangelho. O fariseu pergunta a Jesus qual é o maior mandamento da Lei. Com sabedoria, Jesus ensina que o mais importante é AMAR: amar a Deus e amar ao próximo. Esse é o maior mandamento. Toda lei e os profetas só encontram seu verdadeiro sentido no coração daquele que ama o Senhor e age com misericórdia para com o irmão.
Jesus inaugura, assim, uma nova compreensão. A nossa prática de fé deve ser expressão de um desejo sincero de viver esse encontro com Deus. Os fariseus, no evangelho de Mateus, tinham a fama de serem pessoas religiosas. No entanto, não eram capazes de uma relação sincera com Deus, pois viviam aprisionados a regras e tradições rigorosas e severas com as quais oprimiam o povo. Assim pode acontecer conosco. Podemos nos fechar em leis, regras, metas, compromissos a ser cumpridos e esquecer daquilo que é mais essencial que é o amor.
O amor deve ser atitude fundamental que motiva o cristão a viver e dar testemunho de sua fé. Com ele tudo ganha um novo sentido: não vou à Igreja somente porque é um compromisso, vou porque amo a Deus e quero encontrar-me com Ele; não irei rezar somente porque é uma obrigação, faço porque amo o Senhor e quero estar em diálogo com ele. Quando descobrimos a beleza do amor, a fé ganha uma dimensão de autenticidade, de liberdade e de gratuidade que nos faz experimentar verdadeiramente Deus.
Porém, Jesus deixa claro que o amor a Deus deve ser expressão do amor aos irmãos. Assim o mandamento do amor a Deus está vinculado ao amor ao irmão. Com a mesma gratuidade com que vivo a minha relação com Deus, devo viver minha relação com os irmãos. Deus é aquele que está ao lado dos pobres e ouve seu clamor. Nós, seu povo, devemos também buscar estar ao lado dessas pessoas vivendo a caridade. É compromisso nosso viver uma verdadeira acolhida, um verdadeiro respeito, uma verdadeira concórdia, uma verdadeira comunhão com todos os nossos irmãos. O nosso amor a Deus e nossa reverência a seus ensinamentos se expressam quando o colocamos em prática a fim de gerar vida para todos.
O povo cristão de Tessalônica descobriu essa dinâmica. Por isso, a comunidade é elogiada por São Paulo, na segunda leitura. A vida ética da comunidade foi expressão do seu amor ao Senhor. Amor tão profundo que Paulo afirma que eles foram “imitadores do Senhor”. Ser imitadores do Senhor é ser propagadores do amor e da misericórdia sobretudo aos mais necessitados. Com isso, eles conseguiram divulgar a fé por várias outras comunidades. Este é o maior testemunho de fé que podemos dar: quando nosso amor a Deus se torna amor aos irmãos, transmitimos o próprio Cristo aos demais.
Desse modo, a verdadeira fé está fundamentada no amor a Deus e o testemunho verdadeiro dessa fé é a vivência do amor aos irmãos. Nossa relação com Deus deve ser fundamentada no amor que nos impulsiona a estar do seu lado. Nossa relação com nossos irmãos deve ser pautada na caridade e na misericórdia, espelhando-nos no próprio Cristo que por onde passou, passou fazendo o bem. Celebrando o mistério pascal de Cristo, sua maior entrega motivada pelo amor ao Pai e a nós, seu povo, busquemos ser fortalecidos na missão de viver cada vez mais cumprindo o mandamento maior, o mandamento do amor.

Jandir Silva
2° ano teologia


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Missão no Vicariato Nossa Senhora dos Remédios



