terça-feira, 2 de setembro de 2014

Educação na Modernidade: entre o estado e o individuo

A modernidade, por si mesma, é uma época de contradição, pois a atividade do pensamento expande-se e com ela muitas ideias novas, ou reformuladas. A Educação, como parte do contexto, também sofre o fenômeno de servir a  liberdade ou ao domínio, e com isso, divide-se em dois objetivos.
O primeiro, de moldes mais tradicionais, é o domínio da pessoa para sua adequação a vivência no estado: portanto, “construção” do Cidadão que sabe respeitar os códigos estabelecidos, mantendo-se e ao próprio poder (governo) estabelecido.
Já o segundo, é uma máxima do Humanismo, que traz ao centro o próprio Sujeito (humano), assim, a educação tenciona formar um ser livre, que aja com criticidade e não se conforme as circunstâncias que lhe são impostas, sem ao menos analisá-las.
Com isso é possível perceber um embate: ora, ou se padroniza o ser, ignorando a sua subjetividade em prol da conservação do Estado, como quer Hegel:
“O indivíduo deve alienar-se da sua naturalidade, ou seja, do seu si-natural, em prol de uma sociedade, ou seja, do si-social.”.
 ou se emancipa o sujeito, dando-lhe possibilidades de desenvolver-se conforme os seus paradigmas, ideia mais aceita por Montaigne:
“[a educação visa] formar o “homem capaz”, aquele que sabe deliberar
bem sobre as questões práticas da vida”.2
Por conseguinte, a modernidade, não diferente de outros períodos, enfrenta a problemática da Contradição. Neste caso, na Educação, porque a Estrutura de organização do Estado, gerente da educação, por vezes, exige a supressão de características inerente ao Homem, que, a partir daqui (eis uma “novidade”!) impõe-se, pelo crivo da razão, que impossibilita o apego cego às estruturas e suas normas.

REFERÊNCIA
[2] THEOBALDO , Maria Cristina, “Sobre o “Da educação das Crianças”: a nova maneira de Montaigne”. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. USP, 2008.


