As palavras do título são de uma
música intitulada “Epitáfio” composta por Sérgio Britto e interpretada pela
banda “Titãs”. O mesmo trecho faz parte de uma das reflexões do livro de Mario
Sergio Cortella “Não espere pelo
epitáfio... Provocações filosóficas”.
O autor é um filósofo brasileiro,
Doutor em Educação e Professor do Departamento de Teologia e Ciências da
Religião da PUC-SP, nascido em
05/03/1954 na cidade de Londrina, no Paraná.
Eu te sugiro... leia “Não espere pelo epitáfio”.
O livro foi publicado em 2005,
pela Editora Vozes. Trata-se de pensatas ou, como define o próprio autor,
‘provocações filósoficas’. E se referem às crônicas selecionadas pelo autor, de
suas publicações entre 1994 a 2004, em jornais nos quais era colunista,
especialmente na Folha de S. Paulo.
É de leitura fácil e agradável, e
provoca no leitor a reflexão para aspectos importantes da vida, levando-o a
fazer uma avaliação de si, a rever seus conceitos, a repensar suas atitudes, na
busca por um crescimento e um apredizado capazes dar um sentido à vida a cada
instante. Para isso, ele lança mão de passagens bíblicas, como o Livro de
Eclesiastes, para dizer “Há tempo para tudo debaixo do céu” (Eclesiastes 3,1);
reflete sobre O mistério do simples a
partir da poesia de Manoel de Barros; recolhe preciosidades da literatura,
citando a obra de Guimarães Rosa, que singelamente diz: “pra não nascer, já é
tarde; pra morrer, inda é cedo”; e se
proprõe a discutir com gramáticos, na crônica o amor e suas razões, o porquê de se definir o amor como
‘substantivo abstrato’ se ele é algo tão concreto.
Com muita tranquilidade, eu diria
até que com grande sensibilidade, Cortella mescla filósofos gregos,
ensinamentos latinos, poesia, música popular brasileira, passagens bíblicas,
literatura, para instigar no leitor o gosto pela busca de uma vida vivida com
autenticidade, coerência, dignidade. Como dizia Beato John Newman “Não temas
morrer um dia. Só tenha medo de não viver bem”. Ou mesmo o que diz um conhecido
provérbio chinês: “Não se preocupe se você está indo devagar. Receie apenas
ficar parado”.
Por isso mesmo, durante a leitura,
o leitor sente-se muito à vontade. Mario Sergio, que, até nas palestras que
ministra, é sempre muito gentil no trato com as pessoas, mantém no livro essa
mesma característica. De forma bem humorada, mas sempre em tom de reflexão, ele
conduz o leitor a pensar sobre as coisas que, de fato, valem a pena. Assim, ele se convence a deixar de
lado, intrigas, picuinhas, coisas sem importância, que, além de não levar
ninguém a lugar nenhum, vão causando desgaste.
A primeira crônica do livro é
homônima ao seu título. Apenas para ligar os sentidos: epitáfio é o nome que se dá à inscrição feita num túmulo, geralmente uma mensagem que
reflete a experiência de vida da pessoa. Por isso, é pertinente o que diz a
letra da música cantada pelos Titãs: “Devia
ter amado mais... ter sonhado mais... ter visto o sol nascer. Devia ter
complicado menos, me importado menos com
problemas pequenos, ter morrido de amor”.
Muitas
vezes, deixamos de dizer ou fazer algo e, consequentemente, viver determinadas
experiências, por medo de errar, como se o erro também não fizesse parte da
vida e como se nossa vida não devesse ser, justamente, uma constante tentativa
de acerto. “Ame e faça o que quiser”, já dizia Santo Agostinho. Se nossa vida
for guiada pelo amor, ao próximo e a nós mesmos, seguramente nossas escolhas
serão acertadas.
Termino com o belíssimo propósito
do Bv. Papa João XXIII: “Para ser sincero, permita-me dizer: espero viver muito
tempo. Amo a vida”.
Boa Leitura a todas e a todos!
Raiana Cristina
Dias da Cruz
REFERÊNCIA:
CORTELLA, Mario Sergio. Não espere pelo epitáfio... : provocações filosóficas. Petrópolis,
RJ: Vozes, 2005.
