terça-feira, 23 de setembro de 2014

Assembleia da Região Pastoral IV - CNBB NE3

Catedral de Caetité

Ocorreu neste último final de semana em Caetité à assembleia da sub-região pastoral IV (Caetité, Jequié, Livramento e Vitória da Conquista). O encontro foi marcado pela alegria do encontro e partilha da caminhada pastoral das dioceses presentes. Os leigos, seminaristas, presbíteros e religiosos (as) presentes refletiram a partir do estudo 107 da CNBB “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”.
Sob a assessoria do professor Geraldo Aguiar do setor leigos da Comissão episcopal pastoral para o Laicato da CNBB os representantes das diversas pastorais e movimentos estudaram o texto por meio de exposição, trabalho em grupos e plenária em um rico momento de debate e contribuições ao estudo.
Alguns dos representantes de nossa Diocese


Houve ainda informes das pastorais, observações e sugestões sobre o enfoque que as dioceses poderiam tomar em relação ás eleições, destacando a importância do projeto de reforma politica. O encontro foi marcado pela alegria característica dos que vivem o Evangelho e pela valorização do leigo enquanto sujeito eclesial.
Confira as fotos.





VENDO O MEU VOTO

      Queridos amigos (as), hoje iniciamos a apresentação de uma nova Coluna em nosso blog: a Coluna “VOTE CONSCIENTE”. Uma Coluna que visa oferecer orientações que possam ajudar os cidadãos a cumprir seu dever eleitoral, com consciência e responsabilidade. Apresentaremos algumas parábolas da cartilha de orientação política, “PENSANDO O BRASIL,” elaborada por DOM ITAMAR VIAN, Arcebispo Metropolitano de FEIRA DE SANTANA, a quem agradecemos pelo excelente trabalho e por ter nos permitido a utilização da mesma em nosso Blog. LEIA E COMPARTILHE!

VENDO O MEU VOTO
      Osmar Aparecido, 38 anos desempregado, pai de três filhos, pode ser condenado a quatro anos por “colocar em perigo a democracia”. Tudo começou quando Osmar Aparecido mandou colocar um anúncio num dos jornais de sua cidade — Londrina PR — oferecendo seu voto pelo melhor preço do mercado. Pagou um real pelo anúncio nos classificados do jornal, com o título: “vendo o meu voto”. Oferecia sigilo absoluto para o político que ficasse com ele. O primeiro telefonema foi feito pelo Promotor de Justiça, Bruno Galatti. Só então, Osmar ficou sabendo ter cometido um “crime grave” e poderia passar quatro anos na prisão, além de pagar multa. O Promotor afirmou que atitudes assim “colocam em risco a democracia”.
      As leis existem, devem ser cumpridas e as autoridades competentes têm obrigação de fazer que sejam respeitadas. Mesmo assim, a justiça precisa ter uma visão suficientemente ampla para entender os atenuantes e os agravantes. A lei não tem valor absoluto, mas visa defender um valor. E os valores não são todos iguais. Osmar Aparecido explicou as razões de seu gesto: desespero e protesto. Desespero pela falta de emprego e protesto contra a omissão e a corrupção de muitos políticos.
      Outras razões podem ser invocadas: muitos vendem seus votos, mas a um preço bem maior e com métodos sofisticados. O preço pode não ser em dinheiro vivo, mas em favores para si e para seus grupos. A justiça deveria preocupar-se com os compradores de votos. Outros nem sequer vendem votos, mas desperdiçam, votando sem critérios. Há também o grupo dos desencantados que vota em branco ou anula o voto.
      A democracia está ameaçada hoje por razões bem mais graves do que o solitário oferecimento do voto em troca de pão. A ameaça parte da corrupção dos que se apossam de verdadeiras fortunas de dinheiro  público. Ameaçam a democracia também os governantes incompetentes e todos aqueles que apenas se preocupam com os interesses do seu grupo. O objetivo da política é o Bem Comum e não interesse corporativo de um pequeno grupo.
      Fome, violência, desemprego, analfabetismo, doenças, corrupções constituem-se verdadeiras ameaças à democracia. A atenção das autoridades deve concentrar-se nesses pontos. Se isto não acontecer, podemos repetir a velha afirmação de Diógenes, um filósofo grego: “os grandes ladrões enforcam os pequenos”.