Kleber Chaves
1º ano Filosofia

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

DEZ ANOS IMPULSIONADOS PELO AMOR DE CRISTO

Eleito Bispo diocesano de Livramento de Nossa Senhora a 21 de janeiro de 2004, ordenado a 17 de abril do mesmo ano e empossado logo no dia seguinte, Dom Armando Bucciol chega aos 10 anos de ministério episcopal com uma sequência de iniciativas pastorais e respostas aos apelos da Igreja pós Concilio Vaticano II que nos creditam postar o título acima, inspirado no seu lema episcopal.
Pertencente ao clero da italiana Diocese de Vitorio Veneto, o então padre Armando chegou à Diocese de Caetité ainda em 1992, como sacerdote Fidei Donum. Lá atuou no serviço paroquial, foi reitor do seminário e, sobretudo, se colocou como decidido colaborador do Bispo diocesano Dom Antônio Alberto na animação da vida diocesana à frente da coordenação diocesana das pastorais. Com sua escolha ao episcopado, trouxe para nossa Diocese de Livramento, não apenas seus ideais de discípulo do Vaticano II, mas também a longa experiência como padre desdobrada na Itália e nas terras sertanejas de Caetité.
Já nos primeiros dias, a contar de 18 de abril de 2004, Dom Armando estabeleceu o tripé no qual a vida diocesana deveria ter sua base, enquanto Igreja que caminha sob o reluzente farol do Concílio Vaticano II. Como primeiras e principais providências são destacadas: a criação da Escola de Teologia para Leigos (ETeL); organização dos encontros vocacionais; estabelecimento da Pastoral da Crisma como prioridade em cada canto da Igreja particular; fomentação e insistente exigência para que os organismos de comunhão e colaboração, tanto em nível paroquial quanto em nível diocesano, tivessem sua estruturação providenciada; valorização do leigo na vida eclesial; incentivo e realização das missões populares; reestruturação do atendimento paroquial; aparelhamento da administração diocesana e paroquial. Ademais, ele, pessoalmente, num ritmo célere, iniciou a produção de material à catequese em suas variadas fases, dando à Diocese um a caraterística ainda hoje rara no Brasil, que é a produção do próprio material de formação, que atualmente é enviando a muitas outras dioceses da Nação Brasileira. Tudo isto, sem deixar o trabalho de pastor que ouve, confessa, preside, visita todas as comunidades da sua Diocese, participa das angústias e dores do povo, sendo voz aos que não a tem e presença amiga que conforta e ampara os atingidos pelo sofrimento.
Para marcar esse decênio de pujante fecundidade, que coincide com o cinquentenário da Constituição Dogmática Lumen Gentium, membros da nossa Diocese e da de Caetité se juntaram em Livramento nos dias 30 e 31 de agosto último. Por primeiro, na tarde do dia 30, com a presença e contribuição do padre Martinho (Diocese de Vitorio Veneto - Itália), Dra. Sônia (professora da UNEB, campus de Guanambi) e dos Padres Osvaldino Barbosa e Eutrópio (Diocese de Caetité), foi realizado um simpósio sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, sendo depois realizada uma confraternização com os ex-alunos da ETel, destinatários do referido simpósio.  O dia 31 foi marcado com a Celebração Eucarística, na catedral, onde se fizeram presentes, além de Dom Antônio Alberto, hoje bispo emérito de Caetité, vários padres, seminaristas e religiosas, outras pessoas de todos os cantos da Diocese e de fora dela, que, jubilosos, colocaram no altar do Senhor, presididas por Dom Armando, os últimos 10 anos de história da nossa Diocese. Sintetizando simplicidade e nobreza, a cerimônia transcorreu em clima de oração profunda, sendo a homilia proferida pelo padre Martinho que, antes de comentar as leituras bíblicas, fez questão de apresentar os três motivos da comemoração, como sendo primeiro o fato de o povo de Deus em Livramento possuir um Bispo, pois povo sem bispo é rebanho sem pastor, depois enumerou o fato de ser este bispo Dom Armando Bucciol e, por fim, o fato de este mesmo Bispo estar em nossa Diocese há 10 anos.
Veja mais fotos da Celebração Eucarística!
Festa concluída, fica-nos uma certeza: há muito que fazer, pois ainda existem setores da vida eclesial que precisam ser fortalecidos, valorizados e incrementados; percebe-se a necessidade de empenho maior para que os empreendimentos de Dom Armando tenham êxito e surtam efeito, mas uma coisa é certa: nossa Diocese chega feliz a esta data e se posiciona no Corpo eclesial como uma Igreja que se contempla e se apresenta enquanto uma porção do povo de Deus confiada a um Bispo que há dez anos se deixar impulsionar pelo amor de Cristo e se move pelo serviço e no serviço, expressão mais excelente desse mesmo amor.   
      
Pe. Rinaldo Silva Pereira
                                                                                                                    Chanceler  da Diocese

NOTA CONTRA A REVISTA VEXATÓRIA NOS PRESÍDIOS

O Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou nesta sexta-feira, 29, nota sobre a revista vexatória nos presídios brasileiros. O texto foi divulgado durante entrevista coletiva à imprensa. Por meio da publicação, a CNBB manifesta repúdio à pratica, aplicada na maioria dos presídios do país, considerada pela entidade como “vergonhosa e desumana”.  Confira a nota na íntegra:
NOTA CONTRA A REVISTA VEXATÓRIA NOS PRESÍDIOS

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Cor 3,16)

