quinta-feira, 24 de abril de 2014

O ANO LITÚRGICO V

Continuamos nossa reflexão a respeito do Ano litúrgico.
A salvação que Jesus realizou com sua vida, morte e ressurreição, entra no tempo de nossa vida através das celebrações litúrgicas. Os tempos litúrgicos são o marco da presença da salvação, no aqui e agora da vida humana. Não são simples apresentações dos acontecimentos da vida de Jesus, quais exemplos a imitar. A liturgia representa, no sentido de que torna presentes­ os mistérios da vida de Jesus no decorrer do tempo, após sua glorificação, uma vez que Ele foi subtraído às leis e às limitações do tempo.
Com essas premissas, torna-se mais claro compreender o sentido do Domingo e do Ano litúrgico.
Antes de tudo, procuremos compreender o sentido do Domingo para a fé dos cristãos. Os nossos primeiros irmãos e as primeiras irmãs de fé em Jesus se reuniam, a toda semana, para fazer memória do ato de amor que levou o Filho de Deus a morrer na cruz. Escreve Sacrosanctum Concilium (n. 102): “Em cada semana, no dia que ela chamou de Domingo, a Igreja comemora a Ressurreição do Senhor”. E acrescenta: “Devido à tradição apostólica que tem sua origem do dia mesmo da Ressur­reição de Cristo, a Igreja celebra cada oitavo dia o Mistério Pascal” (n. 106).
Por que foi escolhido o Domingo como dia da celebração? A resposta unânime dos evangelhos  é que foi no dia “depois do sábado, ao raiar o primeiro dia da semana” (Mt 28,1) que as mulheres encontraram o sepulcro vazio e, em seguida, tiveram a aparição do Senhor Jesus. Por isso, sem deixar - no início - de participar do culto hebraico, os seguidores de Jesus davam destaque especial a esse dia. O Domingo é dia que manifesta o senhorio de Jesus Cristo sobre o mundo. SC (n. 106) diz que o Domingo é “um dia de festa primordial que deve ser lembrado e inculcado à piedade dos fiéis, de modo que seja também um dia de alegria e de descanso do trabalho”. Esse dia é chamado, também, de oitavo dia porque evoca a inaugu­ração da nova criação, o começo de um novo tempo iluminado pela presença do Ressuscitado.
A obrigação de participar da Eucaristia a todo Domingo, deve ser vivida na tanto como uma lei, mas como exigência de fé e de pertença. Escreve a Didascalia dos Apóstolos, um documento da metade do III século: “Que ninguém diminua a Igreja não comparecendo, para não diminuir de um membro o corpo de Cristo”; e a carta aos Hebreus (10,25) já expressa uma queixa: “Não abandonem as nossas assembleias como alguns costumam fazer”.
Como os cristãos de hoje vivem o Dia do Senhor? Os ritmos de trabalho e os hábitos da sociedade já abafaram em muitos cristãos o sentido precioso desse tempo tão benéfico para a vida das pessoas. Shopping, lojas, mercados e supermercados continuam abertos, também aos domingos. Um número significativo de pessoas que se declaram cristãs e católicas, de fato, deixaram que o lucro ou o lazer assumissem importância determinante em suas vidas; são os velhos e sempre novos ‘deuses’ que dominam e aos quais ‘se sacrificam’ muitas horas do ‘tempo que passa’. Os valores humanos e religiosos deste Dia santo parecem não ter sido perdidos, ou (ainda) não foram compreendidos.
Reafirmamos que louvar a Deus e encontrar com a Comunidade de fé, faz bem às nossas vidas. O repouso festivo visa não só reconhecer a primazia de Deus e a força transformadora da Ressurreição do Senhor, mas, também, a importância do descanso para reequilibrar a vida.
Então, vale a pena refletir – sobretudo os cristãos: como vivemos o Dia do Senhor? Como poderíamos vivê-lo para torná-lo, de verdade, um ‘dia santo’ que nos enche de vida?

