domingo, 23 de novembro de 2014

CPD 2014.2 – Encontro do Conselho reflete sobre a Caminhada Eclesial da Diocese

Entre os dias 21 e 23 de Novembro, no Centro Diocesano em Livramento, esteve reunido o Conselho Pastoral Diocesano (CPD), que, guiado, sobretudo pelo estudo do Documento 100 da CNBB, “Comunidade de Comunidade: uma nova Paróquia - a conversão Pastoral da Paróquia”; refletiu, avaliou, e planejou a Caminhada de nossa Igreja.
Ainda, dentro deste encontro, avaliou-se o “Projeto de Iniciação a Vida Cristã”, que há cinco anos marca o ritmo de nossas atividades, e lançou-se as propostas do novo Projeto “DEUS – PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO”, que marcará, a partir do próximo ano, a preparação rumo ao Jubileu de Ouro, em 2017. A Cada ano se refletirá sobre uma Pessoa da Santíssima Trindade, e, como no último projeto, as Festas de Padroeiros serão momentos privilegiados para o aprofundamento das temáticas gerais, através de um roteiro que a Diocese, em seu bispo, Dom Armando, preparou, e que em breve estará disponível a todos.
Os Conselheiros participaram, dentro da programação, da Missa na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, dia que marca o protagonismo dos Leigos na caminhada da Igreja, desde o Concílio Vaticano II, do qual comemoramos o cinquentenário. Na ocasião, os representantes de toda diocese, rezaram por D. Hélio Pascoal, primeiro bispo da Diocese, que completa (dia 22) 09 anos de Falecimento.
Sempre mais com a consciência amadurecida, todos os presentes, foram motivados, pelo Espírito Santo de Deus, a tornarem-se, e ajudarem a que todos sejam, uma Igreja viva, atuante e em saída.

PASCOM diocesana

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

LEITURAS:
Ez 34,11-12.15-17
Salmo: Sl 22 (23)
1Cor 15,20-26.28
Mt 25,31-46
Caríssimos,
Hoje – último domingo do ano litúrgico – louvamos ao Pai pelo dom inefável de termos Jesus Cristo como nosso verdadeiro Rei. Ele é Senhor do universo! Nossa ação litúrgica, à luz das leituras que ouvimos, torna-se um convite a compreendermos melhor o reinado de Jesus, pensando como ele tem se feito presente em nossa caminhada.
Ezequiel, na primeira leitura, nos recorda a promessa de um verdadeiro rei para Israel. Deus promete enviar um rei que seja um pastor que cuida, não um pastor que explora. Jesus cumpre a missão desse pastor prometido por Deus, como Ele mesmo afirmou (Jo 10, 11). Por isso, invocar Jesus como Rei não significa tornar-nos escravos, perder nossa liberdade. Como rei autêntico, Jesus resgata a nossa vida, cuida de nós e nos conduz à verdadeira vida e à verdadeira liberdade.
É isso que nos ensina Paulo na carta aos Coríntios. No texto que ouvimos na segunda leitura, Cristo é primícias. Ele é o primeiro a vencer a morte e manifestar a ressurreição, não para se engrandecer ou nos condenar, mas para conduzir-nos como Igreja a esse mesmo destino. Em Cristo todos reviverão! Contudo, é preciso confiar e se colocar no caminho desse reinado, descobrindo as exigências e as alegrias que ele nos propõe.
Essas exigências e alegrias são descritas no evangelho. Mateus no seu discurso escatológico deixa bem claro que a justiça e o cuidado com os pequeninos são expressão da nossa pertença e fidelidade a Cristo. Com nossas ações fazemos a escolha pelo reinado de Jesus que se tornará pleno na parusia. No fim dos tempos, quem seguiu a justiça permanecerá com Cristo; mas quem desprezou a justiça, desprezou e distanciou-se do próprio Deus e não poderá ficar na sua presença. Quem está com Cristo, quem o serve nos pobres e excluídos aderindo ao seu reinado, encontrará a verdadeira liberdade e a verdadeira vida.
Por isso iniciamos essa liturgia pedindo a Deus “que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo a vossa majestade, vos glorifiquem eternamente”. Queremos ser súditos conscientes e fiéis de Jesus Cristo. Somente nele está a liberdade. Somente nele está a vida. Ligados a Jesus, Rei-pastor, pelo serviço aos pobres e injustiçados, gozaremos da presença amorosa de Deus na eternidade.
Assim, chegando ao fim do ano litúrgico, examinemos nossa caminhada de fé: vejo em Jesus um rei-pastor que cuida e liberta? Ponho-me no seguimento ao reinado de Jesus? Ele tem sido meu Rei ou ainda estou preso a outros ídolos? No próximo domingo iniciaremos um novo ano litúrgico. Com ele, inicia-se de novo o convite à vigilância, à busca do arrependimento e da mudança de vida para um autêntico encontro com Jesus Cristo. Que sejamos capazes de vencer todos os ídolos, todos os obstáculos que nos distanciam do reinado de Deus, e encontremos em Cristo a autêntica experiência de vida e liberdade, servindo-o constantemente, com o coração e com a nossa vida.