O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília nos dias 28 e 29 de agosto de 2014, vem manifestar seu repúdio à inaceitável prática da revista vexatória, aplicada na maioria dos presídios brasileiros. Esse procedimento desumano submete as pessoas que visitam os encarcerados, especialmente as mulheres, à humilhação do desnudamento, da manipulação de suas partes íntimas por agentes do Estado e a outras práticas degradantes. Viola a sacralidade do corpo humano, templo vivo de Deus, e fere sua dignidade.
A revista vexatória desrespeita a Constituição Federal (cf art. 5º), que veda que a pena ultrapasse a pessoa do condenado, e constitui tratamento cruel, desumano e degradante e, em situações extremas, crime de tortura. Tal prática não respeita nem mesmo a idade, submetendo crianças, adolescentes e idosos a humilhações e constrangimentos que afrontam a proteção integral a que têm direito conforme lhes garantem, respectivamente, os Estatutos da Criança e do Adolescente e do Idoso.
Está comprovado que a maioria dos objetos ilícitos encontrados com os presos não entra com quem os visita. Nos estados onde esta condenável prática foi abolida, como Goiás e Espírito Santo, não houve alteração na quantidade de entorpecentes e objetos apreendidos com os presos. Prova de que esta revista pode e deve ser substituída por outros procedimentos mais eficientes e compatíveis com a dignidade humana, que garantem a segurança das unidades prisionais e a integridade dos visitantes tais como detectores de metais e scanners corporais.
Lamentavelmente inúmeros presos deixam de receber a visita de seus parentes por causa dessa violência desmedida e institucionalizada. Os apenados são privados, assim, de um direito garantido por lei que é a convivência com sua família, fundamental para ajudá-los em sua recuperação.
A CNBB faz, portanto, veemente apelo à União e aos Estados onde é mantida a revista vexatória que ponham fim a essa prática inconstitucional, vergonhosa e desumana. Apela, igualmente, aos Senhores Deputados Federais que votem e aprovem, o quanto antes, o PLS 480/2013, já aprovado no Senado, que elimina de vez esse abominável procedimento nos presídios do país.
Que Deus seja a força e a luz dos que, na luta em defesa da dignidade da pessoa humana, promovem a justiça e a paz.
Brasília, 29 de agosto de 2014.

Dom Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB


Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

FONTE: www.cnbb.org.br/

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

22º Domingo do Tempo Comum – Ano A

LEITURAS:
Jr 20,7-9
Sl 62
Rm 12,1-2
Mt 16,21-27
“Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontra-la” (Mt 16,25).

            Muito se quer, sobretudo em nossos dias, a salvação da própria vida! Em outras palavras, muito se almeja uma vida confortável, cômoda, isenta de preocupações, angústias e sofrimentos. Uma vida permeada tão somente por prazeres e sucessos. Impossível! A limitaçãoà qual estamos submetidos não nos permite! (primeira coisa).  Esses anseios naturalmente fazem parte de nossa condição humana – todos almejamos bem-estar constante – e o desejo de Deus é mesmo que vivamos em plenitude. Mas essa vida plena não é sinônimo de facilidade, tranquilidade, egoísmo. A Sagrada Liturgia deste Domingo, e, claro, nossa fé cristã, nos apontam um novo conceito de vida feliz: a vida doada! Noutros termos, a vida segundo Deus. Nesta, a cruz é imprescindível e inevitável.
            No Santo Evangelho, segundo Mateus, quando do primeiro anúncio da paixão, onde se mostra ser um Messias às avessas, ou seja, contrário ao perfil messiânico esperado pelos judeus, Jesus vê na repreensão de Pedro, que atribui a Deus a preservação dos sofrimentos que lhe adviriam por sua escolha e missão, uma ‘pedra de tropeço’, investida de Satanás. Ora, as palavras de Pedro são, no mínimo, paradoxais às do Evangelho do Domingo passado, onde fazia sua confissão de fé em Jesus como sendo o “Messias, Filho do Deus vivo” (cf. Mt 16,16).  Ao discípulo, não basta crer nele, mas segui-lo, fazendo o que ele fez, abraçando com ele a cruz.
            Trata-se de um sacrifício frutuoso daqueles que buscam fazer a vontade de Deus e realizar sua obra. A este nos convoca São Paulo, na segunda leitura, sua carta à comunidade dos romanos, pedindo-lhes, por isso: “não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar” (Rm 12,2).  Ou seja, o cristão, inserido em um ambiente e cultura, pode transformá-los ao agir conforme o Espírito, renunciando à sua honra e sacrificando-se pelos irmãos.
            Não raramente presenciamos em nossas comunidades eclesiais o afastamento de algum de seus membros, desistindo dos trabalhos comunitários ou mesmo se esquivando deles por causa das dificuldades que comportame talvez para não perderem sua honra oucomodidade própria ao assumirem os desafios impostos por determinado serviço.  Diante disso, a Palavra do Senhor neste domingo nos convoca a uma resposta de fé e compromisso com ele, abraçando o sofrimento pelo bem dos irmãos.
            Realmente não é fácil! Temos, como primeira leitura, as contundentes palavras do profeta Jeremias, na última seção de suas ‘confissões’, afirmando que a palavra do Senhor tornou-se, para si, “fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro” (cf. Jr 20,8). Pensava em desistir da missão, porém mais forte que as forças contrárias se fazia para ele a ‘sedução’ do Senhor. É o preço que pagamos por sermos cristãos autênticos: zombaria, perseguição e até morte, ao lutarmos contra a maldade presente no mundo. Todavia, muito mais forte deve arder em nós a alegria em pertencermos a Cristo, o que deve nos encher de coragem.
            Lembremos do que disse o Papa Francisco ano passado: “prefiro uma igreja acidentada que doente por fechar-se em si mesma”, vislumbrando os desafios tão perigosos mas tão necessários do anúncio do Evangelho a partir do que ele chamou “cultura do encontro”. Arrisquemo-nos! Sofrer por causa de Cristo e da sua Boa Nova e pelo bem dos irmãos é ressurreição, vida nova encontrada nobremente por quem é capaz de perder a sua.
    
