No
4º Domingo da Páscoa olhamos para a metáfora do Pastor e contemplamos Jesus
vivo e ressuscitado, identificando na sua intimidade com Deus a beleza da
fidelidade do Filho que abraça o amor do Pai, acolhe seu projeto de salvação e
se doa em prol da vida do seu rebanho. A bondade e a beleza deste Pastor que é
Jesus derivam da atitude que caracteriza seu relacionamento com as ovelhas.
Porque o Pastor é belo as ovelhas o seguem e entram na lógica do amor e do
serviço.
Jesus é o Pastor e nós somos as
ovelhas. Repetimos insistentemente essa frase ao longo de nossa vida cristã,
porque a imagem de Cristo como Bom Pastor está impregnada na Igreja, principalmente
nos serviços de animação vocacional. Não é por acaso que hoje celebramos o 55º
Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Trata-se de uma oportunidade para olhar
para Jesus e assumir na vida a beleza da doação que Ele experimentou. Contemplando
o Belo Pastor ficamos imbuídos da sua força que procede da capacidade de
entregar-se livremente em prol da vida, para servir sempre.
Doar a vida significa oferecer a força
do próprio Deus, como manifestação do próprio Jesus que nos torna semelhantes a
Ele (2ª leitura). Ser semelhante a Jesus não é disfarçar-se de bom pastor para
esconder as maldades do “mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas”
(Jo 10,12), mas compartilhar a vida com o rebanho. Ele é modelo de pastor por
causa da entrega de si como confirmação do plano salvífico de Deus, por isso,
“em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado
aos homens, pelo qual possamos ser salvos” (At 4,12).
Naturalmente, quando lemos “o Bom
Pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11) não é uma referência exclusiva à
morte na cruz, pois Aquele que doou a vida recebeu-a de volta na ressurreição,
como rezamos na antífona da comunhão – “Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a
vida por suas ovelhas, e quis morrer pelo rebanho”. Embora coloque a vida em
risco para proteger as suas ovelhas, o Pastor está vivo, porque se o pastor
morre as ovelhas ficam abandonadas, correndo o risco de ser atacadas pelo lobo.
Assim, mais do que Bom, Jesus é o Belo
Pastor que nos contagia com seu amor, seu cuidado e sua compreensão. Percebemos
isso na distinção que o evangelista João faz entre o pastor e o mercenário. A
maior diferença está na arte do cuidado. O mercenário se preocupa apenas com o
seu salário e ao invés de amar as ovelhas, ama a si mesmo, logo, nunca se
arrisca pelo rebanho. Em contrapartida, o Pastor não tem um olhar técnico, de
quem vê as coisas de fora, objetivamente, seu olhar é transfigurado e íntimo,
Ele conhece as suas ovelhas (Jo 10,14). Essa reflexão sobre o pastor e o
mercenário nos permite pensar em todos os pastores das igrejas: eles servem
como funcionários ou como pessoas que doam a vida carinhosamente pelas
comunidades que lhes são confiadas?
Do relacionamento vivo e efetivo com o
Belo Pastor participamos do relacionamento do Filho com o Pai e, ao mesmo
tempo, aprendemos a descobrir Jesus no rosto dos outros. Como membros do seu rebanho, deixemos que Ele vivifique nossa existência
e nos encha de ternura para revolucionarmos nossas vidas, famílias e comunidades
com a ternura de Deus.
Marcos Bento
4º Teologia