Jandir Silva

2° ano teologia

DIA NACIONAL DO CRISTÃO LEIGO E LEIGA

Na “Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo”, celebramos, a cada ano, o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas.
Até a década de sessenta do século passado, nesta solenidade, a Ação Católica promovia a festa dos leigos com confraternizações, encontros, celebrações e, principalmente, renovação das promessas batismais.
O Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB, em sua X Assembleia Geral, em 1991, decidiu celebrar essa data comemorativa em continuidade com que fazia a Ação Católica, na perspectiva da participação dos leigos e leigas na construção do Reino. Portanto, de 1991 para cá, a Igreja do Brasil vem celebrando esse dia com reflexão, celebrações e confraternização nos regionais, dioceses, paróquias, movimentos, associações laicais e comunidades.
Neste ano, tendo como referência o Documento Estudos da CNBB, 107 – “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo”, e a vivência celebrativa dos 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II, temos refletido sobre a vocação laical e o nosso papel fundamental como membros do Povo de Deus e protagonistas da evangelização e da promoção humana.
A vocação do leigo e da leiga é sal que dá sabor, é fermento que faz crescer a massa e soma “com todos os cidadãos de boa vontade, na construção da cidadania para todos”. (CNBB, 107 n. 58)
Como sujeito eclesial ativo na vida pessoal, nos trabalhos e nas lutas do dia-a-dia, com uma identidade própria e exercendo-a em toda sua grandeza, o leigo e a leiga assumem sua missão sem limites e sem fronteiras, como “Igreja em saída”, desenvolvendo sua vocação no “mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos meios de comunicação social e ainda, outras realidades abertas para a evangelização como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento.” (EN, 70)
Como sujeitos eclesiais, participam ativamente da vida da IGREJA, sendo testemunhas fiéis de Cristo Rei, cumprindo a missão no MUNDO, como homens e mulheres construtores do REINO.
Feliz dia do leigo e da leiga!
Marilza José Lopes Schuina
Presidenta do CNLB
FONTE: www.cnbb.org.br

