terça-feira, 25 de novembro de 2014

CATEQUESE COM ADULTOS: PREPARAÇÃO PARA PAIS E PADRINHOS - PARÓQUIA DE LIVRAMENTO DE NOSSA SENHORA

Foi realizado mais um encontro de preparação para pais e padrinhos na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento. Esses encontros têm sido intensos e muito participativos, e é mais uma oportunidade que a igreja encontra para dar formação e esclarecimentos aos adultos que têm ou não vida ativa na comunidade eclesial. Segundo o Pe. Ademário, que ajudou na abertura do encontro, o qual é dividido em três dias: “estes encontros têm ajudado muito na conscientização das pessoas no que tange ao seguimento de Jesus Cristo, com uma vida mais ativa na comunidade”. Ele sempre chama a atenção dos participantes para que, pelo menos, sejam mais fiéis e perseverantes às missas dominicais (Páscoa semanal), e que assim possam dar testemunho aos filhos e afilhados.  Mais fotos!

Campanha da Evangelização 2014: "Cristo é a nossa Paz"

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou oficialmente, na Solenidade de Cristo Rei, a Campanha da Evangelização (CE) 2014. Também nesta Solenidade a Diocese de Livramento, dentro do CPD, por via do bispo diocesano, Dom Armando, e do Coordenador de Pastoral, Pe. Samuel, lembraram a toda nossa Igreja particular, através dos Conselheiros: Padres, religiosas e leigos, a importância de haver um envolvimento de todos nesta iniciativa para sustendo das ações Evangelizadoras da Igreja no Brasil.
As Paróquias já receberam o material de Divulgação.
Vale lembrar que as coletas de todas as Missas e Celebrações da Palavra do 3º Domingo do Advento (14 de Dezembro) serão enviadas a Cúria que fara as distribuições conforme se pode ler abaixo.
 PASCOM diocesana

Texto de Lançamento da Campanha:
Cristo é nossa paz” é o lema da CE 2014, apropriado para o tempo litúrgico do Advento.  Neste período de preparação ao Natal, entre pessoas, famílias e na sociedade em geral, existe um clima de confraternização na busca pela  paz.
Criada em 1998 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a iniciativa busca mobilizar os católicos a assumir a responsabilidade de participar na sustentação das atividades pastorais da Igreja. A Campanha para a Evangelização tem o slogan “Evangeli.Já”, que faz referência à palavra evangelizar e mostra a urgência da evangelização e da cooperação de todos.
A distribuição dos recursos é feita da seguinte forma: 45% permanecem na própria diocese; 20% são encaminhados para os regionais da CNBB; e os demais 35% para a CNBB Nacional.

(in: cnbb.org.br)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A SUBJETIVIDADE PÓS-MODERNA