Dom Armando

terça-feira, 22 de abril de 2014

A origem do conhecimento e o poder configurador da mente


É interessante como na história da Filosofia os conceitos acerca do conhecimento são retomados, refeitos, aperfeiçoados e negados, partindo sempre de questões parecidas ou mesmo idênticas. Locke parte de Bacon, para analisar os elementos que se pode conhecer, como aperfeiçoar as capacidades humanas intelectuais e a utilização destas para uma ciência mais importante.
Locke afirma a experiência e os sentidos como princípios indispensáveis para obtenção do conhecimento. Nem a mente pode conhecer nada por si mesma sem a influência de uma realidade externa que seja percebida pelo ente ou ainda ela detenha algum conhecimento inerente originário da própria existência da mente e comum a todos.          Muito importantes foram estes conceitos para a ciência experimental bem como para a epistemologia e a fenomenologia, mas Locke se esquece que a natural ação ou reação humana diante do desafio, do novo, ainda que influenciadas pelos experimentos anteriores, estão fundadas no ideal de perfeição que não parte da limitação das coisas externas, mas da insatisfação intrínseca ao homo sapiens. E mais, ao continuar traduzindo a realidade dada nas configurações da mente, por meio de códigos indiscutivelmente inexistentes na realidade externa como a palavra e o número, o homem descobre que é capaz de criar e não apenas relacionar e analisar o que é dado. Esta é a verdadeira reflexão capaz de conduzir ao conhecimento.
Deste modo as ideias de substância modo e relações configuram a noção de reflexão e desta parte a experiência quando a intuição não é mais possível. A partir disto, apesar Locke de se fundamentar na experiência, vê-se que esta tem um começo e um fim não dá resposta a tudo nem é necessária em tudo. O que não se pode negar é a relação do homem com a realidade externa, com sua espécie e consigo mesmo para a obtenção do conhecimento.

Adriano Bonfim Pereira

1º ano de Teologia

segunda-feira, 21 de abril de 2014

AGENDA DO BISPO







Mês de abril - III
Dia
Horas
Onde
Atividade
21
08.00
Paróquia N. Senhora da Saúde - Jussiape
Encontro Ministros Extr. Sagrada Com. Eucarística
16.00
Comunidade Grama - Paramirim
Encontro Crismandos
18.00
Casa do Bispo
Encontro Crismandos Com. S. Terezinha
22
Manhã
Casa do Bispo
Atendimento
19.00
Barra de Abaíra – Abaíra
Crisma
23
Manhã
Casa do Bispo
Atendimento
19.30
Com. Tamburil 4 – Taquari
Crisma
24
18.00
Paróquia Santo Antônio – Paramirim
Encontro catequista, e Coordenadores Pastorais
25
Manhã
Casa do Bispo
Atendimento
16.30
Com. Arapiranga - Rio de Contas
S. Missa (na ocasião do dia do índio)
26
15.00
Com. Cachoeira  - Jussiape
Encontro Crismandos
17.00
Paróquia N. Senhora da Saúde - Jussiape
Encontro Crismandos
20.00
S. Missa com entrega ministério aos MESCEs
27
10.00
Paróquia N. Senhora do Perpétuo Socorro
Com. Eixo do Morro
Celebração da Crisma
15.00
Com. Torta
17.00
Com. Ladeira
28
Manhã
Casa do Bispo e Cúria
Atendimento
19.30
Com. Várzea de dentro
S. Missa na Novena de S. José oper.
29
Viagem para Aparecida para participar da Assembleia Geral da CNBB (até o dia 09 de Maio)

