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TEXTOS BÍBLICOS NAS CELEBRAÇÕES LITÚRGICAS


A Igreja no Brasil celebra o mês setembro como o mês da Bíblia.  O mês da Bíblia teve início em 1971, por ocasião do cinquentenário da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG). Foi levado adiante com a colaboração do Serviço de Animação Bíblica da Congregação das Paulinas (SAB). Com o passar dos anos foi assumido pela Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) e estendeu-se ao âmbito nacional. A escolha do mês de setembro para o mês da Bíblia, deve-se ao fato de no dia 30 de setembro ser comemorado o dia de São Jerônimo, o qual traduziu a Bíblia dos originais (hebraico, grego e alguns trechos em aramaico) para o latim.
      No site da CNBB, Dom Armando fala sobre os textos bíblicos nas celebrações Litúrgicas. Clique aqui e leia o texto na Íntegra!

A LITURGIA DO 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO C

LEITURAS:
Sab 9,13-19
Salmo 89 (90)
Flm 9b-10.12-17
Lc 14,25-33

A liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum convida-nos a abraçar o Reino de Deus como discípulos disponíveis e desprendidos de todos os bens, até dos mais valiosos, os pais e a própria vida. O grande sentido é superar o apego, renunciar ao que nos prende no egoísmo, nas coisas que nos impedem de sermos totalmente disponíveis ao projeto do Reino numa atitude de amor radical, amar de todo nosso coração.
O conteúdo da pregação de Jesus foi essencialmente a novidade do Reino, que como ele mesmo disse no evangelho do Domingo anterior é o banquete dos pobres e dos que estão as margens da sociedade. Por isso, o “caminho do discípulo” é um caminho em que o Reino deve ter a primazia sobre as pessoas que amamos, sobre os nossos bens e sobre nossos esquemas e interesses pessoais.
O caminho de seguimento do Reino não é fácil e no evangelho encontramos três exigências fundamentais para quem quer seguir o caminho do discípulo e sentar-se à mesa do Reino. A primeira delas é o desprender-se dos laços familiares. O discípulo de Jesus deve estar aberto a sair do próprio comodismo familiar, como Deus fala a Abraão: “Sai da tua terra, de tua pátria e da casa de teu pai”, para aderir e anunciar a proposta do Reino. A segunda exige a renúncia da própria vida. O discípulo de Jesus não pode ficar preso no egoísmo, na autossuficiência, nem nos próprios interesses, mas, tem que colocar sua vida a serviço do Reino como um dom de amor. E a terceira exigência é a renúncia aos bens, não combina com o discípulo viver de forma apegada às coisas materiais sendo que o Reino é gratuidade, é partilha, é amor. O discípulo não pode viver de forma egoísta, mas disponíveis e despedido.    
O livro da sabedoria nos ajuda nesse caminho do discipulado. O autor do livro fala da finitude do homem, das limitações, das dificuldades, fala que por nós mesmos não conseguiremos compreender o alcance das coisas e nem descobrir o verdadeiro sentido da vida. É preciso, pois a sabedoria que vem de Deus e só por meio dela poderemos chegar aos desígnios do Pai e encontrar a verdadeira felicidade. O discípulo deve acolher a sabedoria, dom de Deus para todos que querem viver com sentido. Deus nos dá a sabedoria para encontramos o sentido da vida e discernir o verdadeiro do falso e o que é essencial daquilo que é inútil.
Portanto, o tomar a cruz é aceitar as exigências, aceitar o que é incomodo e seguir a Cristo. E mesmo quando sobrevierem as contradições, as desilusões, as ameaças e os obstáculos que vão contra o seguimento, continuarmos firmes por amor de Cristo e aos irmãos.                     
Sem. Pablo Dourado

SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO

LEITURAS:
Ap 11, 19;12,1.3-.10;
Sl 45/44; 1
Cor 15,20-27;
Lc 1,39-56.
1. A solenidade da Assunção de Nossa Senhora abre à é um horizonte de esperança, de vida em plenitude e ressurreição. Tudo começou com a vitória de Cristo sobre a morte: “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram”, afirma são Paulo; “Em Cristo, todos reviverão”. Nisso está a esperança que ilumina e sustenta nossa caminhada terrena. “O último inimigo a ser destruído é a morte”, conclui são Paulo (II leitura).
A festa da Mãe do Senhor encontra nesta mensagem seu sentido. Acreditamos que Maria, elevada à glória do céu, depois do Filho, é a primeira dos ressuscitados; ela garante o rumo de nossa caminhada terrena. Por isso, como canta o Prefácio, “Ela é consolo e esperança” para nós, povo de Deus.
Prestemos atenção nessas palavras: consolo e esperança. São duas virtudes que se fundamentam na fé. Maria visita Isabel – como conta o Evangelho – para dar crédito às palavras do Anjo e entender o sentido da proposta recebida. No encontro com Isabel, Maria é confirmada em sua fé. Por isso, do seu coração, brota o cântico do agradecimento e do louvor: “Minha alma engrandece o Senhor”. É a resposta orante à fidelidade de Deus. De fato, ela acreditou nas promessas divinas e assume, com coragem a sua missão. Torna-se imagem viva do que a Igreja é chamada a ser: comunidade dos que seguem a Cristo, custe o que custar.
A leitura de Apocalipse (I leitura) apresenta uma comunidade em luta com o poderoso império romano, o dragão que, porém, não tem força bastante para vencer a frágil e amedrontada mulher, imagem, antes de tudo, da pequena comunidade dos seguidores de Cristo. D fato, “agora realizou-se a salvação a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo”.
2. A Palavra nos oferece numerosos ensinamentos.
a) Antes de tudo, nos convida a refletir se vivemos a fé ‘olhando para o céu’. Isso não significa esquecer das responsabilidades cotidianas. A Palavra orienta a ter e alimentar essa fé, para sermos – como e com Maria – sinais e semeadores de esperança, firmes no amor.
b) Vero que é mais importante em nossa vida, no dia a dia, a quem dedicamos tempo e atenção, e o que, ao invés, deveríamos recusar para sermos coerentes com a fé que professamos.
Neste ano, estamos refletindo sobre Família. Hoje, eu peço que todas as famílias renovem sua aliança: “Apareceu no céu a arca da Aliança”, o grande sinal da presença de Deus na vida do seu povo. Na aliança – fidelidade de Deus, a Igreja acolhe e abençoa o amor de todo casal, entregando nas mãos misericordiosas de Deus a fragilidade e a beleza do todo humano amor.
Em Maria, ‘Arca da aliança’, esposos e esposas, renovem sua aliança, peçam a Deus, pela intercessão de Maria, força e disponibilidade interior para serem fiéis nos empenhos matrimoniais, fiéis à família, dom de Deus, que aos poucos foram e estão construindo.
3. Maria canta e ama, encontra e acolhe, serve e se deixa levar e iluminar pela fé: é nosso modelo. A verdadeira devoção a Maria deve nos tornar pessoas apaixonadas por Jesus, que procuram viver na fidelidade às suas promessas, à Aliança – compromisso de amor que dele recebemos.
A mulher do Apocalipse aparece “vestida de sol, com alua debaixo dos pés”:imagem para dizer que Maria é repleta de Deus e, por isso, vence tudo engano, ilusão e pisa sobre os ídolos do mundo.Por isso, é nosso exemplo!
Preencher-se de Deus, deixar que seu Espírito nos transforme, alimentando-nos com a Palavra e a oração, a Eucaristia e a reflexão, fugindo de tudo o que ameaça a vida, tira a paz, destrói o amor, enfraquece a fé. Elanos ajude e ensine a manter viva a fé ‘na vida eterna’, a não deixar que as paixões e os desejos da carne, e as ilusões do mundo nos dominem. E sejamos mais fortes e coerentes com a fé que professamos e os compromissos assumidos.
Dom Armando Bucciol

