Leituras:
At 2,14a.36-41
Sl
22,1-3a.3b-4.5.6 (R.1)
1Pd 2,20b-25
Jo 10,1-10
A liturgia
deste domingo nos traz a riqueza da imagem do “bom pastor” para identificar o
nosso Senhor Jesus Cristo e a imagem das “ovelhas” para identificar os seus
seguidores.
Chama a atenção para o dimensão do
ouvir nas leituras. O escritor sagrado diz na 1ª leitura “os que acolheram sua palavra receberam o batismo”. A palavra
referida é a que Pedro dirige aos judeus no Pentecostes chamando-os a
reconhecer Jesus como Senhor e Cristo e aderindo a ele pelo batismo. Ampliando
a compreensão desta adesão a 1ª carta de Pedro escreve: para isso fostes chamados, a serem obedientes e fieis, a exemplo de
Cristo, mesmo diante de oposições e sofrimentos a exemplo de Cristo.
O evangelista conclui afirmando que somente
as ovelhas que ouvem a voz do bom pastor, são suas. Por isso mesmo o apóstolo
Paulo escreve que “a fé vem pelo ouvido”
(Rm 10, 17). O ouvir a Deus é algo fundamental para a fé desde o núcleo
fundamental da eleição do povo de Deus: “Ouve
ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6,4). Este ouvir não é
um simples reconhecimento, mas um escutar que atentamente atende a voz que o
chama e que o guia.
As leituras demonstram porque ouvir
a Jesus é a única opção que realmente trará vida. No Antigo Testamento se ouvia
a Deus porque ele era o único Senhor verdadeiro e porque cuidava
verdadeiramente de seu povo. Vemos na 1ª leitura que Deus entronizou Jesus como
Senhor e Cristo. No evangelho Jesus é o único que vigia e cuida do rebanho.
Então, para sermos ovelhas do rebanho de Deus, devemos ouvir a Jesus, Senhor e
Pastor. Isto fica mais evidente nas palavras do salmista sintetizando o
senhorio de Deus com o seu zelo pelo povo, características agora atribuídas a
Cristo: “O Senhor é o meu pastor: não me
falta coisa alguma” Sl 22.
Portanto Jesus é o Senhor e pastor
verdadeiro, porque é bom e capaz de nos dar a vida. O evangelho aprofunda ainda
mais esta realidade. As ovelhas que ouvem Jesus, bom pastor, e entram por ele
(eu sou a porta das ovelhas) são conduzidas para fora, isto é, são libertas;
podem entrar e sair, ou seja, encontram segurança e ainda encontraram pastagem,
a qual podemos identificar com a fonte da vida para as ovelhas. Vemos então que
só em Jesus e por Jesus que encontramos vida, liberdade e segurança. Por ele,
os filhos da luz nascem para a vida eterna; e as portas do reino dos céus se
abrem para os fiéis redimidos, pois na sua ressurreição ressurgiu a vida para
todos.
Sigamos este pastor, proclamemos
como o salmista que nele encontramos tudo que necessitamos. Que possamos
escutar sua voz para sermos guiados por ele. Peçamos que mesmo na dor coloquemos
Nele a nossa confiança (Salmo e 2ª leitura).
Neste Domingo lembramos também dos
inúmeros pastores de nossa Igreja, louvamos a Deus por sua entrega, pedimos
pela sua fidelidade e felicidade e que possam ser cada vez mais, associados ao
“Bom pastor”, transparecer o rosto do Deus que cuida de seu povo.
Adriano Bonfim Pereira
