A
Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), 302 orienta: “Se for oportuno,
mantenha-se o uso de depositar sob o altar ser dedicado relíquias de Santos,
ainda que não sejam mártires. Cuide-se, porém, de verificar a autenticidade de
tais relíquias”.
A
origem dessa praxe remonta aos albores do cristianismo. Já antes da paz
constantiniana (313), os cristãos começaram a celebrar a eucaristia junto aos
túmulos dos mártires. O culto mesmo aos Santos tem sua origem nesta tradição de
recordar os irmãos e as irmãs que tinham derramado seu sangue pela fé,
oferecendo grande exemplo à Comunidade toda. Depois que o imperador Constantino
deu aos cristãos liberdade de culto, os restos mortais dos mártires são levados
para dentro das cidades e colocados nas basílicas, as igrejas que são
construídas a partir desta época para as celebrações litúrgicas, sempre mais
solenes, dos fiéis.
Um
exemplo muito significativo a esse respeito é oferecido por Santo Ambrósio, o
grande bispo de Milão. Na dedicação da basílica onde ele mesmo queria ser
sepultado, foi à procura de relíquias e encontra as dos Santos Gervásio e
Protásio (386) e as coloca sob o altar com estas palavras: “É oportuno que as
vítimas triunfantes tomem lugar onde o Cristo se oferece a si mesmo como hóstia:
sobre o altar, aquele que se ofereceu por todos; sob o altar aqueles que foram
por ele resgatados com a sua paixão” (cf. Dicionário,
p. 287).
Diante
da dificuldade de encontrar relíquias de mártires nos novos edifícios,
encontra-se o jeito de substituir com objetos que tinham pertencido aos
mártires, ou roupas que tinham tocado os túmulos dos mesmos. A igreja de Roma,
porém, por muito tempo, não acolheu essa praxe.
A
veneração das relíquias cresceu sempre mais ao longo da Idade Média; também começou
e por séculos se difundiu o costume de acrescentar às relíquias um fragmento de
pão eucarístico; a eucaristia mesma era usada para substituir as relíquias.
O
Ritual de Dedicação de uma Igreja (n.
5) orienta: “Convém observar a tradição da liturgia romana de encerrar sob o
altar relíquias dos corpos de Santos. Note-se, contudo, o seguinte: a) As
relíquias deverão ser de tamanho suficiente para que se possa perceber serem de
corpos humanos...”; b) “É preciso verificar com a máxima cautela se as relíquias
são autênticas. É preferível consagrar um altar sem relíquias, a encerrar
debaixo dele algumas duvidosas”; c) O relicário (recipiente onde se guardam as
relíquias para se expor ao público) não será colocado nem em cima do altar, nem
será encerrado na mesa dele, mas debaixo da mesa”.
As
relíquias dos mártires, portanto, visam recordar que esses irmãos de fé
hauriram a força do martírio de Jesus, o Mártir que por todos nós derramou seu
Sangue como vítima, altar e sacrifício.
O autor do Apocalipse (6,9) afirma: Vi
debaixo do altar aqueles que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus
e do testemunho que tinham dado.
Dom Armando