DOM ARMANDO FALA SOBRE A PROCISSÃO DE RAMOS

No site da CNBB, dom Armando, faz uma reflexão sobre a procissão de ramos ao longo dos séculos e nas diferentes tradições litúrgicas. Ele afirma que a paixão e morte oprobriosas e a exaltação messiânica do Senhor”, são as duas componentes do Mistério pascal de Cristo e explica que os dois ritos têm origem nas Igrejas de Jerusalém e de Roma.  A Igreja de Jerusalém, desde o IV século, recordava a entrada triunfal de Jesus na cidade santa, realizada segundo a profecia de Zacarias: “Agora o teu rei está chegando, justo e vitorioso. Ele é pobre, vem montando num jumento” (Zc 9,9).
 Clique aqui e leia o texto na íntegra!





O SIGNIFICADO E A IMPORTÂNCIA DA PENITÊNCIA NO PERÍODO QUARESMAL


No Site da CNBB, dom Armando, fala também sobre o significado e a importância da penitência no período quaresmal e afirma que na Bíblia não se encontra a palavra penitência. Mas fala-se, no entanto, da necessidade e urgência de se converter, de acreditar na “bela notícia”. Ele explica que há o retorno dos termos, ‘arrependimento’ (Mt 3,8; Lc 3,3; 2Cor 7,10; 2Tm 2,25 etc.), ‘compunção’ (At 2,37), ‘contrição’ (Sl 51,17), e o insistente convite a ‘tornar – voltar a Deus’. Segundo ele, “A Palavra de Deus pede que vivamos de acordo com as exigências da aliança, do compromisso que o fiel acolheu e assumiu com Deus”.

O SENTIDO E OS TIPOS DE JEJUM DURANTE A QUARESMA


No Site da CNBB, dom Armando, escreve sobre os sentidos do jejum e diz que para compreender melhor o sentido do jejum, é preciso recordar o que escreve o apóstolo Paulo aos Filipenses (3,18-19): “Há muitos que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago… só pensam em coisas terrenas”. Ele continua dizendo, em tempos de uso (e abuso) das palavras, das redes sociais, das relações humanas cotidianas, a renúncia na vida cristã visa não tanto o negativo, mas o positivo, isto é, o crescimento interior, a busca sincera do essencial, para acolher o projeto do Senhor que é não julgar, partilhar, ser solidário, doar, amar. Dom Armando afirma ainda que, “Seremos julgados não pelo jejum que fizemos, mas pela disponibilidade sincera e constante em ser pessoas que vivem relações humanas autênticas, com os outros e com Deus”. 

O SENTIDO DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

O nosso bispo, dom Armando, no site da CNBB, faz uma bela reflexão sobre Quarta-feira de Cinzas para o cristianismo e sobre o sentido da celebração da festa que torna mais coerente a vida cristã, a celebração da Páscoa.

REFLEXÃO DE DOM ARMANDO SOBRE O ADVENTO



 O Advento, este ano, começa no dia 02 de dezembro, no site da CNBB, dom Armando, faz uma reflexão sobre a importância do Advento e destaca que este é tempo de alegria, espera e esperança. Um momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. Neste período, há o despojamento das igrejas, é usada a cor roxa, não se canta o hino do Glória e as leituras ajudam a refletir sobre o mistério do Cristo que virá no final dos tempos. Ele explica que a melhor preparação para este tempo é vivenciar atentamente às propostas da liturgia que, com riqueza de mensagens, vai conduzindo quem acolher o que a Palavra propõe.

PRONUNCIAR UMA PRECE PELOS FALECIDOS TORNA-SE EXPRESSÃO DE FÉ E DE UNIÃO EM CRISTO


Em entrevista ao site da CNBB, o nosso bispo, Dom Armando, fala sobre a origem do culto aos mortos e faz uma reflexão sobre o mistério da morte e da ressurreição de Jesus Cristo. Concluindo  sua reflexão, dom Armando afirma que, pronunciar do mais íntimo do nosso coração uma prece pelos nossos falecidos, torna-se expressão de fé e de união em Cristo, naquela ‘comunhão dos Santos’ que professamos no Creio; isto é, a íntima e profunda comunhão que une, em Deus, todos os que nele depositam sua esperança. Então, não só os falecidos recebem o nosso ‘presente’; eles nos presenteiam com sua presença, e nos estimulam a uma vida mais autêntica e repleta de amor e fé.