Para refletir:

1) Você conhece alguém que já vendeu o voto em troca de favores? O que você poderia fazer para ajudar essa pessoa a tomar consciência de que o “voto não tem preço, mas consequência?
2) Quais são as grandes ameaças à democracia? 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Pensando o Humanismo cristão numa versão atualizada e científica

Ao longo do desenvolvimento do pensamento antropológico segundo a reflexão cristã, observamos os esforços para se constituir uma ideia sobre o ser humano capaz de situá-lo no mundo sem afastá-lo da sua relação com Deus. Nesse sentido, torna-se interessante conhecer algumas apreciações desenvolvidas pelo jesuíta francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955). A sua proposta se identifica como uma atitude destinada à atualização do humanismo cristão meditando aspectos que, evidenciando a destinação divina do homem, salientam sua existência no Universo. Trata-se de uma busca de entendimento acerca do processo de Hominização, isto é, da passagem da vida animal não-reflexiva à vida humana reflexiva. Por meio desse processo, Teilhard de Chardin realça que acontece uma das fases da evolução na qual a matéria se ‘hominiza’. Podemos entender isso como o aparecimento do Fenômeno Humano. Dessa maneira, constatamos que o humanismo desse pensador é uma proposta cristã com perspectivas inovadoras que assinalam a socialização da vida e do saber como uma nova maneira de compreender as leis que regem a evolução desde o começo do Universo. Por esse motivo, a teoria desenvolvida pelo jesuíta designa o homem como eixo e flecha do processo evolutivo, definindo-o como um fenômeno por ‘excelência’ para demonstrar que o seu processo existencial desde a sua concepção até a sobre-vida se diferencia do processo evolutivo dos outros animais. A principal diferença refere-se à sua capacidade reflexiva. Todavia, é importante ressaltar que a evolução da qual Teilhard de Chardin aborda não se reduz à teoria de Darwin, mas aponta para a ideia de um processo de conhecimento de todas as coisas que utiliza da lei de transformação dos fenômenos no tempo (Transformismo). Com base nesse pensamento, a visão obtida reconhece a caminhada evolutiva como um marco que provoca a socialização do homem num percurso que culmina no ponto ômega onde ele se divinizará no Cristo Cósmico. Por isso, fala-se da relação do homem moderno com a divindade a partir de reflexões científicas que distinguem “a evolução como uma ascensão da consciência” na qual se concretiza a sua humanidade. Com isso, supera-se a afirmação aristotélica de que o homem é um animal racional, entendendo-o então como um animal reflexivo, ou seja, “um ser que sabe que sabe”. Além disso, como podemos observar na obra “O Fenômeno Humano” (1955), há um esforço notável para se colocar o homem como caminho até a experiência com o Cristo-Ômega. Destarte, concluímos que as ponderações do pensador francês pretendem nos inserir na reflexão antropológico-cristã a partir da ideia de que vivenciamos um constante processo evolutivo, que se realiza desde a pré-vida à sobre-vida, reconhecendo que na existência humana cada acontecimento não nasce pronto, mas se desenvolve e fortalece a partir das nossas reflexões que os modificam. Eis, portanto, a importância de, assim como Teilhard de Chardin, esforçarmo-nos para pensar além do nosso tempo, a fim de que nossas ideias possibilitem novas perspectivas de aquisição do conhecimento e de enriquecimento da nossa relação com o mundo e com Deus.
CHARDIN, Pierre Teilhard. O Fenômeno Humano. SP: Cultrix, 1986.