sábado, 19 de abril de 2014

PÁSCOA DO SENHOR

Leituras:
At 10,34a.37-43
Salmo 117
Colossenses 3,1-4
João 20,1-9

A história da fé em Jesus começou naquela manhã de um ‘primeiro dia da semana’. Algumas mulheres foram fazer os ‘deveres fúnebres’ que, por causa da chegada da solenidade da Páscoa, não tinham conseguido cumprir. Mas, algo imprevisto – e imprevisível – estava acontecendo. Encontram o sepulcro vazio!  Perplexas e amedrontadas vão avisar os amigos de Jesus, os líderes do grupo. Estes correm para ver o que aconteceu. Quando entra “o outro discípulo”, com olhar transparente, “ele viu, e acreditou”. De fato, quem olhar para esses fatos de modo ambíguo, desconfiado, suspeitoso... nunca conseguirá compreender. Logo a noticia se difunde em todo canto. Até então “não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos”.
Jesus de Nazaré, o Crucificado, venceu a morte; e com ela tudo o que impede a vida. Com sua vitória está definitivamente vencido o mal e o pecado em todas as suas expressões. Deus, o criador da vida, agora fez vencer a vida: “o rei da vida, cativo, é morto, mas reina vivo”; Deus, o autor da vida, é também o vencedor da morte. A voz da verdade, um dia, vence. (Sequência).
“Vós o matastes, mas Deus o ressuscitou”, denúncia o apóstolo Pedro. A ressurreição é a resposta de Deus à ação criminosa dos humanos. Não adianta calar os mensageiros da verdade e da justiça divinas; o dia vai chegar em que tudo o que foi abafado, vai aparecer. Essa certeza acompanha os sonhos e as ações dos que creem e entregaram suas vidas à causa de Jesus e de sua mensagem de alegria. Escreve o papa Francisco; “A alegria do Evangelho, enche o coração e a vida daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus, renasce sem cessar a alegria” (Exortação Apostólica A alegria do Evangelho, 1). As Igrejas hoje celebram esta certeza de vida em plenitude que elas guardam, como preciosa herança. A mensagem que anunciam é de esperança, de vida e de amor.
Então, ‘não procuremos entre os mortos, quem está vivo’! Meu irmão – minha irmã, aceite que Ele entre em sua vida, como amigo, como luz e força de novidade. Não importa o teu passado nem os teus erros e pecados. Jesus já sofreu tanto, já mostrou as dimensões de seu amor; Ele venceu já tudo que se opõe à vida e ao amor. Agora, a ‘ordem dada aos seus primeiros companheiros é de “pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos” (I leitura). Pedro e os demais colegas assumiram a missão que Ele lhes entregou. Por isso, com firmeza diz: “Nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém… Deus o ressuscitou no terceiro dia”.
Agora, o que devemos fazer? Responde-nos o apóstolo Paulo (II leitura): “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às terrestres”. Trata-se não de fugir da vida do dia-a-dia, procurando refúgio em ‘paraísos artificiais e sentimentais, mas, ao contrário, mergulhar na luz da Páscoa, isto é do amor de Jesus, vivendo com alegria e fidelidade tudo o que pertence à nossa condição humana e às nossas obrigações, plantando sementes de paz e de amor, de justiça e solidariedade; “viver pensando nos que sofrem, fazer-se próximos dos mais desvalidos, estender uma mão aos indefesos”  (J. A. Pagola).
Com este novo estilo de vida, desejo a todos uma Páscoa verdadeira, repleta da luz do Ressuscitado.
                                                                                                                                                                                                               Dom Armando

quinta-feira, 17 de abril de 2014

PAIXÃO DO SENHOR

LEITURAS:
1ª  - Is 52,13 - 53,12
Salmo - Sl 30,2.6.12-13.15-16.17.25 (R. Lc 23,46)
2ª  - Hb 4,14-16; 5,7-9
Jo 18,1-19,42

