Depois
das anotações sobre os ritos iniciais e a Liturgia da Palavra, entramos
agora na segunda parte da celebração eucarística, toda centrada ao redor da
outra mesa, o altar, para onde “são levadas as oferendas que se converterão no
Corpo e Sangue de Cristo” (Instrução
geral do Missal Romano - IGMR 73).
A
IGMR introduz essa parte da celebração com as seguintes palavras: “Na última
Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e a ceia pascal, que tornam continuamente
presente na Igreja o sacrifício da cruz, quando o sacerdote, representante do
Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos
para que o fizessem em sua memória” (cf. SC 47).
A
Instrução lembra que a estrutura da
celebração eucarística corresponde às palavras e gestos de Cristo. Temos três
momentos: a) a preparação dos dons: são levados ao altar pão e vinho com
água, lembrando os ”elementos que Cristo tomou em suas mãos”; b) a Oração
eucarística, com a qual “se rende graças a Deus por toda a obra da salvação,
e as oferendas tornam-se Corpo e Sangue de Cristo”; c) a fração do pão e a Comunhão, que
permitem aos fiéis receber o Corpo e o Sangue do Senhor, como os Apóstolos o
receberam do próprio Cristo (cf. IGMR 72).
Os
documentos da Igreja, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, evidenciam e
insistem na presença e no sentido das duas mesas na celebração da
Eucaristia; as duas merecem igual destaque; as duas devem ser usadas só pela
finalidade própria.
Na
dinâmica celebrativa, a primeira mesa nos ofereceu abundante alimento
espiritual e nos preparou para a segunda. De fato, fomos iluminados pela
Palavra e, como os discípulos de Emaús, nossos corações foram aquecidos para acolhermos
o Senhor Jesus, Pão da Vida, e selarmos nosso encontro com Ele.
Vários
gestos, simples, mas significativos, marcam esse momento. Prestemos atenção
(cf. IGMR 73). Prepara-se a mesa ou altar, que é o centro de toda a liturgia
eucarística. Coloca-se sobre ele o corporal, o purificatório, o missal e o
cálice. “É louvável que os fiéis apresentem o pão e o vinho que o sacerdote ou
o diácono recebem”. É bonito esse gesto de levar ao altar os elementos que
servem para a celebração; evidencia a ‘realidade humana’, o ‘fruto da terra e
do trabalho humano’ que o Presidente da celebração vai apresentar ao Pai para
que ‘se torne pão de vida eterna’ e ‘vinho da salvação’.
Nesse
momento, os fiéis oferecem, também, outros donativos ou dinheiro para a ajuda
dos pobres ou para as necessidades da Igreja. É gesto que já pertence à praxe
litúrgica da primeira hora, como escreve Paulo em sua I carta aos Coríntios
(cf. 11,17-34).
O
canto do ofertório acompanha a procissão das oferendas e continua, ao
menos, até que os dons sejam colocados sobre o altar.
O
rito da apresentação das oferendas termina com o Presidente da Celebração
lavando as mãos “exprimindo por esse rito o seu desejo de purificação interior”
(IGMR 76).
Essas
são informações essenciais para participar da celebração eucarística com maior
intensidade espiritual compreendendo os gestos e as palavras das mesmas
celebrações.
Dom
Armando