É missão de todos... Uma Igreja em Saída.
Com sentimento de alegria que brota da missão, o Vicariato Nossa Senhora dos Remédios realizou a experiência missionária nos dias 16 a 19 de outubro, na Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Ibitiara. Vindos das 6 paróquias que compõem o vicariato, e também de outras paróquias, os missionários se espalharam pelas comunidades, sendo que um grande número ficou na cidade de Ibitiara. No domingo (19), uma Caminhada da Juventude e a celebração Eucarística marcaram o encerramento da missão, lembrando o DNJ e a Campanha Missionária, cujo tema esse Ano foi: Missão para Libertar. O nosso Bispo, Dom Armando, presidiu a celebração Eucarística, que foi concelebrada por todos os padres do Vicariato. Na oportunidade, ele comunicou a todos que o Pe. Nicivaldo Evangelista, (que retornou de Roma, onde passou um período estudando), ficará alguns meses na Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso ajudando o Pe. Aldo Coppola nos trabalhos da Paróquia. Todos ficaram contentes com a notícia. Na celebração, Dom Armando também agradeceu ao Pe. Aldo pelos 40 anos de doação e serviço generoso ao povo de Deus. 
No último domingo (19) aconteceu na Paróquia do Senhor Bom Jesus de Piatã, a Investidura de novos MESCEs (Ministros extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística) na Comunidade de Inúbia e na Sede, onde houve também a Crisma de vários jovens e adultos das Comunidades de Bom Sucesso, Vereda Velha, Santa Bárbara, Riachinho e Piauí. As celebrações foram presididas pelo nosso Bispo Dom Armando. Padre Samuel concelebrou com o bispo, e grande número de fiéis participou das celebrações com entusiasmo e alegria. 











No último final de semana (17 a 19), no Centro Diocesano, aconteceu a 4ª etapa dos Encontros Vocacionais, com o tema: Vocação à Vida Religiosa. Como sempre, participaram muitos jovens das várias paróquias da Diocese. 



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

GRAÇA E ARTE DE PRESIDIR - IV


O sacerdote – Presidente, com seu estilo, será exemplo e se tornará formador dos outros ‘atores’ da celebração e da Assembleia toda. São Paulo exorta: Quem preside o faça com diligência (Rm 12,8), isto é, com senso de responsabilidade, ciente da delicadeza e importância de seu papel. Quem preside está sendo constante­mente ‘filmado’ nos diferentes detalhes de seu comportamento. A Igreja recomenda presidir com dignidade e humildade (Instrução Geral do Missal Romano: IGMR 93). A digni­dade está no fato de que quem preside o faz in persona Christi. Sendo a ação eclesial mais importante e mais alta (SC 10), a liturgia exige uma atitude serena (não austera e fria), gestos e vestes adequados etc. Também a respeito das vestes se poderia discutir, por exemplo, no uso das cores com seu simbolismo próprio[1].
Nas celebrações litúrgicas – como em outras circunstâncias da vida – o que faz a diferença são as nuances. Não é necessário ser ‘de­talhista’, mas é preciso caprichar para que a celebração aconteça da forma mais viva, e em sintonia com a Igreja da qual quem está ‘à frente’ é servidores, e instrumento nas mãos do Senhor: Ele só deve aparecer! Portanto, não condiz com a liturgia o ‘estilo show’ que chama demais a atenção sobre a pessoa (ator!) e deixa espaço li­mitado a Jesus e ao Espírito. A humildade no presidir é fruto da convicção de quem se reconhece irmão entre irmãos, discípulo da Palavra, que também escuta e procura partilhar, com [G1] gratidão, o que de graça recebeu.
Destacamos a atitude de quem exerce o ministério da presidência: ser instrumento e não protagonista (= ‘primeiro ator’). Por isso, ele deve esqui­var-se de chamar a atenção sobre si, para não se tornar empecilho ao encontro com o Senhor. As pessoas que prestam serviço na celebração são chama­das de ministros, isto é, servidores do Senhor e da Assembleia. Então, em seus gestos e palavras deve transparecer a presença do Ressuscitado.
Presidir com dignidade e humildade comporta, também, celebrar com calma (sem pressa), com serenidade (sem nervosismo) e com alegria, porque o serviço litúrgico é um dom divino pelo qual de­vemos sinceramente agradecer: Te agradecemos porque nos tornaste dig­nos de estar aqui na tua presença (Prece Eucarística II). Cientes que na liturgia temos nas mãos “aquele imenso tesouro de alegria e de beleza que é a Igreja” (Paul Claudel) e somos chamados a irradiar a alegria de anunciar a morte de Jesus e celebrar sua ressurreição, até que Ele venha.
3.      Quando exercer o ministério da presidência
O sacerdote preside, antes de tudo, na vida da Comunidade e no empenho pastoral. A presidência se exercita de maneira mais explícita, na preparação da celebração. A IGMR, 111 diz: “A prepara­ção prática de cada celebração litúrgica, com espírito dócil e diligente, de acordo com o Missal e outros livros litúrgicos, seja feita de comum acordo por todos aqueles a quem diz respeito, seja quanto aos ritos, seja quanto ao aspecto pastoral e musical, sob direção do reitor da igreja e ouvidos tam­bém os fiéis naquilo que diretamente lhes concerne. ‘Contudo, ao sacer­dote que preside a celebração fica sempre o direito de dispor sobre aqueles elementos que lhe competem’ (SC 22) ”.
Uma celebração nunca pode ser improvisada! Exige-se sempre preparação, definição de papeis, respeito do ritmo celebrativo, com momentos fortes e pausas, canto e silêncio, animação festiva e tempos contemplativos. Tudo para viver o encontro com o Ressuscitado. Uma palavra em destaque nesse exercício da presidência: tudo seja autên­tico!
Por isso, é preciso predispor: o ambiente, que seja limpo e acolhedor, simples, mas bem ordenado, e fale por si; as pessoas, cada uma com papel definido e lugar onde ficar; os objetos a serem usados, definindo onde devem ser colocados; os textos bíblicos, os livros na página certa, e assim por diante.
A avaliação da celebração, feita com humildade e sinceridade, permite corrigir erros e melhorar. Trata-se não de ‘eficientismo’ litúrgico ou religioso, mas da glória de Deus e da santificação dos humanos (cf. SC 7).
Dom Armando