 Google Imagens
Seguindo Ítalo Moriconi, podemos destacar a pós-modernidade como um período de avaliação da aventura moderna do homem, marcada por glórias e honras, mas também por insuficiência e frustração que envolvem  todos os ambientes de vida social.
O termo pós-moderno, portanto, caracteriza o período em que se tecem críticas à modernidade, de maneira particular nos campos da arte e da produção do conhecimento acadêmico. Também foi alvo de crítica a grande pretensão moderna de ordenação do mundo e do homem guiada pela razão técnico-científica. Touraine (1995, p. 9) lembra que na modernidade “é a razão que anima a ciência e suas aplicações; é ela também que comanda a adaptação da vida social às necessidades individuais e coletivas”. Partindo dessa ordenação de viés racionalista, a humanidade avançaria “simultaneamente em direção à abundância, à liberdade e à felicidade” (TOURAINE, 1995, p. 9). 
Desse modo, o homem torna-se o responsável direto na busca do sucesso pessoal, da felicidade, da organização e da prosperidade seguindo os ditames da ciência e da razão. Cabe a ele um papel de constante superação de tudo aquilo que não concordaria com o racionalmente aceitável. Esse ideal, no entanto, falhou, pois aprisionou o homem e não conseguiu garantir-lhe verdadeira felicidade e progresso. Ao contrário, fez a Europa chegar a um caos garantido pela destruição e violência de duas guerras mundiais.
O pós-moderno é aquele que desconfia desse ideal da organização racional da vida. Nesse sentido, o Super homem, do qual Nietzsche fala, segundo Bauman, serve como um bom modelo de leitura do homem contemporâneo, que busca sair das amarras desssa vida racionalmente ordenada para atingir uma existência mais estética, que valorize as sensações, os prazeres.
Agora, o sujeito quer, ele próprio, determinar sua vida pelas experiências, pelas sensações do tempo presente, momentâneo e não mais voltar-se para uma possibilidade futura, uma estatística, ou conclusão lógica. Nisso ajuda muito o contexto consumista da sociedade atual. O ato de consumir é difundido cada vez mais como uma nova oportunidade, uma nova alegria ou bem-estar por meio daquilo que se adquiriu.
Em síntese, podemos dizer que o pós-moderno é um crítico da modernidade, desinteressa-se pelo ideal de vida ordenada pela racionalidade fria, orientada para o futuro, e passa a viver orientado para o presente, para a busca da felicidade e da vivência das sensações no agora, sendo constantemente ajudados pelo mercado, que sempre oferece um novo produto de que ele necessita para ser feliz e experimentar bem estar.
Júlio César
3° Filosofia

domingo, 23 de novembro de 2014

CPD 2014.2 – Encontro do Conselho reflete sobre a Caminhada Eclesial da Diocese

Entre os dias 21 e 23 de Novembro, no Centro Diocesano em Livramento, esteve reunido o Conselho Pastoral Diocesano (CPD), que, guiado, sobretudo pelo estudo do Documento 100 da CNBB, “Comunidade de Comunidade: uma nova Paróquia - a conversão Pastoral da Paróquia”; refletiu, avaliou, e planejou a Caminhada de nossa Igreja.
Ainda, dentro deste encontro, avaliou-se o “Projeto de Iniciação a Vida Cristã”, que há cinco anos marca o ritmo de nossas atividades, e lançou-se as propostas do novo Projeto “DEUS – PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO”, que marcará, a partir do próximo ano, a preparação rumo ao Jubileu de Ouro, em 2017. A Cada ano se refletirá sobre uma Pessoa da Santíssima Trindade, e, como no último projeto, as Festas de Padroeiros serão momentos privilegiados para o aprofundamento das temáticas gerais, através de um roteiro que a Diocese, em seu bispo, Dom Armando, preparou, e que em breve estará disponível a todos.
Os Conselheiros participaram, dentro da programação, da Missa na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, dia que marca o protagonismo dos Leigos na caminhada da Igreja, desde o Concílio Vaticano II, do qual comemoramos o cinquentenário. Na ocasião, os representantes de toda diocese, rezaram por D. Hélio Pascoal, primeiro bispo da Diocese, que completa (dia 22) 09 anos de Falecimento.
Sempre mais com a consciência amadurecida, todos os presentes, foram motivados, pelo Espírito Santo de Deus, a tornarem-se, e ajudarem a que todos sejam, uma Igreja viva, atuante e em saída.