Marcos Bento
3º Filosofia

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

CANTO E MÚSICA NA LITURGIA - V

Em minhas conversas sobre liturgia, estou tratando o tema Canto e música na liturgia.
Destaquei os vários momentos de uma celebração, sobretudo da Eucaristia. Já vimos os cantos de entrada, o ato penitencial e o Hino de louvor. Hoje quero acrescentar algumas observações a respeito de mais três momentos: o salmo responsorial, a aclamação ao Evangelho e o canto das Oferendas.
Salmo de resposta (cf. IGMR 61). “Ele ocupa um espaço significativo como resposta por dois motivos: por­que é cantado em forma dialogal entre o salmista e a assembleia e porque é escolhido para responder a Palavra de Deus”.
Sua finalidade principal é prolongar poeticamente a mensagem da pri­meira leitura. - Ao menos aos domingos e festas, seja cantado. Não podemos nos contentar com uma simples recitação. - O canto favorece a compreensão do sentido espiritual do salmo e contri­bui para sua interiorização. - Obrigatoriamente, tem que ser salmo; faz parte integrante da celebração.
Aclamação ao Evangelho. - “Aclamação? A palavra aclamação vem do verbo “aclamar”. Segundo o dicionário Aurélio significa: aplaudir ou aprovar entusiasticamente por meio de brados ou aplausos; saudar calorosamente (...); reconhecer solenemente, proclamar (...); levantar clamor em sinal de aprovação”.
A assembleia, reunida no Espírito Santo, vibra e aclama com admiração, alegria, amor e fé Aquele que está sentado no trono, e o Cor­deiro, pois só a eles pertencem o louvor, a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos (cf. Ap 5,13). - Esse canto acompanha a procissão do Evangeliário até o ambão (estante) da Palavra e prepara o coração dos fiéis para a escuta atenta daquele que só tem a nos dizer “Palavras de vida eterna” (cf. Jo 6,68) - É uma aclamação de aleluia = Deus seja louvado. Depois do aleluia, o Lecionário propõe uma frase bíblica do Evangelho proclamado.
Essa aclamação não se repete depois da proclamação do Evangelho.
Cantos das Oferendas. – Nos livros litúrgicos se diz que é o “Canto da procissão das oferendas”, que acompanha a procissão dos dons; ou o “Canto da preparação das oferendas, quando não há procissão, mas apenas a preparação da mesa e dos dons para a eucaristia; ou, ainda, o “Canto da apresentação das oferendas”, quando aquele que pre­side canta a oração da bênção. “Bendito sejas, Senhor, Deus do universo, pelo pão... pelo vinho...”.
Percebemos que não foi usado o termo “ofertório” porque o grande Ofertório acontecerá durante a Oração eucarística. - O canto das oferendas não é o mais importante dentro da Liturgia eucarística. Inclusive, o Missal Romano nem traz os textos das antífonas; pode-se cantar um canto que combine com o momento ritual da prepara­ção e apresentação dos dons. - O principal objetivo é criar um ambiente de alegria, de partilha, de louvor. - Ele deverá sensibilizar os fiéis para a generosidade e a gratuidade. - O texto não precisa necessariamente falar de pão e vinho ou de ofere­cimento. - É aconselhável cantar se houver procissão, porque é um canto que acompanha a ação. - Uso de símbolos e do corpo: é um momento para valorizar gestos da assembleia ou expressões corporais (CNBB
43, n. 297).

Dom Armando 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

IV ETAPA DA ETEL


      Nos dias 12, 13 e 14, aconteceu a IV etapa da Escola de Teologia para Leigos da Diocese de Livramento de Nossa Senhora. A etapa foi marcada, mais uma vez, pela intensidade dos trabalhos e pela empenhada participação de todos. Na sexta-feira (12), nosso Bispo, Dom Armando, completou 43 anos de ordenação sacerdotal. A comemoração foi colocada nas intenções da Celebração Eucarística realizada nesse dia. Durante os três dias da etapa, que começou às 8 horas da manhã do dia 12 e terminou ao meio-dia do dia 14, o clima foi de muita serenidade. Veja as fotos.
      Veja também, algumas fotos, da Celebração da Crisma  na Capela da Comunidade de Vila Nova, Paróquia do Bom Jesus do Taquari,  no dia 10 de setembro. A celebração foi presidida pelo nosso Bispo Dom Armando. Participaram da celebração, o Padre Aparecido, Pároco, que concelebrou com o bispo, e fiéis da comunidade. A celebração transcorreu em um clima de fé, alegria e atenta participação de todos. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