DISCURSO DO PAPA À CONFERÊNCIA DA FAO SOBRE NUTRIÇÃO

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores,
Com sentimento de respeito e apreço, apresento-me hoje aqui, na Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição. Agradeço-lhe, senhor Presidente, a calorosa acolhida e as palavras de boas-vindas que me dirigiu. Saúdo cordialmente o Diretor-Geral da FAO, o Prof. José Graziano da Silva, e a Diretora-Geral da OMS, a Dra. Margaret Chan, e alegra-me a sua decisão de reunir nesta Conferência representantes de Estados, instituições internacionais, organizações da sociedade civil, do mundo da agricultura e do setor privado, com a finalidade de estudar juntos as formas de intervenção para garantir a nutrição, assim como as mudanças necessárias que devem ser acrescentadas às estratégias atuais. A total unidade de propósitos e de obras, mas, sobretudo, o espírito de fraternidade, podem ser decisivos para soluções adequadas. A Igreja, como vocês sabem, sempre procura estar atenta e solícita em relação a tudo o que se refere ao bem-estar espiritual e material das pessoas, primeiramente das que vivem marginalizadas e estão excluídas, para que sua segurança e dignidade sejam garantidas.
1. Os destinos de cada nação estão mais do que nunca entrelaçados entre si, como os membros de uma mesma família, que dependem uns dos outros. Porém, vivemos numa época em que as relações entre as nações estão demasiadas danificadas pela suspeita recíproca, que às vezes se converte em formas de agressão bélica e econômica, mina a amizade entre irmãos e rechaça ou descarta quem já está excluído. Conhece bem esta realidade quem carece do pão cotidiano e de um trabalho decente. Esta é a situação do mundo, em que é preciso reconhecer os limites de visões baseadas na soberania de cada um dos Estados, entendida como absoluta, e nos interesses nacionais, condicionados frequentemente por poucos grupos de poder. Isso está bem explicitado na leitura da agenda de trabalho dos senhores, para elaborar novas normas e maiores compromissos para alimentar o mundo. Nesta perspectiva, espero que, na formulação desses compromissos, os Estados se inspirem na convicção de que o direito à alimentação só será garantido se nos preocuparmos com o sujeito real, ou seja, com a pessoa que sofre os efeitos da fome e da desnutrição.
Hoje em dia se fala muito em direitos, esquecendo com frequência os deveres; talvez nos preocupemos muito pouco com os que passam fome. Além disso, dói constatar que a luta contra a fome e a desnutrição é dificultada pela «prioridade do mercado» e pela «preeminência da ganância», que reduziram os alimentos a uma mercadoria qualquer, sujeita à especulação, inclusive financeira. E enquanto se fala de novos direitos, o faminto está aí, na esquina da rua, e pede um documento de identidade, ser considerado em sua condição, receber uma alimentação de base saudável. Pede-nos dignidade, não esmola.
2. Estes critérios não podem permanecer no limbo da teoria. Pessoas e povos exigem que a justiça seja colocada em prática; não apenas a justiça legal, mas também a contributiva e a distributiva. Por isso, os planos de desenvolvimento e de trabalho das organizações internacionais deveriam levar em consideração o desejo, tão comum em meio às pessoas comuns, de ver que se respeitam em todas as circunstâncias, os direitos fundamentais da pessoa humana e, no nosso caso, da pessoa faminta. Quando isso acontecer, as intervenções humanitárias, as operações urgentes de ajuda ou de desenvolvimento – verdadeiro e integral – terão maior impulso e darão os frutos desejados.