PASCOM diocesana

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

LEITURAS:
Ez 34,11-12.15-17
Salmo: Sl 22 (23)
1Cor 15,20-26.28
Mt 25,31-46
Caríssimos,
Hoje – último domingo do ano litúrgico – louvamos ao Pai pelo dom inefável de termos Jesus Cristo como nosso verdadeiro Rei. Ele é Senhor do universo! Nossa ação litúrgica, à luz das leituras que ouvimos, torna-se um convite a compreendermos melhor o reinado de Jesus, pensando como ele tem se feito presente em nossa caminhada.
Ezequiel, na primeira leitura, nos recorda a promessa de um verdadeiro rei para Israel. Deus promete enviar um rei que seja um pastor que cuida, não um pastor que explora. Jesus cumpre a missão desse pastor prometido por Deus, como Ele mesmo afirmou (Jo 10, 11). Por isso, invocar Jesus como Rei não significa tornar-nos escravos, perder nossa liberdade. Como rei autêntico, Jesus resgata a nossa vida, cuida de nós e nos conduz à verdadeira vida e à verdadeira liberdade.
É isso que nos ensina Paulo na carta aos Coríntios. No texto que ouvimos na segunda leitura, Cristo é primícias. Ele é o primeiro a vencer a morte e manifestar a ressurreição, não para se engrandecer ou nos condenar, mas para conduzir-nos como Igreja a esse mesmo destino. Em Cristo todos reviverão! Contudo, é preciso confiar e se colocar no caminho desse reinado, descobrindo as exigências e as alegrias que ele nos propõe.
Essas exigências e alegrias são descritas no evangelho. Mateus no seu discurso escatológico deixa bem claro que a justiça e o cuidado com os pequeninos são expressão da nossa pertença e fidelidade a Cristo. Com nossas ações fazemos a escolha pelo reinado de Jesus que se tornará pleno na parusia. No fim dos tempos, quem seguiu a justiça permanecerá com Cristo; mas quem desprezou a justiça, desprezou e distanciou-se do próprio Deus e não poderá ficar na sua presença. Quem está com Cristo, quem o serve nos pobres e excluídos aderindo ao seu reinado, encontrará a verdadeira liberdade e a verdadeira vida.
Por isso iniciamos essa liturgia pedindo a Deus “que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo a vossa majestade, vos glorifiquem eternamente”. Queremos ser súditos conscientes e fiéis de Jesus Cristo. Somente nele está a liberdade. Somente nele está a vida. Ligados a Jesus, Rei-pastor, pelo serviço aos pobres e injustiçados, gozaremos da presença amorosa de Deus na eternidade.
Assim, chegando ao fim do ano litúrgico, examinemos nossa caminhada de fé: vejo em Jesus um rei-pastor que cuida e liberta? Ponho-me no seguimento ao reinado de Jesus? Ele tem sido meu Rei ou ainda estou preso a outros ídolos? No próximo domingo iniciaremos um novo ano litúrgico. Com ele, inicia-se de novo o convite à vigilância, à busca do arrependimento e da mudança de vida para um autêntico encontro com Jesus Cristo. Que sejamos capazes de vencer todos os ídolos, todos os obstáculos que nos distanciam do reinado de Deus, e encontremos em Cristo a autêntica experiência de vida e liberdade, servindo-o constantemente, com o coração e com a nossa vida.

Jandir Silva

2° ano teologia

DIA NACIONAL DO CRISTÃO LEIGO E LEIGA

Na “Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo”, celebramos, a cada ano, o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas.
Até a década de sessenta do século passado, nesta solenidade, a Ação Católica promovia a festa dos leigos com confraternizações, encontros, celebrações e, principalmente, renovação das promessas batismais.
O Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB, em sua X Assembleia Geral, em 1991, decidiu celebrar essa data comemorativa em continuidade com que fazia a Ação Católica, na perspectiva da participação dos leigos e leigas na construção do Reino. Portanto, de 1991 para cá, a Igreja do Brasil vem celebrando esse dia com reflexão, celebrações e confraternização nos regionais, dioceses, paróquias, movimentos, associações laicais e comunidades.
Neste ano, tendo como referência o Documento Estudos da CNBB, 107 – “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo”, e a vivência celebrativa dos 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II, temos refletido sobre a vocação laical e o nosso papel fundamental como membros do Povo de Deus e protagonistas da evangelização e da promoção humana.
A vocação do leigo e da leiga é sal que dá sabor, é fermento que faz crescer a massa e soma “com todos os cidadãos de boa vontade, na construção da cidadania para todos”. (CNBB, 107 n. 58)
Como sujeito eclesial ativo na vida pessoal, nos trabalhos e nas lutas do dia-a-dia, com uma identidade própria e exercendo-a em toda sua grandeza, o leigo e a leiga assumem sua missão sem limites e sem fronteiras, como “Igreja em saída”, desenvolvendo sua vocação no “mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos meios de comunicação social e ainda, outras realidades abertas para a evangelização como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento.” (EN, 70)
Como sujeitos eclesiais, participam ativamente da vida da IGREJA, sendo testemunhas fiéis de Cristo Rei, cumprindo a missão no MUNDO, como homens e mulheres construtores do REINO.
Feliz dia do leigo e da leiga!
Marilza José Lopes Schuina
Presidenta do CNLB
FONTE: www.cnbb.org.br