            O dia de hoje é, certamente, muito tocante para nós cristãos. É envolvente, propenso à reflexão, à interioridade, a oração. A igreja nos indica muito convenientemente o jejum e abstinência e muitas pessoas piedosas guardam antigos costumes para expressarem respeito pela morte do Senhor. Participamos de “Vias-sacras”, subidas ao cruzeiro, procissões do Senhor morto, encenações da Paixão. Tudo isso como demonstração de que estamos celebrando o centro de nossa fé: o Mistério da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
            Às quinze horas toma lugar em nossas comunidades a Ação Litúrgica na qual nos é proclamada ou proclamamos a extensa narrativa da Paixão do Senhor. Contemplamos Jesus sofredor, obediente ao Pai, a nos dar o máximo exemplo de fidelidade. Chega a sua Hora, Hora de sua glorificação, na qual também o Pai é glorificado por meio dele e nos é entregue o Espírito. Por isso cantamos com São Paulo: “Cristo por nós se fez obediente até a morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou e lhe deu um nome superior a todo nome” (Fl 2,8).  Jesus é o Cordeiro manso levado ao matadouro, oferenda perfeita de expiação pelos nossos pecados por seu sangue na cruz derramado, ápice de uma vida de inteira oblação.
            Na primeira leitura Ele é identificado como o servo sofredor cantado pelo profeta Isaías. O servo é uma luz que aponta o caminho a ser seguido. Ele não busca convencer outrem por palavras: “não abriu a boca” (Is 53,7). Ele suporta seus pecados, dando-lhe exemplo: “A verdade é que ele tomava sobre si nossas
enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores”. (Is 53, 4). A humilhação do servo não é derrota ou fracasso, é glória e força diante de Deus. Seu sofrimento é o motivo de sua exaltação, por ter sabido doar-se incondicionalmente.
            Essa verdade a respeito de Cristo, servo sofredor em sua Paixão é, de maneira bela e sucinta descrita no trecho da carta aos Hebreus (2ª leitura), como que a encorajar os que foram sepultados com Cristo no Batismo. Ora, ser cristão comporta sofrimentos, dores, constante entrega. Somos chamados a assumir os outros. Isso é redenção! Quem nos mostrou foi o Filho de Deus, nosso Sumo sacerdote. E nos mostrou não falando das alturas, mas do meio de nós, em nossa carne mortal. “Aproximemo-nos, então, com toda a confiança, do trono da graça”, imitando Cristo em nossa vida, carregando a cruz obedientemente, pois Ele, “na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”.
            Neste dia tão comovente e digno de respeito, rezemos, como Igreja particular de Livramento de Nossa Senhora:
Ó Cristo, associai-nos à vossa paixão!
Ó Cristo, dai-nos vosso perdão e vossa graça com largueza!
Ó Cristo, ensina-nos a morrer!
Faz-nos experimentar a morte na qual fomos inculcados e a vida nova que dela brota!
Faz-nos servos sofredores!
Faz-nos cumprir a exigente tarefa de ontem: lavar os pés...
“Eu me entrego, Senhor, em tuas mãos e espero pela tua salvação”. Amém.

Sem. Weverson  Almeida Santos
                                                                                                             4° ano de teologia 

O ANO LITÚRGICO IV

      Estou apresentando o Ano Litúrgico, isto é, refletindo a respeito de como nós cristãos da Igreja católica celebramos o Mistério de Cristo, sua presença em nossa história, no decorrer do tempo.
      Desde o início de sua caminhada, a Igreja celebra a memória viva do sacrifício do Senhor, de modo especial com a celebração da divina Eucaristia e a oração que, seguindo o costume hebraico, visa santificar o tempo; oração que chamamos de liturgia das horas.
      O Ano litúrgico é celebrado com diferentes ritmos: o ritmo diário: Cada dia é santificado pelas celebra­ções litúrgicas do povo de Deus, principalmente pelo Sacrifício eucarístico e pelo Ofí­cio divino. O dia litúrgico começa à meia-noite e se estende até à meia noite seguinte. Mas a celebração do domingo já começa na tarde do dia anterior: assim se lê nas Normas Universais sobre Ano Litúrgico e o Calendário (NUALC 3: 1969).
      Tem o ritmo semanal: No primeiro dia de cada semana, chamado Dia do Senhor ou Do­mingo, a Igreja, segundo uma tradição apostólica que tem suas origens no próprio dia da ressurreição de Cristo, celebra o Mistério pascal (NUALC 3).
      A semana já é conhecida no mundo bíblico (vejam o relato da criação) e se afirma com a instituição do sabat ou dia de descanso absoluto (cf. Ex 20,10s), mas é conhecida também no mundo greco-romano, relacionada com os sete astros conhecidos até o III séc. a. C.: Saturno, Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter e Vênus. No cristianismo acontece uma combinação das duas maneiras de viver a semana: a planetária e a judaica, começando a semana com o do­mingo, “festa primordial”, primeiro dia da semana (cf. At 20,7-12), dies dominica (cf. Ap 1,10), denominando os outros dias como os judeus: segundo dia, terceiro dia
      A semana cristã sempre foi construída em torno do domingo; aos poucos re­ceberam relevo especial as férias IV e VI que se tornarão dias litúrgicos - com a celebração da euca­ristia - a partir do V séc. No VI século a eucaristia é celebrada a todo dia durante a Quaresma; somente a partir da Idade Média a Eucaristia é celebrada diariamente o ano todo.
      Temos, enfim o ritmo anual. Os dois pólos ao redor dos quais se forma o Ano Litúrgico são a Páscoa e o Natal. Estes, com o Tempo Comum ou durante o ano, formam o Próprio do Tempo. Acrescenta-se o Santoral, isto é, as memórias e festas de Maria, Mãe do Senhor e dos Santos, em dias fixos.
      Na história destaque especial teve a celebração das Quatro Têmpo­ras ou dias de penitência prescritos para o começo das quatro estações do ano, provavel­mente relacionadas com as festas rituais pagãs da ceifa, da vindima e da semeadura.
     Com estas anotações gerais agora podemos compreender e viver melhor o Domingo e o Ano Litúrgico em geral e ver como torná-lo mais eficaz na vida pastoral.
Dom Armando