[1] No respeito pelos gostos e sentido semântico de cada cultura, perguntemo-nos: pode cada qual agir segundo seu gosto? Será que estamos respeitando as pessoas? Qual o sentido das vestes usadas para presidir uma celebração?



 [G1]Creio que não cabe essa palavra 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A didática no ensino da filosofia

Como sabemos e aprendemos, a filosofia é uma atividade teorética, ou seja, trabalha a partir do teórico, é uma atividade intelectual, e por sua vez pedagógica e literária, não se restringindo, porém, a estas duas últimas caraterísticas. A Filosofia assume o dever de educar, os filósofos da antiguidade eram os educadores, ela instiga também à escrita e ao raciocínio.
            Busca-se “ensinar”, ou fazer, uma filosofia que diz respeito à vida, pois sendo teorética a filosofia não é irreal, mas ao contrário reflete o que é tocante à realidade do ser humano. Então no sentido pedagógico podemos nos questionar com a afirmação de Kant que diz que não se ensina filosofia, mas se ensina a filosofar. Esta afirmação torna-se cada vez mais clara a ponto que vamos adentrando no verdadeiro sentido da filosofia na educação, pois a pensamento filosófico não permite aceitar apenas o aparente das coisas, aquilo que nos é apresentado, mas faz ir além, pois o dado condicionado é muito superficial, e não necessariamente condiz com a verdadeira realidade, sem contar que a filosofia é o ponto crítico de todas as afirmações, o seu objetivo não está nas respostas, más nas interrogações.
            Compreendendo a íntima ligação da filosofia com a educação, entendemos que é necessária a aplicação da didática no ensino básico da filosofia, e por que não ousarmos dizer também que o raciocínio logico filosófico é necessário na construção de uma didática? Dentre as várias tendências pedagógicas aplicáveis no meio escolar, vale ser destacar aqui a liberal renovada progressistas, conhecida também como liberal pragmática, pois esta prepara o aluno para assumir o seu papel na sociedade, levando-o a imitar a vida, depois, defende-se ai a teoria do “aprender fazendo”, ou seja, o aluno torna-se o ser pensante, e não apenas recebe o conhecimento do educador, e concluindo o aprender nesta visão é uma atividade de descoberta, pratica-se uma autoaprendizagem. Conclui-se assim que este ideal não foge a tendência de se ensinar filosofia que é a de ensinar o aluno a pensar, ser crítico e construtor do seu saber. 

