
Entrando numa
igreja, por pobre que ela seja, o nosso olhar vai para o “altar ou mesa do
Senhor” (IGMR, 73), no centro do presbitério, num espaço mais elevado respeito
à nave da igreja. Esse é como o coração da igreja, “o centro de
toda a liturgia eucarística” (ib.).
A IGMR, 296, dedica uma longa reflexão e várias orientações
práticas a respeito do altar. Se lê: “O altar, onde se torna presente o
sacrifício da cruz sob os sinais sacramentais, é também a mesa do Senhor na
qual o povo de Deus é convidado a participar por meio da Missa; é ainda o centro
da ação de graças que se realiza pela Eucaristia”. Recomenda-se que o mesmo “se
distinga do todo da igreja por alguma elevação ou por especial estrutura e
ornato. Que seja bastante amplo para que a celebração da Eucaristia se
desenrole comodamente e possa ser vista por todos” (ib., 295). A palavra
mesma altar, segundo uma possível etimologia, indica que está ‘em
alto. Aos fiéis reunidos para a celebração da eucaristia, o sacerdote
diz: ‘Corações ao alto’. Convite para que todo o seu ser se eleve
para o Senhor.
Jesus é o altar do sacrifício. Ele realizou, em seu corpo, morto na
cruz, o dom de si, e se tornou ‘sacrifício, altar e vítima’, oferecendo-se a si
mesmo ‘uma vez por todas’ (Hb...).
O sentido sacrifical do altar não tira sua dimensão
convivial. A última Ceia de Jesus, realizada ao redor de uma mesa, expressa
a dimensão fraterna desse banquete da Nova e definitiva Aliança, sinal do
banquete escatológico, e incentivo para que os que comem do mesmo pão, formem,
de verdade, um só Corpo no Senhor morto e ressuscitado. Os primeiros cristãos
celebravam a viva memória do Senhor no contexto de
sua vida cotidiana, e o altar era a mesa das refeições da família.
Sacrifício e banquete são duas dimensões estreitamente unidas: é o
Corpo de Cristo, sacrificado por nós, que acolhemos como dom e partilhamos,
para que cresça o amor entre os que participam do memorial da nossa
Salvação. Ele faz dos nossos corações seu verdadeiro e vivo altar.
Portanto, ao redor do altar, símbolo de Cristo que nos amou até o
fim, reúne-se e cresce a Igreja. Escrevia um Anônimo escritor do século IV: “Se
nós desprezarmos a Igreja visível, e si nos separarmos dela, de seu altar
visível, de seu sacerdócio visível e do batismo que nos purifica, o nosso corpo
não se tornará templo, nem nosso coração altar, sua luz e seu sacerdócio não
nos serão revelados” (Em Accat, X., p. 50).
Dom Armando