Weverson Almeida
4º  Ano de Teologia

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

CANTO E MÚSICA NA LITURGIA - II

Prezados leitores e leitoras do ‘nosso’ blog, estamos refletindo sobre o assunto: “Música e canto na liturgia”. Já falei sobre o valor que a Igreja deu à música em suas celebrações ao longo de sua história. A Igreja se inseriu na tradição da Comunidade hebraica, sobretudo da Sinagoga. Nela, os Salmos são o exemplo mais significativo de oração em canto. No templo, o serviço do canto era assegurado por muitos cantos, divididos em 24 classes (grupos, scholae), com todo tipo de instrumento (cf. Sl 150). Com esse espírito, Paulo recomenda aos Efésios: Cantem salmos, hinos e cânticos espiri­tuais (cf. Ef 5,19). No Novo Testamento, encontramos vários fragmentos de hinos que a comunidade cantava em suas reuniões: ex. Jo 1,1-18; Fl 2,6-11, Ef 5; 1Tm 2; 1 Tm 3,16; Ap 4,8; 5,12; 14,2-3.
Desde a antiguidade, numerosos documentos falam do valor que música e canto tinham nas assembleias. Assim sempre foi ao longo da história, como reconhece o documento conciliar SC 112: “A tradição musical da Igreja forma um patrimônio de inestimável valor”.
Escreve frei Alberto Beckäuser, grande liturgista: “O canto é um elemento de suma importância para a celebração litúrgica frutuosa. Ele faz a assembleia participar ativamente da Liturgia, faz a assembleia verdadeiramente sujeito da celebração. O canto dá o colorido típico de cada tempo litúrgico e de cada festa. O ser humano usa a música e o canto para expressar sua religiosidade, isto é, sua relação com Deus, tanto individual como comunitariamente”.
O Magistério e o Concílio, também nesse assunto, oferecem numerosas orientações, fruto da experiência secular e dos critérios teológicos que orientam e sustentam a nossa Liturgia. Por isso, é importante compreender, antes de tudo, o sentido da música na liturgia e o porquê dessas orientações.
Na Liturgia cristã, o que mais conta são as pessoas que, como batizadas, exercem seu sacerdócio batismal com todas as suas potencialidades expressivas: gestos, canto, leitura, arte (cf. SC 114). Portanto, canto e música são gestos vivos de pes­soas vivas, que constituem a celebração, a partir de uma situação humana concreta. Canto e música, antes de tudo, querem expressar a oferta viva de si mesmos dos que participam das celebrações. Não cantamos só pelo gosto de cantar, é algo mais! O critério que o Concílio fixa para admitir músicas na Liturgia é “que estejam dotadas das devidas qualidades” (ib.). No que se refere à escolha dos cantos, SC 121 afirma: “(Querem) oferecer à comunidade dos fiéis a participação que lhe é própria”; por isso, se recomenda aos compositores de “compor melodias que apresentem as características da verdadeira música sacra e que favoreçam a participação ativa de toda a comunidade dos fiéis”. Enfim, outro importante critério: “Os textos destinados aos cantos sacros sejam conformes à doutrina católica, e sejam tirados principalmente da Sagrada Escritura e das fontes litúrgicas” (ib.). Importante observação: na celebração litúrgica cristã, canto e música não têm autonomia no contexto da ritualidade litúrgica: são parte e modo expressivo do rito (cf. IGMR nn. 39-41).
Dom Armando

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Paróquia de Barra da Estiva acolhe Infância e Adolescência Missionária