AUDIÊNCIA GERAL DO PAPA FRANCISCO - Praça de São Pedro na quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
No nosso itinerário de catequeses sobre a Igreja, estamos a refletir sobre o facto de que a Igreja é mãe. Na semana passada frisámos como a Igreja nos faz crescer e, com a luz e a força da Palavra de Deus, nos indica o caminho da salvação, e nos defende do mal. Hoje gostaria de ressaltar um aspecto particular desta ação educativa da nossa mãe Igreja, ou seja, como ela nos ensina as obras de misericórdia.
Um bom educador vai ao essencial. Não se perde nos pormenores, mas quer transmitir o que deveras conta para que o filho ou o aluno encontre o sentido e a alegria de viver. É a verdade. E o essencial, segundo o Evangelho, é a misericórdia. O essencial do Evangelho é a misericórdia. Deus enviou o seu Filho, Deus fez-se homem para nos salvar, ou seja, para nos dar a sua misericórdia. Jesus diz isto claramente, resumindo o seu ensinamento para os discípulos: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36). Pode existir um cristão que não seja misericordioso? Não. O cristão deve ser necessariamente misericordioso, porque este é o centro do Evangelho. E fiel a este ensinamento, a Igreja não pode deixar de repetir a mesma coisa aos seus filhos: «Sede misericordiosos», como o vosso Pai, e como o foi Jesus. Misericórdia.
E então a Igreja comporta-se como Jesus. Não dá lições teóricas sobre o amor, sobre a misericórdia. Não difunde no mundo uma filosofia, um caminho de sabedoria... Certamente, o Cristianismo é também tudo isto, mas por consequência, de reflexo. A mãe Igreja, como Jesus, ensina com o exemplo, e as palavras servem para iluminar o significado dos seus gestos.
A mãe Igreja ensina-nos a dar de comer e de beber a quem tem fome e sede, a vestir quem está nu. E como o faz? Com o exemplo de tantos santos e santas que fizeram isto de modo exemplar; e também com o exemplo de tantíssimos pais e mães, que ensinam aos seus filhos que o que sobeja a nós é para quem não tem o necessário. É importante saber isto. Nas famílias cristãs mais simples sempre foi sagrada a regra da hospitalidade: nunca falta um prato e um leito para quem precisa. Certa vez uma mãe contou-me — na outra diocese — que queria ensinar isto aos seus filhos e dizia-lhes que ajudassem e dessem de comer a quem tinha fome; ela tinha três. E um dia ao almoço — o pai estava fora por trabalho, estava ela com os três filhos, pequeninos, 7, 5, 4 anos mais ou menos — e batem à porta: era um senhor que pedia de comer. E a mãe disse-lhes: «Espera um momento». Entrou e disse aos filhos: «Está ali um senhor que pede de comer, que fazemos?», «Damos-lhe, mãe, damos-lhe!». Cada um tinha no prato um bife com batatas fritas. «Muito bem — disse a mãe — damos-lhe metade de cada um de vós». «Ah, não, mãe, assim não está bem!». «É assim, tu deves dar do teu». E deste modo, esta mãe ensinou aos seus filhos a dar de comer do próprio. Este é um bonito exemplo que me ajudou muito. «Mas não me sobeja nada...». «Dá do teu!». É assim que nos ensina a mãe Igreja. E vós, numerosas mães que estais aqui, sabeis o que deveis fazer para ensinar aos vossos filhos para que partilhem as suas coisas com quem tem necessidade.
A mãe Igreja ensina a estar próximos de quem é doente. Quantos santos e santas serviram Jesus deste modo! E quantos homens e mulheres simples, todos os dias, põem em prática esta obra de misericórdia num quarto de hospital, ou de uma casa de repouso, ou na própria casa, assistindo uma pessoa doente.
A mãe Igreja ensina a estar próximo de quem está na prisão. «Mas, Padre, não, este é perigoso, é gente má». Mas cada um de nós é capaz... Ouvi bem isto: cada um de nós é capaz de fazer o mesmo que fez aquele homem ou aquela mulher que está na prisão. Todos temos a capacidade de pecar e de fazer o mesmo, de errar na vida. Não é mais maldoso do que tu e do que eu! A misericórdia supera qualquer muro, qualquer barreira, e leva-te a procurar sempre o rosto do homem, da pessoa. E é a misericórdia que muda o coração e a vida, que pode regenerar uma pessoa e permitir que ela se insira de maneira nova na sociedade.
A mãe Igreja ensina a sermos próximos de quem está abandonado e morre sozinho. Foi quanto fez a beata Teresa pelas estradas de Calcutá; e foi o que fizeram tantos cristãos que não têm medo de apertar a mão a quem está para deixar este mundo. E também aqui, a misericórdia doa a paz a quem parte e a quem fica, fazendo-nos sentir que Deus é maior do que a morte, e que permanecendo n’Ele também a última separação é um «adeus»... Tinha compreendido bem isto a beata Teresa! Diziam-lhe: «Madre, isto é perder tempo!». Encontrava pessoas moribundas pela estrada, pessoas às quais os ratos de rua começavam a comer o corpo, e ela levava-as para casa para que morressem limpos, tranquilos, acariciados, em paz. Ela dava-lhes o «adeus», a todas elas... E tantos homens e mulheres como ela fizeram isto. E eles esperam-no, lá [indica o céu], à porta, para lhes abrir a porta do Céu. Ajudar as pessoas a morrer bem, em paz.
Amados irmãos e irmãs, assim a Igreja é mãe, ensinando aos seus filhos as obras de misericórdia. Ela aprendeu de Jesus este caminho, aprendeu que isto é essencial para a salvação. Não basta amar quem nos ama. Jesus diz que os pagãos o fazem. Não é suficiente fazer o bem a quem pratica conosco o bem. Para mudar o mundo para melhor é preciso fazer bem a quem não é capaz de retribuir, como fez o Pai conosco, dando-nos Jesus. Quanto pagámos pela nossa redenção? Nada, tudo de graça! Fazer o bem sem esperar algo em troca. Assim fez o Pai conosco e nós devemos fazer o mesmo. Pratica o bem e vai em frente!
Como é bonito viver na Igreja, na nossa mãe Igreja que nos ensina estas coisas que Jesus nos ensinou. Agradeçamos ao Senhor, que nos concede a graça de ter a Igreja como mãe, ela que nos ensina o caminho da misericórdia, que é o caminho da vida. Agradeçamos ao Senhor.