DISCURSO DO PAPA À CONFERÊNCIA DA FAO SOBRE NUTRIÇÃO

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores,
Com sentimento de respeito e apreço, apresento-me hoje aqui, na Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição. Agradeço-lhe, senhor Presidente, a calorosa acolhida e as palavras de boas-vindas que me dirigiu. Saúdo cordialmente o Diretor-Geral da FAO, o Prof. José Graziano da Silva, e a Diretora-Geral da OMS, a Dra. Margaret Chan, e alegra-me a sua decisão de reunir nesta Conferência representantes de Estados, instituições internacionais, organizações da sociedade civil, do mundo da agricultura e do setor privado, com a finalidade de estudar juntos as formas de intervenção para garantir a nutrição, assim como as mudanças necessárias que devem ser acrescentadas às estratégias atuais. A total unidade de propósitos e de obras, mas, sobretudo, o espírito de fraternidade, podem ser decisivos para soluções adequadas. A Igreja, como vocês sabem, sempre procura estar atenta e solícita em relação a tudo o que se refere ao bem-estar espiritual e material das pessoas, primeiramente das que vivem marginalizadas e estão excluídas, para que sua segurança e dignidade sejam garantidas.
1. Os destinos de cada nação estão mais do que nunca entrelaçados entre si, como os membros de uma mesma família, que dependem uns dos outros. Porém, vivemos numa época em que as relações entre as nações estão demasiadas danificadas pela suspeita recíproca, que às vezes se converte em formas de agressão bélica e econômica, mina a amizade entre irmãos e rechaça ou descarta quem já está excluído. Conhece bem esta realidade quem carece do pão cotidiano e de um trabalho decente. Esta é a situação do mundo, em que é preciso reconhecer os limites de visões baseadas na soberania de cada um dos Estados, entendida como absoluta, e nos interesses nacionais, condicionados frequentemente por poucos grupos de poder. Isso está bem explicitado na leitura da agenda de trabalho dos senhores, para elaborar novas normas e maiores compromissos para alimentar o mundo. Nesta perspectiva, espero que, na formulação desses compromissos, os Estados se inspirem na convicção de que o direito à alimentação só será garantido se nos preocuparmos com o sujeito real, ou seja, com a pessoa que sofre os efeitos da fome e da desnutrição.
Hoje em dia se fala muito em direitos, esquecendo com frequência os deveres; talvez nos preocupemos muito pouco com os que passam fome. Além disso, dói constatar que a luta contra a fome e a desnutrição é dificultada pela «prioridade do mercado» e pela «preeminência da ganância», que reduziram os alimentos a uma mercadoria qualquer, sujeita à especulação, inclusive financeira. E enquanto se fala de novos direitos, o faminto está aí, na esquina da rua, e pede um documento de identidade, ser considerado em sua condição, receber uma alimentação de base saudável. Pede-nos dignidade, não esmola.
2. Estes critérios não podem permanecer no limbo da teoria. Pessoas e povos exigem que a justiça seja colocada em prática; não apenas a justiça legal, mas também a contributiva e a distributiva. Por isso, os planos de desenvolvimento e de trabalho das organizações internacionais deveriam levar em consideração o desejo, tão comum em meio às pessoas comuns, de ver que se respeitam em todas as circunstâncias, os direitos fundamentais da pessoa humana e, no nosso caso, da pessoa faminta. Quando isso acontecer, as intervenções humanitárias, as operações urgentes de ajuda ou de desenvolvimento – verdadeiro e integral – terão maior impulso e darão os frutos desejados.