A infância e Adolescência Missionária (IAM) é uma das quatro obras pontifícias, tem por objetivo “Tornar Jesus Cristo amado e conhecido” pelas crianças e pela sociedade como um todo, acreditando na força evangelizadora das crianças, a Infância missionária acredita no potencial e no protagonismo infantil. A coordenação Diocesana da IAM por meio de visitas e incentivo missionário, com o apoio do Padre Gonçalo implantou esta pontifícia obra na paróquia Bom Jesus de Barra da Estiva.  A semente já lançada encontrou terreno favorável na comunidade do Alto México. No último dia 23 oficializou-se a implantação desta obra Missionária na Paróquia de Barra da Estiva com o encontro de apresentação do Carisma e história da IAM ás crianças e a comunidade.  Em momento anterior já havia sido realizado encontro para formação dos assessores (EFAIM) com a equipe fundadora, que se dá de forma continuada. Nosso objetivo é implantar até o final do ano a obra em mais três comunidades, nossa próxima missão é realizar o encontro de apresentação do carisma na Comunidade São Félix, comunidade em que detectamos meios favoráveis para o crescimento da IAM. Agradecemos ao empenho do Padre Gonçalo pelo incentivo e por acreditar nesta obra evangelizadora, muito ainda precisa ser feito, acompanhemos esta obra com nossas orações.

  “De todas as crianças do mundo, sempre amigos!” 
Seminarista Alisson Caires,
 Coordenador Diocesano.

Faça você também parte desta família, entre em contato!

sábado, 23 de agosto de 2014

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS:
Isaías 22,19-23;
Salmo 137;
Romanos 11,33-36;
Mateus 16,13-20
Uma pergunta de Jesus hoje é dirigida a cada um de nós: “Vocês, meus discípulos e discípulas, que se chamam de cristãos, o que vocês dizem: “quem Eu Sou”?
Jesus, antes, tinha perguntado aos seus amigos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem”?As respostas que recebe são decepcionantes; mas se parecem com as que circulam hoje e que demonstram, depois de 2000 da vinda de Jesus, o escasso conhecimento d’Ele por parte até dos que se declaram seus seguidores.
Então, qual será a nossa resposta? Onde experimentamos em nossa vida a sua presença, capaz de dar um sentido novo à vida humana?
Nós também, com Pedro, hoje queremos proclamar do profundo do coração e com o testemunho de nossa vida: “Sim Jesus, tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Tu és o tesouro pelo qual valeapena vender tudo; Tu és o amigo que nunca nos abandona; em Ti confiamos e a Ti procuramos nas hores da alegria e, ainda mais, quando a dor bate à porta de nossa alma, na certeza de encontramos Alguém capaz de nos atender e compreender, com e por amor”.
Como seria bonito se hoje, convidados por essa página do Evangelho, conseguíssemos acolher a mensagem e a Pessoa de Jesus e conformar, mais e mais, nossa vida à luz de sua proposta. Então, sim, não só Pedro se tornaria ‘rocha’ mas cada um(a) de nós, encontraria a Rocha sobre a qual fincar com segurança seus pés, isto é, o sentido e a razão de sua vida.
Olhando para Pedro – a Rocha da Igreja e o guardião das chaves - temos uma referência segura para nossa caminhada eclesial. Quem sabe por que Jesus quis entregar as chaves mesmo a Pedro? Ao pobre pescador da Galileia, tão frágil e inconstante, tão presunçoso e temeroso? Talvez, porque em Pedro, tem um pouco de cada um(a); então, ninguém deve ter receio de acolher a proposta de Jesus, por que é Ele que ‘segura as pontas’, quem caminha à frente, e se responsabiliza com a escolha. Ele ‘escolhe o que é fraco neste mundo para confundir os presunçosos’, diria Paulo (cf. 1 Cor). Assim, Pedro – hoje com o nome de Francisco – torna-se o referencial e a garantia da unidade da Igreja. Portanto, não tenhamos medo, mas aumentemos a nossa confiança e a nossa fé. Isso basta.
Com a mensagem de Paulo (II leitura) renovemos essa confiança e o abandono em Deus: “Tudo é dele, por ele e para ele. A ele, a glória para sempre”. Aproximemo-nos de maneira humilde, discreta, atenciosa: conhecemos tão pouco de Deus! “De fato, quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro”? Então, com sincera humildade, deixemo-nos guiar pela Palavra, que é Cristo, para compreendermos sua proposta, também quando vai falar de sofrimento, humilhação e cruz.
Hoje, com a ‘Oração do dia’, pedimos a Deus que no dê a sabedora de “amar o que Ele ordena e esperar o que promete, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias”
Perguntemo-nos: - Quem é Jesus em minha vida? Por que posso responder assim?
- Sinto-me amado(a) e escolhido(a) para uma missão? Como respondo ao amor de Deus que, de tantas maneiras, manifesta-se em minha vida?
- Onde está ‘fixado’ o meu coração? Isto é, o que é mais importante para mim? Deus se encontra – de fato – dentro dessa escolha?

