A reforma conciliar deu à Palavra de Deus sua devida
importância para a vida dos cristãos e pediu para que Ela recebesse destaque
visível em sua proclamação litúrgica. De Sacrosanctum
Concilium até Dei Verbum é um
insistente refrão para que a Palavra ocupe lugar de destaque não só no espaço
sagrado, mas na vida dos discípulos de Jesus. A Instrução Geral do Missal
Romano (IGMR) escreve (n. 309): “A dignidade da Palavra de Deus requer na
Igreja um lugar condigno de onde ser anunciada e para onde se volte
espontaneamente a atenção dos fiéis no momento da Liturgia da Palavra”.Por
isso, eis o valor dado ao Ambão, a
‘estante’ de onde se proclama a Palavra.
Ambão é palavra (do grego anabaino) que quer dizer ‘pequeno cume’,
tribuna. Lembremos de Jesus que subiu à
montanha... e começou a ensinar (Mt
5,1); ou na outra alta montanha, onde
Ele se transfigura, e a voz, provindo
da nuvem,que diz: Este é o meu filho amado... escutai-o
(cf. Mt 17, 1-9). O Senhor continua em nosso hoje, e fala ao seu povo. A fé vem pela pregação e a pregação, pela
palavra de Cristo, afirma o apóstolo Paulo (Rm 10,17).
Por isso, ainda a IGMR (n. 309) recomenda que o ambão “seja
uma estrutura estável e não uma simples estante móvel” e que sua disposição
permita que “os ministros ordenados e os leitores possam ser vistos e ouvidos
facilmente pelos fiéis”. Pede-se, em seguida que “do ambão sejam proferidas
somente as leituras, o Salmo Responsorial e o Precônio pascal; também se podem
proferir a homilia e as intenções da oração universal ou dos fiéis”. Na Introdução ao Lecionário (n. 32-34),
podem-se ler outras orientações que reforçam o que escreve a IGMR. Por exemplo,
pede-se que “seja adornado com sobriedade”; “não é conveniente que subam ao
ambão outras pessoas, como o comentarista, o cantor, o dirigente do coro”;
“deve ser amplo, porque em algumas ocasiões têm que estar nele vários
ministros”; enfim, “é preciso que ... tenha suficiente luz... bons microfones
para que os fiéis possas escutar facilmente”.
Essa insistência a respeito da dignidade do ambão é para
tornar visível a dignidade da Palavra de Deus. Santo Agostinho exortava a
escutá-la “como se o Senhor mesmo estivesse nos falando”! A Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 7) ao tratar
da “presença de Cristo na Liturgia”, escreve: “Presente está pela Sua palavra,
pois é Ele mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escrituras na Igreja”.
Ainda, insiste: “Na Liturgia, Deus fala ao seu Povo. Cristo ainda anuncia o
Evangelho. E o povo responde a Deus, ora com cânticos ora com orações” (n. 33).
Por isso, o documento conciliar pedia (n. 35): “Nas celebrações litúrgicas,
restaure-se a leitura da Sagrada Escritura mais abundante, variada e
apropriada”.
O ambão, portanto, é como que o sinal da valorização que o
Concílio quis dar à Palavra na vida da Igreja, começando pela Liturgia e
alcançando a vida toda da Igreja. “A Igreja existe para evangelizar”, esta é a
“missão essencial da Igreja, sua mais profunda identidade”, recordava o Papa
Paulo VI, 10 anos depois do término do Concílio (cf. Evangelii Nuntiandi, n. 14).
Entrando na Igreja, o ambão nos recorde o sentido da Palavra
de Deus em nossa vida cristã e, ao termino de cada leitura bíblica saia dos
lábios e do coração o nosso sincero agradecimento: Palavra do Senhor! Demos graças a Deus; Palavra da Salvação! Glória a Vós, Senhor.