quarta-feira, 16 de abril de 2014

PARABÉNS DOM ARMANDO, PELOS 10 ANOS DE PRESENÇA E PASTOREIO EM NOSSA DIOCESE!

      Hoje, dia 17 de abril, comemoramos os 10 anos de ordenação episcopal do nosso bispo Dom Armando Bucciol. Dom Armando Nasceu em Villanova de Motta de Livenza (Província de Treviso – Itália), aos 03 de julho de 1946, filho de Antônio Bucciol e de Antônia Rosolen. Seu Bispo era Dom Albino Luciani, o futuro Papa João Paulo I. Foi ordenado sacerdote aos 12 de setembro de 1971, na Diocese de Vittorio Véneto. Doutorou-se em Sagrada Liturgia, com especialização em Liturgia Pastoral (dissertação: Liturgia e Caridade em Antônio Rosmini). Participou do curso de preparação para missionários CUM em Verona (Itália) e de inculturação no CENFI, em Brasília. No dia 21 de janeiro de 2004 foi eleito Bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora pelo Papa João Paulo II. Em 17 de abril de 2004, na cidade de Guanambi BA, foi ordenado pelo então Arcebispo de Mariana – MG, Dom Luciano Mendes de Almeida, SJ e tendo por consagrantes o então Arcebispo de Vitória da Conquista, Dom Geraldo Lírio Rocha e o Bispo de Concordia – Pordenone – Itália – Dom Ovídio Poletto. Tomou posse como 2º Bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora no dia 18 de abril de 2004. Seu lema no episcopado é: Charitas Christi Urget nos = “O amor de Cristo nos impulsiona” (2Cor 5,14).  VEJA MAIS FOTOS!
      Desde quando chegou à Diocese, Dom Armando procurou estruturar o seu projeto pastoral sob o tripé: Organização – Formação - Evangelização. Nesse sentido trabalhou, incansavelmente, mobilizando padres, leigos, religiosos e todo o povo de Deus a esse fim. Em nome de todos os diocesanos, queremos agradecer a Dom Armando pela maneira acolhedora, dedicada e zelosa com que tem conduzido a Diocese ao longo desses 10 anos, e desejar que ele continue caminhando conosco, animando-nos com sua força e coragem de pastor. Para fazermos memória, apresentamos o vídeo feito por ocasião da celebração dos 40 anos da Diocese, comemorados na última Assembleia Diocesana. O vídeo apresenta apenas alguns acontecimentos e ações realizados até o ano de 2011. Posteriormente, faremos um vídeo mais atualizado, relembrando a caminhada. Veja o VIDEO! Curta! Compartilhe!