Liturgia e Missão


Outubro, mês missionário. Pergunto-me: como a Liturgia vive e acompanha o nosso ser missionários e missionárias do Senhor Jesus? Com certeza, a missão é parte intrínseca da vida da Igreja e, portanto, a Liturgia, seu coração orante, respira missão. 
Em nossa Igreja, toda celebração começa com o sinal da cruz, resumo da fé em Deus Trindade Santa, e na Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor; a mesma termina com a bênção no Nome da Trindade e o convite para irmos em missão: termina a missa, começa a missão!
Nossa fé traz sua origem e se fundamenta na missão de Jesus, o Filho de Deus que veio ao mundo para testemunhar o amor misericordioso daquele a quem Ele chama de Abá, Papai. Sua missão na terra termina com um convite – ordem: Ide pelo mundo inteiro, anunciai o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15).O discípulo que conhece o rosto do Deus que Jesus nos revelou, torna-se, por exigência interior, uma testemunha viva do mesmo infinito amor, e toda a sua vida fica iluminada por esse amor do Senhor. 
A fé que professamos, portanto, pede para ser celebrada na liturgia e testemunhada na vida cotidiana, em íntima unidade. O Deus que a Palavra nos conduz a conhecer é o Deus – Caridade(cf. 1Jo 4,8). A liturgia celebra, no sentido que ‘torna célebre’, enaltece e põe no centro da vida dos discípulos de Jesus, esse Deus que envolve os mesmos em seu mistério de amor e os envia para que vivam desse amor.
A missão não é uma sobrepeliz que colocamos, de vez em quando; mas deve ser intrínseca e permanente na vida de um cristão. Nas celebrações litúrgica, então, temos a possibilidade de tomar consciência e rejuvenescer esta atitude que nos acompanha em todo o tempo e em cada ambiente e escolha. A ação ritual é chamada a fazer ‘arder o coração’, como aconteceu com os dois discípulos que, em fuga para Emaús, escutam aquele anônimo peregrino que – eles não o reconheciam – era o mesmo Jesus que, interpretando as Escrituras fez, aos poucos, arder seus corações e infundir nossa esperança (cf. Lc 24,13-35).
Então, quando podemos dizer que uma celebração litúrgica – da Eucaristia, especialmente  é verdadeira e alcança seu objetivo? Quando ilumina as mentes, purifica e aquece os corações e torna os discípulos capazes de testemunhar ‘o que ouviram e viram’ (cf. 1Jo 1,1), o que o Senhor fez para nós, abrindo horizontes à nossa esperança, tantas vezes abalada e confusa. “Quando uma celebração é vivida com a intensidade do espírito e cuidando que todos os elementos entrem em uma harmonia envolvente, com certeza, tornar-se-á experiência do mistério divino e momento marcante de evangelização” (Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia: Liturgia e Evangelização, p. 47). 
Vale a pena lembrar o que se escreve no Documento de Aparecida: “Encontramos Jesus Cristo, de modo admirável, na Sagrada Liturgia. Ao vivê-la, celebrando o mistério pascal, os discípulos de Cristo penetram mais nos mistérios do Reino e expressam de modo sacramental sua vocação de discípulos missionários” (n. 250). Em seguida, mais um pensamento muito expressivo: “… A Eucaristia, fonte inesgotável da vocação cristã é, ao mesmo tempo, fonte inextinguível do impulso missionário. Aí, o Espírito Santo fortalece a identidade do discípulo e desperta nele a decidida vontade de anunciar com audácia aos demais o que tem escutado e vivido” (n. 251).
Possamos tornar as nossas celebrações mais autênticas experiências de fé, verdadeiros encontros com o Senhor que nos amou até o ponto mais alto do amor, para sermos, com a força do seu Espírito, testemunhas coerentes e corajosas do mistério da fé que a Eucaristia celebra. Recordemos o apelo do Papa Francisco: “Não nos deixemos roubar o entusiasmo missionário” (Evangelii Gaudium 80).
Dom Armando Bucciol
FONTE: www.cnbbne3.org.br

Festa da Natividade de Maria

Hoje (8), a liturgia da Igreja Católica celebra a festa da Natividade de Maria. Festa, que segundo o nosso bispo, dom Armando, surge pela metade do século V, em Jerusalém, onde a tradição conta que tinha a casa dos pais de Maria e foi construída uma basílica (de Santana), no lugar da Piscina Probática.