3. O interesse pela produção, a disponibilidade de alimentos e o acesso a eles, as mudanças climáticas, o comércio agrícola, devem certamente inspirar regras e medidas técnicas, mas a primeira preocupação deve ser a própria pessoa, aquelas que carecem de alimento cotidiano e que deixaram de pensar na vida, nas relações familiares e sociais e lutam apenas pela sobrevivência. O Santo Papa João Paulo II, na inauguração desta sala na Primeira Conferência sobre Nutrição, em 1992, alertou a comunidade internacional para o risco do “paradoxo da abundância”: existe comida para todos, mas nem todos podem comer, enquanto o desperdício, o descarte, o consumo excessivo e o uso de alimentos para outros fins estão sob nossos olhos. Infelizmente, este “paradoxo” continua sendo atual. Poucos temas apresentam tantos sofismas como os que se relacionam à fome; e poucos assuntos são tão suscetíveis de ser manipulados por dados, estatísticas, exigências de segurança nacional, a corrupção ou lamentos melancólicos sobre a crise econômica. Este é o primeiro desafio a ser superado.
O segundo desafio que se deve enfrentar é a falta de solidariedade. Nossas sociedades se caracterizam por um crescente individualismo e pela fragmentação; isto termina privando os mais frágeis de uma vida digna e provocando revoltas contra as instituições. Quando falta a solidariedade em um país, todos ressentem. Com efeito, a solidariedade é a atitude que torna as pessoas capazes de ir ao encontro do próximo e fundar suas relações mútuas neste sentimento de fraternidade que vai além das diferenças e dos limites, e encoraja a procurarmos, juntos, o bem comum.
Se tomassem consciência de ser parte responsável do desígnio da Criação, os seres humanos seriam capazes de se respeitar reciprocamente, ao invés de combater entre si, danificando e empobrecendo o planeta. Também os Estados, concebidos como uma comunidade de pessoas e de povos, se fossem exortados a atuar de comum acordo, estariam dispostos a ajudar-se uns aos outros, mediante princípios e normas que o direito internacional coloca à sua disposição. Uma fonte inesgotável de inspiração é a lei natural, inscrita no coração humano, que fala uma linguagem que todos podem entender: amor, justiça, paz, elementos inseparáveis entre si. Como as pessoas, também os Estados e as instituições internacionais são chamadas a acolher e cultivar estes valores, no espírito de diálogo e escuta recíproca. Deste modo, o objetivo de nutrir a família humana se torna factível.
4. Cada mulher, homem, criança, idoso, deve poder contar em todas as partes com estas garantias. E é dever de todo Estado, atento ao bem-estar de seus cidadãos, subscrevê-las sem reservas, e preocupar-se com a sua aplicação. Isto requer perseverança e apoio. A Igreja Católica procura oferecer também neste campo sua contribuição, através de uma atenção constante à vida dos pobres em todos os lugares do planeta; nesta mesma linha se insere o envolvimento ativo da Santa Sé nas organizações internacionais e com seus múltiplos documentos e declarações. Pretende-se deste modo contribuir para identificar e assumir os critérios que o desenvolvimento de um sistema internacional equânime deve cumprir. São critérios que, no plano ético, se baseiam em pilares como a verdade, a liberdade, a justiça e a solidariedade; ao mesmo tempo, no campo jurídico, estes mesmos critérios incluem a relação entre o direito à alimentação e o direito à vida e a uma existência digna, o direito a ser protegidos pela lei, nem sempre próxima à realidade de quem passa fome, e a obrigação moral de partilhar a riqueza econômica do mundo.
Se se crê no princípio da unidade da família humana, fundado na paternidade de Deus Criador, e na fraternidade dos seres humanos, nenhuma forma de pressão política ou econômica que se sirva da disponibilidade de alimentos pode ser aceitável. Mas, acima de tudo, nenhum sistema de discriminação, de fato ou de direito, vinculado à capacidade de acesso ao mercado dos alimentos, deve ser tomado como modelo das ações internacionais que se propõem a eliminar a fome.
Ao compartilhar estas reflexões com os senhores, peço ao Todo Poderoso, ao Deus rico em misericórdia, que abençoe todos aqueles que, com diferentes responsabilidades, se colocam a serviço dos que passam fome e sabem atendê-los com gestos concretos de proximidade. Peço também para que a comunidade internacional saiba escutar o chamado desta Conferência e o considere uma expressão da comum consciência da humanidade: dar de comer aos famintos para salvar a vida no planeta. Obrigado.