Dom Armando

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

MÚSICA E CANTO NA LITURGIA - I

      Queridos e queridas acompanhantes do ‘nosso’ blog, com esta página pretendo começar uma reflexão a respeito de “Canto e música na Liturgia”. Trata-se de um elemento de grande importância em nossas celebrações litúrgicas e nos encontros de oração. Convido a todos a lerem estas reflexões, para intervirem colando sugestões ou perguntas, para enriquecer o que aqui irei colocar.

1. IMPORTÂNCIA ANTROPOLÓGICA DO CANTO
      O ser humano não pode viver sem cantar. A experiência humana ensina o valor e linguagem tipicamente humana, em sintonia com o espírito humano; é forma privilegiada de comunicação. O canto expressa os sentimentos mais profundos do coração: alegria e dor, fé e esperança, arrependimento e compaixão; tem o poder de unir, de passar ideias e fé. Amor e tristeza, nasci­mento e morte, festa e luto... tudo no canto.
      Cantar é linguagem mais rica, une racionalidade e afetividade, é expressão do homem em sua totalidade, ser que pensa e que ama. O canto amplifica a palavra e a carrega de emotividade; serve para socializar as pessoas. Com o canto se consegue comunicar de maneira mais imediata e profunda, criar unidade, nos shows como nos cantos populares, nas festas e nas Liturgias.
      O canto tem uma profunda dimensão religiosa. “A alma humana tem uma sua própria sinfonia e participa de toda sinfonia” (Ildegarda de Bingen, séc. XI).  De fato, tem um lugar de destaque nas diferentes religiões.Já no AT aparece a importância do canto e dos instrumentos musicais: Celebrem a YHWH com a harpa, toquem a ele a lira de dez cordas; cantem a ele um cântico novo, toquem com arte na hora da ovação (Sl 33/32,2-3). Santo Agostinho escreve: “O canto é expressão de letícia; antes, se considerarmos melhor, é também um sinal de amor” (Sermo 34 in Ps. 49).
      O canto tem ainda uma dimensão terapêutica. As ondas sonoras estão em sintonia com o nosso corpo e fazem vibrar as fibras mais profundas do organismo em correspondência com os sentimentos mais vários e profundos, como cordas do universo humano. Assim, a música acalma, dá serenidade e paz, ou, ao contrário, excita. Um instrumento musical tem uma sua linguagem forte e sugestiva, capaz de mudar os corações.

2. O CANTO NA LITURGIA: LIGAÇÃO PROFUNDA
      Não são necessárias muitas palavras para afirmar a importância do canto na Liturgia. Escreve IGMR 270: “O canto não deve ser considerado como um certo ornamento que se acrescenta à oração quase do externo, mas como algo que brota do profundo da alma que ora e louva a Deus, e manifesta de maneira plena  e perfeita o caráter comunitá­rio do culto cristão”.  Eis, portanto, a necessidade de celebrar cantando!
       Na definição de canto entra plenamente o elemento cultural. A música litúrgica faz parte de todo o contexto em que se põe; reflete uma cultura, uma sensibilidade, uma época. A Liturgia, celebrando a vida nova, fruto da Páscoa, regenera a comunidade. “A música sacra é um dos mais altos sinais que revelam a sacralidade litúrgica” (João Paulo II, 21. 09. 1980). Toda celebração é atualização da salvação; no diálogo com Deus, a Palavra se expressa de duas formas: gestos e canto. A música teve sempre lugar de destaque nas celebrações religiosas. Podemos dizer que a Liturgia cristã nasceu com o canto.
Dom Armando