Max Sabrino Rodrigues Vieira
2º Filosofia




sábado, 18 de outubro de 2014

MENSAGEM DE PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2014

Queridos irmãos e irmãs! Ainda hoje há tanta gente que não conhece Jesus Cristo. Por isso, continua a revestir-se de grande urgência a missão ad gentes, na qual são chamados a participar todos os membros da Igreja, pois esta é, por sua natureza, missionária: a Igreja nasceu ‘em saída’. O Dia Mundial das Missões é um momento privilegiado para os fiéis dos vários Continentes se empenharem, com a oração e gestos concretos de solidariedade, no apoio às Igrejas jovens dos territórios de missão. Trata-se de uma ocorrência permeada de graça e alegria: de graça, porque o Espírito Santo, enviado pelo Pai, dá sabedoria e fortaleza a quantos são dóceis à sua ação; de alegria, porque Jesus Cristo, Filho do Pai, enviado a evangelizar o mundo, sustenta e acompanha a nossa obra missionária. E, justamente sobre a alegria de Jesus e dos discípulos missionários, quero propor um ícone bíblico que encontramos no Evangelho de Lucas (cf. 10, 21-23).
1. Narra o evangelista que o Senhor enviou, dois a dois, os setenta e dois discípulos a anunciar, nas cidades e aldeias, que o Reino de Deus estava próximo, preparando assim as pessoas para o encontro com Jesus. Cumprida esta missão de anúncio, os discípulos regressaram cheios de alegria: a alegria é um traço dominante desta primeira e inesquecível experiência missionária. O Mestre divino disse-lhes: “Não vos alegreis, porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu. Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo e disse: Bendigo-te, ó Pai (…). Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: Felizes os olhos que vêem o que estais a ver’” (Lc 10, 20-21.23).
As cenas apresentadas por Lucas são três: primeiro, Jesus falou aos discípulos, depois dirigiu-se ao Pai, para voltar de novo a falar com eles. Jesus quer tornar os discípulos participantes da sua alegria, que era diferente e superior àquela que tinham acabado de experimentar.
2. Os discípulos estavam cheios de alegria, entusiasmados com o poder de libertar as pessoas dos demônios. Jesus, porém, recomendou-lhes que não se alegrassem tanto pelo poder recebido, como, sobretudo pelo amor alcançado, ou seja, por estarem os vossos nomes escritos no Céu’ (Lc 10, 20). Com efeito, fora-lhes concedida a experiência do amor de Deus e também a possibilidade de o partilhar. E esta experiência dos discípulos é motivo de jubilosa gratidão para o coração de Jesus. Lucas viu este júbilo numa perspectiva de comunhão trinitária: ‘Jesus estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo’, dirigindo-se ao Pai e bendizendo-O. Este momento de íntimo júbilo brota do amor profundo que Jesus sente como Filho por seu Pai, Senhor do Céu e da Terra, que escondeu estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelou aos pequeninos (cf. Lc 10, 21). Deus escondeu e revelou, mas, nesta oração de louvor, é sobretudo a revelação que se põe em realce. Que foi que Deus revelou e escondeu? Os mistérios do seu Reino, a consolidação da soberania divina de Jesus e a vitória sobre satanás.
Deus escondeu tudo isto àqueles que se sentem demasiado cheios de si e pretendem saber já tudo. De certo modo, estão cegos pela própria presunção e não deixam espaço a Deus. Pode-se facilmente pensar em alguns contemporâneos de Jesus que Ele várias vezes advertiu, mas trata-se de um perigo que perdura sempre e tem a ver conosco também. Ao passo que os pequeninos são os humildes, os simples, os pobres, os marginalizados, os que não têm voz, os cansados e oprimidos, que Jesus declarou felizes.  Pode-se facilmente pensar em Maria, em José, nos pescadores da Galileia e nos discípulos chamados ao longo da estrada durante a sua pregação.
3. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado (Lc 10, 21). Esta frase de Jesus deve ser entendida como referida à sua exultação interior, querendo ‘o teu agrado’ significar o plano salvífico e benevolente do Pai para com os homens. No contexto desta bondade divina, Jesus exultou, porque o Pai decidiu amar os homens com o mesmo amor que tem pelo Filho. Além disso, Lucas faz-nos pensar numa exultação idêntica: a de Maria. A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador (Lc 1, 46-47). Estamos perante a boa Notícia que conduz à salvação. Levando no seu ventre Jesus, o Evangelizador por excelência, Maria encontrou Isabel e exultou de alegria no Espírito Santo, cantando o Magnificat. Jesus, ao ver o bom êxito da missão dos seus discípulos e, consequentemente, a sua alegria, exultou no Espírito Santo e dirigiu-Se a seu Pai em oração. Em ambos os casos, trata-se de uma alegria pela salvação em ato, porque o amor com que o Pai ama o Filho chega até nós e, por obra do Espírito Santo, envolve-nos e faz-nos entrar na vida trinitária.
O Pai é a fonte da alegria. O Filho é a sua manifestação, e o Espírito Santo o animador. Imediatamente depois de ter louvado o Pai – como diz o evangelista Mateus – Jesus convida-nos: Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve’(Mt 11, 28-30). “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, (EG) 1).
De tal encontro com Jesus, a Virgem Maria teve uma experiência totalmente singular e tornou-se causa da nossa alegria. Os discípulos, por sua vez, receberam a chamada para estar com Jesus e ser enviados por Ele a evangelizar (cf. Mc 3, 14), e, feito isso, sentem-se repletos de alegria. Porque não entramos também nós nesta torrente de alegria?
4. “O grande risco do mundo atual, com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada” (EG, 2). Por isso, a humanidade tem grande necessidade de dessedentar-se na salvação trazida por Cristo. Os discípulos são aqueles que se deixam conquistar mais e mais pelo amor de Jesus e marcar pelo fogo da paixão pelo Reino de Deus, para serem portadores da alegria do Evangelho. Todos os discípulos do Senhor são chamados a alimentar a alegria da evangelização. Os bispos, como primeiros responsáveis do anúncio, têm o dever de incentivar a unidade da Igreja local à volta do compromisso missionário, tendo em conta que a alegria de comunicar Jesus Cristo se exprime tanto na preocupação de O anunciar nos lugares mais remotos como na saída constante para as periferias de seu próprio território, onde há mais gente pobre à espera.
Em muitas regiões, escasseiam as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Com frequência, isso se fica a dever à falta de um fervor apostólico contagioso nas comunidades, o que faz com as mesmas sejam pobres de entusiasmo e não suscitem fascínio. A alegria do Evangelho brota do encontro com Cristo e da partilha com os pobres. Por isso, encorajo as comunidades paroquiais, as associações e os grupos a viverem uma intensa vida fraterna, fundada no amor a Jesus e atenta às necessidades dos mais carecidos. Onde há alegria, fervor, ânsia de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas, nomeadamente as vocações laicais à missão. Na realidade,  aumentou a consciência da identidade e missão dos fiéis leigos na Igreja, bem como a noção de que eles são chamados a assumir um papel cada vez mais relevante na difusão do Evangelho. Por isso, é importante uma adequada formação deles, tendo em vista uma ação apostólica eficaz.
5. Deus ama quem dá com alegria (2 Cor 9, 7). O Dia Mundial das Missões é também um momento propício para reavivar o desejo e o dever moral de participar jubilosamente na missão ad gentes. A contribuição monetária pessoal é sinal de uma oblação de si mesmo, primeiramente ao Senhor e depois aos irmãos, para que a própria oferta material se torne instrumento de evangelização de uma humanidade edificada no amor.
Queridos irmãos e irmãs, neste Dia Mundial das Missões, dirijo o meu pensamento a todas as Igrejas locais: Não nos deixemos roubar a alegria da evangelização! Convido-vos a mergulhar na alegria do Evangelho e a alimentar um amor capaz de iluminar a vossa vocação e missão. Exorto-vos a recordar, numa espécie de peregrinação interior, aquele ‘primeiro amor’ com que o Senhor Jesus Cristo incendiou o coração de cada um; recordá-lo, não por um sentimento de nostalgia, mas para perseverar na alegria. O discípulo do Senhor persevera na alegria, quando está com Ele, quando faz a sua vontade, quando partilha a fé, a esperança e a caridade evangélica.
A Maria, modelo de uma evangelização humilde e jubilosa, elevemos a nossa oração, para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos e possibilite o nascimento de um mundo novo.
Vaticano, 8 de Junho – Solenidade de Pentecostes – de 2014.

FRANCISCO

FONTE: w2.vatican.va