3. O interesse pela produção, a disponibilidade de alimentos e o acesso a eles, as mudanças climáticas, o comércio agrícola, devem certamente inspirar regras e medidas técnicas, mas a primeira preocupação deve ser a própria pessoa, aquelas que carecem de alimento cotidiano e que deixaram de pensar na vida, nas relações familiares e sociais e lutam apenas pela sobrevivência. O Santo Papa João Paulo II, na inauguração desta sala na Primeira Conferência sobre Nutrição, em 1992, alertou a comunidade internacional para o risco do “paradoxo da abundância”: existe comida para todos, mas nem todos podem comer, enquanto o desperdício, o descarte, o consumo excessivo e o uso de alimentos para outros fins estão sob nossos olhos. Infelizmente, este “paradoxo” continua sendo atual. Poucos temas apresentam tantos sofismas como os que se relacionam à fome; e poucos assuntos são tão suscetíveis de ser manipulados por dados, estatísticas, exigências de segurança nacional, a corrupção ou lamentos melancólicos sobre a crise econômica. Este é o primeiro desafio a ser superado.
O segundo desafio que se deve enfrentar é a falta de solidariedade. Nossas sociedades se caracterizam por um crescente individualismo e pela fragmentação; isto termina privando os mais frágeis de uma vida digna e provocando revoltas contra as instituições. Quando falta a solidariedade em um país, todos ressentem. Com efeito, a solidariedade é a atitude que torna as pessoas capazes de ir ao encontro do próximo e fundar suas relações mútuas neste sentimento de fraternidade que vai além das diferenças e dos limites, e encoraja a procurarmos, juntos, o bem comum.
Se tomassem consciência de ser parte responsável do desígnio da Criação, os seres humanos seriam capazes de se respeitar reciprocamente, ao invés de combater entre si, danificando e empobrecendo o planeta. Também os Estados, concebidos como uma comunidade de pessoas e de povos, se fossem exortados a atuar de comum acordo, estariam dispostos a ajudar-se uns aos outros, mediante princípios e normas que o direito internacional coloca à sua disposição. Uma fonte inesgotável de inspiração é a lei natural, inscrita no coração humano, que fala uma linguagem que todos podem entender: amor, justiça, paz, elementos inseparáveis entre si. Como as pessoas, também os Estados e as instituições internacionais são chamadas a acolher e cultivar estes valores, no espírito de diálogo e escuta recíproca. Deste modo, o objetivo de nutrir a família humana se torna factível.
4. Cada mulher, homem, criança, idoso, deve poder contar em todas as partes com estas garantias. E é dever de todo Estado, atento ao bem-estar de seus cidadãos, subscrevê-las sem reservas, e preocupar-se com a sua aplicação. Isto requer perseverança e apoio. A Igreja Católica procura oferecer também neste campo sua contribuição, através de uma atenção constante à vida dos pobres em todos os lugares do planeta; nesta mesma linha se insere o envolvimento ativo da Santa Sé nas organizações internacionais e com seus múltiplos documentos e declarações. Pretende-se deste modo contribuir para identificar e assumir os critérios que o desenvolvimento de um sistema internacional equânime deve cumprir. São critérios que, no plano ético, se baseiam em pilares como a verdade, a liberdade, a justiça e a solidariedade; ao mesmo tempo, no campo jurídico, estes mesmos critérios incluem a relação entre o direito à alimentação e o direito à vida e a uma existência digna, o direito a ser protegidos pela lei, nem sempre próxima à realidade de quem passa fome, e a obrigação moral de partilhar a riqueza econômica do mundo.
Se se crê no princípio da unidade da família humana, fundado na paternidade de Deus Criador, e na fraternidade dos seres humanos, nenhuma forma de pressão política ou econômica que se sirva da disponibilidade de alimentos pode ser aceitável. Mas, acima de tudo, nenhum sistema de discriminação, de fato ou de direito, vinculado à capacidade de acesso ao mercado dos alimentos, deve ser tomado como modelo das ações internacionais que se propõem a eliminar a fome.
Ao compartilhar estas reflexões com os senhores, peço ao Todo Poderoso, ao Deus rico em misericórdia, que abençoe todos aqueles que, com diferentes responsabilidades, se colocam a serviço dos que passam fome e sabem atendê-los com gestos concretos de proximidade. Peço também para que a comunidade internacional saiba escutar o chamado desta Conferência e o considere uma expressão da comum consciência da humanidade: dar de comer aos famintos para salvar a vida no planeta. Obrigado.