CELEBRAÇÃO DA CEIA DO SENHOR

LEITURAS:
Ex 12, 1-8.11-14
Salmo 115 (116B)
1Cor 11, 23-26
Jo 13, 1-15
      Iniciando as celebrações do tríduo pascal, fazemos memória da última ceia do Senhor quando Ele institui a Eucaristia e deixa-nos o sublime exemplo do “lava-pés”. A Liturgia da Palavra, de um modo geral, traz ou menciona o cenário da ceia. Fazer refeição na Bíblia é algo muito significativo: expressa comunhão, amizade, acolhida. Mas os textos dessa celebração nos remetem a um sentido mais profundo.
      Na primeira leitura, do livro do Êxodo, a refeição anunciada além símbolo da união de Deus para com seu povo, se tornará memorial da aliança de salvação, da passagem da casa da escravidão para a casa da liberdade. A ceia pascal se tornará memória desse momento crucial na fé do povo de Israel.
      O evangelista João também narra uma ceia. Jesus faz refeição com os discípulos. Como na primeira leitura, essa ceia antecede a entrega de Cristo na cruz, a páscoa da nova aliança instaurada pelo Seu sangue. Porém, São João nos apresenta um elemento novo: Jesus lava os pés dos discípulos após a ceia.
      Temos aí um gesto sublime e de grande significado. No Antigo Testamento, lavar os pés é sinal de acolhida, de hospitalidade (Cf. Gn 18, 3-4) e era, costumeiramente, atividade dos servos, dos empregados. Sabendo os desígnios do Pai e desejando ser fiel até o fim, Jesus assume livremente a condição de servo que, como lemos em Isaías, é aquele que carrega as dores e sofrimentos mas permanece fiel e confiante na salvação que vem de Deus.
      Assim compreendemos a vida e a missão de Jesus. Sendo Deus, ele se faz servo fiel e obediente, mesmo quando a sua fidelidade implica o sofrimento e a morte. Ele realiza o desígnio de Deus, mostrando à humanidade que é preciso viver a fidelidade ao caminho da vida, rompendo com as estruturas de morte. A vida verdadeira – a vida nova – se constrói quando somos capazes de nos abrir a um caminho de fé e de liberdade que a Palavra de Deus nos proporciona, mesmo quando o mundo ao nosso redor nos empurra a outros caminhos ou busca roubar nosso ânimo, tirar nossa vida.
      Jesus é, portanto, aquele que assume o serviço e acolhe com amor. Porém, mais do que um gesto, Jesus deixa um exemplo e uma missão para os discípulos e para a Igreja. Nós devemos agir como ele agiu. É nossa missão buscar sermos servos atentos e fieis à Palavra de Deus e saber aproximar-nos dos que nos cercam acolhendo com amor e nos disponibilizando ao serviço. Por isso nossa comunidade, olhando para esse gesto de Cristo, precisa reconhecer a necessidade de se fazer servidora ouvindo o seu Senhor e realizando o serviço do amor e da acolhida.
      A Eucaristia nos orienta nesse sentido. Ela é instituída num cenário de amor e serviço e é expressão desse mesmo amor-doação. O pão e o vinho partilhados na ceia eucarística são memorial vivo e verdadeiro dessa presença de Cristo na nossa comunidade. Presença que nos enriquece e que nos convoca a ser no mundo servos fieis e comprometidos. “Todas as vezes que comemos desse pão e bebemos desse cálice proclamamos a morte do Senhor”, lembramos de sua entrega, de sua fidelidade e de seu inclinar-se a nós para que Nele tenhamos a vida.
      Que a celebração do lava-pés nos faça reconhecer em Cristo aquele que serve e que ama. Aquele que, sabendo que a verdadeira vida encontra-se nas trilhas do serviço e da caridade, convida sua Igreja – cada um de nós! – a adentrar nesse itinerário. Que a Eucaristia que celebramos nos faça reviver esse mistério, a fim de que todas as vezes que a celebrarmos, comungando do Corpo e do Sangue de Cristo, nos recordemos do seu ato redentor e busquemos força para sermos, como Ele, em tudo fieis a Deus.

Jandir Silva
2° ano de teologia