Dom Armando fala sobre a festa de São João Batista, o precursor de Jesus Cristo

No site da CNBB o nosso bispo, dom Armando, fala sobre a festa do nascimento de São João Batista, o precursor de Jesus Cristo. Festa que celebramos no dia 24 de junho.
Criada pelos camponeses europeus para celebrar o início do verão, o evento chegou ao Brasil durante a colonização com a chegada dos portugueses. 
Dom Armando explica, que essa, “É uma festa de mudança de estação e, portanto, início de um período de mais sol, a festa do sol vencedor” e que “Atualmente é celebrada por tantos motivos de tipo cultural com elementos que sem dúvida tem um fundo religioso, mas antes de tudo tem elementos antropológicos”. Do ponto de vista litúrgico, a festa de São João possui uma grande riqueza teológica. A figura de João Batista, profeta que se encontra na Bíblia entre o primeiro e o segundo testamento é marcante na história religiosa do povo de Israel.

Reflexão do nosso bispo sobre Procissão, Origem e importância da Solenidade do "Corpo e Sangue de Cristo"


O nosso bispo, Dom Armando, em um artigo escrito para o site da Cnbb, fala sobre a Procissão,  origem e importância da solenidade do “Corpo e Sangue de Cristo”, mais conhecida com o ‘título’ em latim, Corpus Christi ou Corpus Domini.



42. A BÊNÇÃO - II

O povo, sobretudo entre os mais simples e fiéis à tradição, costumam pedir e dar a bênção. O filho a pede ao pai; os fiéis ao padre (também mais novo); as crianças aos mais velhos. Bênção, pai; bênção, padre! Não dar ou não pedir a bênção, revela que nas relações têm algo não correndo bem. É verdade, este hábito passa por uma crise em vários lugares. O clima cultural em que vivemos, está, aos poucos, corroendo essas tradições com grande desconforto dos mais velhos que veem hábitos recebidos de longo passado sendo jogados com superficialidade ou tachados de caretas.
Como a tradição bíblica documentou, a origem e fundamento da bênção expressam valores religiosos profundos. Num mundo pós-cristão e agnóstico que vem tomando conta da nossa época, eis que as expressões religiosas, até as mais simples e familiares, passam por esta onda de contestação ou, pior, de irrisão. Por isso, eis a necessidade de compreender melhor para viver de maneira mais profunda gestos e expressões que podem estar perdendo suas motivações.
Antes de tudo, é claro que somente Deus pode bendizer, Ele é a nascente de toda bênção. Por isso, só a partir de uma séria e profunda experiência de Deus, pode-se recuperar o sentido da bênção. Nietzsche afirmava: “De súplices devemos nos tornar bendizentes”. Não discutimos o sentido da frase dado pelo filósofo. O ser humano é somente ‘súplice’; só Deus, o Senhor da vida, pode bendizer! Porém, o ser humano recebe de Deus este poder. Os pais, sobretudo pelo ministério recebido com o Matrimônio, têm este poder; os sacerdotes, pela consagração ministerial, são investidos por esta graça; todo batizado – crismado, também, possui a força divina que é chamado a partilhar com os demais, cada qual segundo o dom de graça que recebeu.
O Catecismo da Igreja Católica (n. 2626) escreve: “A bênção exprime o movimento de fundo da oração; é o encontro de Deus e do homem; nela o dom de Deus e a acolhida do homem se chamam e se unem. A oração de bênção é a resposta do homem aos dons de Deus: uma vez que Deus abençoa, o coração do homem pode bendizer aquele que é a fonte de toda bênção”.
 A Igreja possui um Ritual de bênçãos (1984) que orienta a respeito do sentido das bênçãos e proporciona expressões para realizá-las. Encontramos bênçãos de pessoas (ex. das famílias, de enfermos, antes e depois do parto, de noivos etc.); bênção de lugares (ex. da nova residência, novo hospital, escritório, fábrica, plantações, campos etc.); coisas (instrumentos de trabalho, bebidas e alimentos, terço de Nossa Senhora, escapulário etc.). O Ritual recomenda que cada bênção deve começar com a escuta da Palavra, para dar sentido aos gestos e não cair na magia ou num ritualismo vazio. Na liturgia, ainda, encontramos tantas expressões de bênçãos. “Duas formas fundamentais exprimem esse movimento da bênção: algumas vezes ela sobe, levada no Espírito Santo por Cristo ao Pai (nós o bendizemos por nos ter abençoado); outras vezes ela implora a graça do Espírito Santo, que, por Cristo, desce de junto do Pai (é ele que nos abençoa)”  (CIC, 2617).
Observamos que nas bênçãos destaque especial têm as mãos. Essas se pousam sobre a cabeça na ordem como na Penitência, na Crisma como invocando o divino Espírito na Eucaristia; a mão traça o sinal da cruz na fronte ou na pessoa como gesto que invoca a efusão da plenitude da vida divina. A mão aberta é gesto para doar, acolher, partilhar...
Entre todas as bênçãos, especial realce tem a com o Santíssimo Sacramento, com o Corpo do Senhor: deve ser vivida e acolhida em atitude de profunda oração e adoração.
Dom Armando