(SEDE DA FAO – ROMA, 20 DE NOVEMBRO DE 2014)


FONTE: www.vatican.va

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

CNBB DIVULGA NOTA "BRASIL PÓS-ELEIÇÕES: COMPROMISSOS E DESAFIOS"

Brasília, 19 de novembro de 2014
P. N. 0914/14

Brasil pós-eleições: compromissos e desafios

O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília nos dias 18 e 19 de novembro de 2014, saúda a nação brasileira pela democracia e cidadania vivenciadas nas eleições de outubro deste ano. Cumprimenta a todos que participaram do processo eleitoral e os eleitos. Recorda-lhes a responsabilidade colocada sobre seus ombros de não frustrar as expectativas de quem os elegeu e seu compromisso com a ética, a verdade e a transparência no exercício de seu mandato, bem como o dever de servir a todo o povo brasileiro.
A campanha eleitoral deste ano ratificou o processo democrático brasileiro no qual partidos, candidatos e eleitores puderam debater suas ideias e projetos. Tornou mais visíveis, no entanto, graves fragilidades de nosso sistema político:  sua submissão ao poder econômico financiador das campanhas; o descompromisso de partidos e candidatos com programas, favorecendo debates com ataques pessoais; a prevalência da imagem dos candidatos produzida pelos marqueteiros; o desrespeito, em alguns casos, às leis que combatem a corrupção eleitoral.
Passadas as eleições, urge ao País recompor sua unidade no respeito às diferenças e à pluralidade, próprias da democracia. Nada justifica a disseminação de uma divisão ou de ódio que depõe contra a busca do bem comum, finalidade principal da Política. O bem de todos coloca a pessoa humana e sua dignidade acima de ideologias e partidos.
A construção do bem comum desafia, especialmente, os eleitos em outubro deste ano. A corrupção na Petrobras reforça a sensação de que é um mal que não tem fim. Vemos aqui, claramente, as consequências do financiamento de campanhas por empresas, porta e janela de entrada da corrupção. Nenhum país prospera com corrupção que, no caso do Brasil, lamentavelmente já vem de muitos anos e não se limita à Petrobras.
A reforma política é outra urgência inadiável. Convicta disso, a CNBB se empenhará ainda mais na coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular proposto pela Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas. À reforma política, entretanto, é necessário unir outras reformas igualmente urgentes como a tributária e a agrária. O Brasil não pode mais conviver com tanta omissão em relação a estas e outras matérias que lhe são vitais.
“A política, tão desacreditada, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum” (Papa Francisco. Evangelii Gaudium, n.205). Nesse espírito, a CNBB reafirma que a sua participação na vida Política é tão importante quanto necessária para ajudar na construção de uma sociedade justa e fraterna. Afinal, “ninguém pode exigir-nos que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos. Uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela” (Papa Francisco. Evangelii Gaudium, n.183).


Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice Presidente da CNBB
                                                               Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

FONTE:http: cnbb.org.br

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A PASTORAL LITÚRGICA - II

2. As Equipes de celebração[1]
Depois de ter visto a identidade e as tarefas da Equipe de Pastoral litúrgica na vida de uma Paróquia, vamos agora considerar a identidade e atuação daquelas que chamamos de Equipes de celebração. Estas são encarregadas diretamente das celebrações da Palavra de Deus, da Eucaristia (missas), do Batismo, do Matrimonio, das Exéquias e das Bênçãos nas paróquias e comicidades. Destas equipes fazem parte, especialmente, Leitores, Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística, recepcionistas, salmistas, cantores e instrumentistas, anima­dores, comentaristas e ministros que presidem.
Tarefas da Equipe de celebração
A equipe de celebração tem como tarefas:
      preparar, com certa antecedência, as celebrações, de forma criativa, simples, alegre, acolhedora, participativa e adaptada à cultura e à experiência religiosa da comunidade;
      organizar o espaço celebrativo de modo agradável, acolhedor e orante;
      preparar tudo o que for necessário para uma deter­minada celebração;
      prever os diferentes elementos e momentos da cele­bração, tendo em vista a integração entre o mistério celebrado e a vida das pessoas;
      escolher os cânticos e hinos levando em conta os mo­mentos da celebração, o tempo litúrgico e a experiên­cia da comunidade;
      distribuir correponsavelmente as diversas funções e serviços;
      preparar-se técnica e espiritualmente para o desem­penho competente das funções litúrgicas, tendo em vista a participação ativa da assembleia, definido também expressões e gestos simbólicos;
      avaliar, periodicamente, a prática celebrativa à luz da vida da Comunidade eclesial e da vida como um todo, isto é, enraizada na realidade do bairro, da cidade ou do meio rural. A liturgia deverá ser sensível às condições do povo[2].
Pede-se às Equipes de celebração evitar o uso de folhetos li­túrgicos. A atenção de todos deve estar centrada no altar, no ambão e na ação de quem preside ou anima a celebração. A proclamação da Palavra de Deus, das Orações Eucarísticas e das outras Orações deve ser acompanhada, ouvida e vivenciada com o olhar e o coração voltados para as pessoas que exercem em nome de Cristo o ministério litúrgico. Como povo sacerdotal não somos leitores de folhetos, mas atores da liturgia.
Concluíndo...
 Depois de ter apresentado qual é a identidade e as tarefas das duas expressões da vida litúrgica de uma Paróquia e suas Comunidades, vamos ver o que está acontecendo em nossa realidade.
Em geral, reconheço que existem grupos de pessoas que atuam e, em geral de forma boa ou discreta na realização da liturgia de nossas Comunidades. Mas... bem raras são as Equipes de Pasrtoral litúrgica que atuam do jeito que a Igreja propõe. Você que participa de alguma pastoral e de vez em quando anima a liturgia em sua Comunidade, que tal reunir com os demais membros e ver a possibilidade de dar passos para amadurecer no ‘estilo’ de uma verdadeira Pastoral litúrgica? Com certeza, aos poucos, todas as equipes vão se beneficiar e, ainda mais, a vida cristã em geral e a dimensão litúrgica da Paróquia vai melhorar.
Se alguém ou alguma Equipe conseguir, conte-nos a sua experiência. Com certeza vai estimular e favorecer o crescimento de todos. Desde já agradeço.
Dom Armando



