Leituras:
Apocalipse 7,2-4.9-14;
Salmo
23;
1João 3,1-3;
Mateus 5, 1-12a
A liturgia de hoje pretende reunir
numa única celebração todos os que foram fiéis ao projeto de Reino que Jesus
anunciou e viveu; eles, agora, vivem junto de Deus. O prefácio, canto que introduz a Oração Eucarística, proclama:
“Festejamos, hoje, a cidade do céu, a Jerusalém do alto, nossa mãe, onde nossos
irmãos, os santos, vos cercam e cantam eternamente o vosso louvor”. O texto de
Apocalipse (I leitura) fala de uma multidão imensa de gente... que ninguém
podia contar.... E adoravam a Deus
dizendo: ’Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o
poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém’.
A Palavra nos convida a olharmos em
duas direções: para o futuro que esperamos e para o presente que vivemos. Nossa
esperança abre para a plenitude de
vida prometida que, os santos, nossos irmãos e irmãs, já alcançaram. Eles são
para nós incentivo para vivermos, em nosso hoje, na fidelidade à vocação de
filhos. De fato, afirma o apóstolo João (II
leitura), desde já, somos filhos de
Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos!
Ser filhos de Deus é o grande presente de amor que o Pai nos deu. Por
isso, devemos comportar como filhos e filhas dessa maravilhosa família. Jesus
nos ensina, com sua palavra e seu exemplo, como vivem os filhos da família de
Deus. De forma muito significativa e concreta, as palavras do Evangelho definem o estilo de vida dos
que pretendem ser discípulos de Jesus.
Qual novo Moisés, numa montanha –
símbolo da proximidade com Deus – Jesus abre um longo discurso. O evangelista Mateus apresenta, em síntese
maravilhosa, a felicidade que experimentam
os seguidores de Jesus. Ele, qual Mestre – sentado
– repete: Bem-aventurados, isto é, felizes, felizes, felizes... Quem são
esses a quem Jesus repete e encoraja com palavras tão cheias de esperança? São pobres em
espírito, isto é, humildes e humilhados, que não têm voz nem vez no
mundo, mas que confiam no projeto de amor que Jesus aponta. Sabem que Deus não
os abandona e eles se entregam, alma e corpo, na certeza do Reino, isto é, da nova humanidade de filhos e irmãos que acolhem,
desde já, e esperam a plenitude de sua presença de amor.
Eles são puros de coração, isto é, transparentes, de uma só cara; vivem sem
ambiguidades e mentiras; por isso, sofrem
e choram vendo que o mundo trilha
caminhos errados, distantes do projeto de Deus; mas continuam famintos e sedentos da divina justiça, a perfeita santidade dos justos e tementes a Deus. Eles promovem a paz dos filhos, paz bem diferente daquela prometida pelos que dizem
promover paz enquanto aumentam armas sempre mais poderosas e assinam tratados
de evidente mentira. Neste mundo, eles são incompreendidos e perseguidos, como
foi Jesus. A esses, Jesus repete: Avante, coragem! Alegrai-vos e
exultai, porque será grande a vossa recompensa no céu
Hoje, celebramos essa esperança de
vida e contemplamos a vitória de tantos nossos irmãos e irmãs que conseguiram o
prêmio eterno, passando por grande
tribulação, lavando e alvejando suas roupas no sangue do Cordeiro. Esta
celebração se torne forte incentivo para sermos membros fiéis da gloriosa e
amada família do Jesus.
Dom Armando