(SEDE DA FAO – ROMA, 20 DE NOVEMBRO DE 2014)


FONTE: www.vatican.va

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

CNBB DIVULGA NOTA "BRASIL PÓS-ELEIÇÕES: COMPROMISSOS E DESAFIOS"

Brasília, 19 de novembro de 2014
P. N. 0914/14

Brasil pós-eleições: compromissos e desafios

O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília nos dias 18 e 19 de novembro de 2014, saúda a nação brasileira pela democracia e cidadania vivenciadas nas eleições de outubro deste ano. Cumprimenta a todos que participaram do processo eleitoral e os eleitos. Recorda-lhes a responsabilidade colocada sobre seus ombros de não frustrar as expectativas de quem os elegeu e seu compromisso com a ética, a verdade e a transparência no exercício de seu mandato, bem como o dever de servir a todo o povo brasileiro.
A campanha eleitoral deste ano ratificou o processo democrático brasileiro no qual partidos, candidatos e eleitores puderam debater suas ideias e projetos. Tornou mais visíveis, no entanto, graves fragilidades de nosso sistema político:  sua submissão ao poder econômico financiador das campanhas; o descompromisso de partidos e candidatos com programas, favorecendo debates com ataques pessoais; a prevalência da imagem dos candidatos produzida pelos marqueteiros; o desrespeito, em alguns casos, às leis que combatem a corrupção eleitoral.
Passadas as eleições, urge ao País recompor sua unidade no respeito às diferenças e à pluralidade, próprias da democracia. Nada justifica a disseminação de uma divisão ou de ódio que depõe contra a busca do bem comum, finalidade principal da Política. O bem de todos coloca a pessoa humana e sua dignidade acima de ideologias e partidos.
A construção do bem comum desafia, especialmente, os eleitos em outubro deste ano. A corrupção na Petrobras reforça a sensação de que é um mal que não tem fim. Vemos aqui, claramente, as consequências do financiamento de campanhas por empresas, porta e janela de entrada da corrupção. Nenhum país prospera com corrupção que, no caso do Brasil, lamentavelmente já vem de muitos anos e não se limita à Petrobras.
A reforma política é outra urgência inadiável. Convicta disso, a CNBB se empenhará ainda mais na coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular proposto pela Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas. À reforma política, entretanto, é necessário unir outras reformas igualmente urgentes como a tributária e a agrária. O Brasil não pode mais conviver com tanta omissão em relação a estas e outras matérias que lhe são vitais.
“A política, tão desacreditada, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum” (Papa Francisco. Evangelii Gaudium, n.205). Nesse espírito, a CNBB reafirma que a sua participação na vida Política é tão importante quanto necessária para ajudar na construção de uma sociedade justa e fraterna. Afinal, “ninguém pode exigir-nos que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos. Uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela” (Papa Francisco. Evangelii Gaudium, n.183).


Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice Presidente da CNBB
                                                               Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

FONTE:http: cnbb.org.br