[1] Cf. CNBB. Animação da Vida Litúrgica no Brasil. (Documento 43), n. 217.
[2] Cf. Ibidem, n. 194.

ENCONTROS PELA DIOCESE

A Escola de Teologia para Leigos da nossa Diocese realizou nos dias 14, 15 e 16 de novembro, a 5ª e última etapa deste ano. Os três dias da etapa, que começou às 8 horas da manhã do dia 14 e terminou ao meio-dia do dia 16, foram intensos quanto aos trabalhos, uma vez que as atividades das disciplinas foram encerradas. Ainda assim, era possível perceber a animação e o empenho dos alunos, que participaram, criando um ambiente de amizade, alegria, oração e serenidade, tanto nas aulas, quanto nos momentos de celebrações e mesmo nos instantes de convivência. VEJA MAIS FOTOS!  

VEJA TAMBÉM DUAS MENSAGENS DE ALUNOS DO CURSO!
ETEL - 2014...!!
“Hoje nos despedimos...(16/11) Por vários anos passamos por dificuldades, inseguranças, erros, acertos, vitórias e alegrias. Chegamos ao final com a certeza do dever cumprido. Durante todo esse tempo fomos colegas, amigos e até irmãos, choramos e sorrimos muitas vezes juntos e isso nos fez pessoas diferentes. Diferentes porque o riso e a lágrima têm a capacidade de unir pessoas e ao nos separarmos levamos um pouco um do outro e deixamos um pouco de nós. Colegas, muitas lutas nos esperam! Mas tenhamos sempre em nós essa Força, Perseverança e Fé que nos trouxe até aqui e que agora nos leva a seguir caminhos diferentes. A saudade de todos e a esperança de um breve reencontro estarão sempre em nossos corações.” (Giany Figueiredo)

“O 4º ano chegou, maior correria... Nossa só em pensar na despedida, aperta o coração! Tudo que vivemos, os amigos que conquistamos, até os que ñ estão mais conosco, ficou marcado em nossas mentes. Hora de tirar fotos, a apresentação do trabalhos, avaliação e ultima aula vem aí a Formatura... ufa, quase “morremos”! Porém valeu, superamos as dificuldades, vencemos a barreira do medo. Concluímos os estudos e aprofundamos nossa fé!. Parabéns aos 27 alunos da EteL 2011-2014. Beijos nos corações de cada um de vocês e que venha a apresentação da Monografia e a nossa Formatura...” (Fernando Silva)






Veja também, algumasfotos, do encontro com crismandos -  Paróquia de São Paulo Apóstolo de Novo Horizonte!


