FONTE: w2.vatican.va

CNBB promove debate na TV Aparecida, logo mais às 21h30min

A CNBB, realiza hoje a noite Debate entre os oito principais candidatos a presidência da República. Confira informações do A12, portal da TV Aparecida:


"Oito partidos confirmaram presença no Debate Presidencial da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que acontece na próxima terça-feira, 16, a partir das 21h30, em Aparecida/SP.Os candidatos confirmados são: a presidente Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB), Eduardo Jorge (PV), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Luciana Genro (PSOL) e Pastor Everaldo (PSC). Esse debate é o terceiro realizado entre os presidenciáveis no primeiro turno. Ele será dividido em cinco blocos e terá como mediador o jornalista Rodolpho Gamberini.
 O evento será transmitido ao vivo pela TV Aparecida, veículo organizador do debate, e terá transmissão simultânea pela TV Canção Nova; Imaculada; TV Nazaré; Rede Vida de Televisão; Rede Século 21; TV 3º Milênio; TV Horizonte e TV Evangelizar e Rede Católica de Rádio (RCR), portais de inspiração católica como portal A12.com e da SIgnis Brasil, entidade que ajuda a congregar as mídias católicas do país."

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE EM EMMANUEL LÉVINAS

A ética ocidental, até meados do século XX, influenciada pela racionalização totalitária do pensamento sobre o ser, comportou a “ontologia do poder” na qual se basearam os sistemas totalitários e todas as outras formas de dominação contemporâneas pela redução racionalista em classes para um “eu” autônomo, determinado.
Lévinas, filósofo judeu e de nacionalidade lituana, protesta contra a síntese do universal com o apelo imperativo da descoberta do “outro” sem os enquadres do “sujeito” ou do “ser”, mas sim e antes de tudo, com a necessidade de resposta ao rosto que se apresenta e não pode ser definido, pois se encontra no mistério da transcendência e da alteridade.
Ao abordar o pensamento levinasiano, pretendo deter-me nos seus desdobramentos do problema ético como primado não só da ontologia, mas de toda filosofia. A transcendência da face ou do rosto sobre qualquer interação provoca o reconhecimento do outro, ao qual não se aplicam conceitos ou estudos prestados pela ontologia, pois objeta ao máximo o “ser” em “sujeito”, mas simplesmente relações dos “eus”, que ultrapassam infinitamente a si mesmos em direção ao limite do “estar diante”.            
Diante do outro deparamo-nos com a angústia, sendo não apenas um sentimento, mas a desestabilização do eu autônomo, que nos provoca a reação no confronto, exigindo, assim, uma resposta. Tal relação não pressupõe interesse, antes, sim, responsabilidade deposta de qualquer posse, pois o outro elimina qualquer limitação de classe e apesar de semelhante em nada é igual ao “eu”.
Essa proposta agita a estrutura e o lugar da ética, exigindo sua revisão radical, e da própria filosofia, para antecipar responsabilidade à liberdade, bondade à verdade, transcendência à imanência, fundamentando, assim, as razões do relacionamento humano.

Para aprofundar: EMMANUEL, Lévinas. Ética e Infinito. Lisboa: Edições 70, 2007.

Adriano Bonfim Pereira
1º ano de Teologia