Veja ainda - Fotos do DNJ 2014 na Cidade de Livramento de Nossa Senhora, no Ginásio de Esportes no domingo, dia 16/11. Participaram do evento, vários jovens do Vicariato Nossa Senhora do Livramento e também  de outras paróquias da diocese. Segundo o jovem Fernando Silva, foi um dia maravilhoso, dia de “Reflexão, Curtição, Determinação, Oração, Liberdade e Chuva, muita Chuva!” VEJA MAIS FOTOS!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

A VERDADE ENCARNADA

O homem percebe que algo o precede e algo o ultrapassa e este algo não é a história, ou as gerações, mas o próprio fundamento. Com este fundamento identifica-se a verdade. Esta, dentro da lógica humana, para permanecer inacessível deveria resumir-se a uma configuração lógica e ontológica. No entanto, a teologia cristã identifica-a com uma pessoa: Deus. Este supera uma configuração conceitual, ou uma emanação que ao mesmo que cria e sustenta distancia em um aspecto fundamental: Ele se relaciona com o homem, comunica-se a ele e mais se faz um de nós.
Realmente, é difícil admitir que nem sempre o que extrapola a razão é irracional. De igual modo, é conflitante o fato de a racionalização de tudo resultar no irracionalismo. Conceber algo assim, parece ilógico, mas como diz Pascal: “Conhecemos a verdade não apenas pela razão, mas também pelo coração. É desta última maneira que conhecemos os primeiros princípios, e é em vão que o raciocínio, que não toma parte nisso, tenta combatê-los”.1 E vai mais longe: “Nem a contradição é a marca da falsidade, nem a não-contradição é a marca da verdade”.2 É difícil entender que a Verdade (Deus) manifestou-se ao e no paradoxo (homem), mas justamente nisto está toda beleza e consolação da fé.
E possível, no entanto, afirmar que a Verdade, depreendida e buscada no pensamento histórico, nas mais diversas especulações, sérias ou não, científicas ou não, identifica-se com o Deus cristão, revelado em Jesus, na medida em que não pode haver duas verdades distintas e independentes, nem mesmo dois princípios. Mas o modo de conhecê-lo é que diverge a compreensão, algo perfeitamente possível no paradoxo humano. A fé cristã diferencia-se ainda mais das outras concepções porque compreende o necessário despojamento de Deus para alcançar o homem. A resposta que Ele nos traz implica, porém supera, um conceito externo, pois ao revelar-se responde não só sobre si mesmo, mas sobre o homem todo de modo que a sua vida tenha, daí então, sentido e ele alcance a verdade por alcançar a medida de si mesmo descobrindo que a sua transcendência é uma constante busca que o inclina para o eterno e a comunhão. Este é o modo pelo qual a razão se desata do perigo da esterilidade e se torna pronta para agir.
Mesmo o mais cético afirma uma verdade da qual não pode se eximir que para ele é fundamental. O mais ateu, mesmo que não concorde, possui uma ideia de Deus, porém não a identifica com nenhuma realidade divina que se lhe apresenta. Neste ponto não serão silogismo bem elaborados que modificarão tais posições. A força e a fraqueza da Verdade, anunciada pelos cristãos, está no testemunho. A Verdade tornou-se concreta, palpável e com podemos dialogar e nos enriquecer. Justamente por ultrapassar o conceito sua expressão só se evidencia no testemunho, que permanece no tempo depois de tantas ruínas no mundo e contradições credenciais. Na maioria dos temas inverificável empiricamente a Verdade, que é Cristo, permanece como algo vivido experiencialmente e “carrega a riqueza humana da confiança, do amor e da doação de si mesmo”. (CÂNDIDO, 2014, p. 18).
A verdade de Cristo comporta a contradição do homem, na justiça e na misericórdia. Suas respostas permanecem atuais porque evidencia fundamentos que ultrapassam o que expressam e tratam da vida na sua concretude, nas situações comuns e extraordinárias inerentes ao ser humano. A sua garantia evidencia-se na distinção da vocação cristã que é a doação que chega ao ponto de entregar a vida pelo Cristo, mas nunca matar por ele e encontra nele a Verdade pela qual se move todo o ser para a Ela se transformar.


REFERÊNCIAS:
CÂNDIDO, José. Curso de Teologia Fundamental. Belo Horizonte: pró-manuscrito (uso interno), 2014.
PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo: Martins Fontes, 2005.


Adriano Bonfim
1º Teologia