41. A BÊNÇÃO - I

Hoje, vamos refletir a respeito do que significa a bênção. Qual sua origem/ Qual seu sentido? O que comporta dar ou receber a bênção? O Ritual de Bênção, da Congregação para o Culto divino (1984), escreve: “As celebrações de bênçãos ocupam lugar de destaque entre os sacramentais, instituídos pela Igreja para o bem-estar pastoral do povo de Deus. Como ações litúrgicas que são, tais ritos elevam os fiéis ao louvor de Deus e os dispõem a alcançar o efeito principal dos sacramentos e a santificar as diversas circunstâncias de suas vidas”.
Para compreendermos melhor o sentido da bênção, vamos recordar algumas páginas bíblicas para, em seguida, aplica-las à nossa vida.
O Senhor falou a Moisés: Dize a Aarão e aos seus filhos: Com estas palavras deverás abençoar os israelitas: ‘O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti sua face e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz (Nm 6,22-26).
Somente Deus pode abençoar, só d’Ele pode vir a bênção porque Ele é o Senhor da criação e da vida. A Bíblia está repleta de bênçãos. Desde o início, encontramos: Deus os abençoou, dizendo: Sede fecundos...  (Gn 1,22); Deus abençoou o sétimo dia e o santificou (Gn 2,3). A história de Abraão começa com a bênção divina: Farei de ti uma grande nação e te abençoarei...  Abençoarei os que te abençoarem (Gn 12,2-3). A bênção acompanha a caminhada do povo de Deus. A Isaque, Deus diz: Eu sou o Deus de teu pai Abraão; nada temas, pois estou contigo. Eu te abençoarei e multiplicarei a tua descendência (Gn 26, 24). Antes de morrer, Isaque abençoa Jacó (cf. Gn 27,27) que, ao morrer abençoou os filhos dando a cada um sua bênção (Gn 49,28). Ao longo da história bíblica a bênção divina nunca falta apara os filhos de Israel que procurar viver na fidelidade à Aliança: Se ouvires estes preceitos e os puseres fielmente em prática, o Senhor teu Deus... te amará, te abençoará e te multiplicará. Abençoará o fruto do solo...  Serás mais abençoado do que todos os povos (Dt 7,12-14).
O povo da Aliança tem consciência dessa bênção e caminha na presença do seu Senhor ciente de ter o olhar amoroso do seu Deus que o protege e acompanha. Por isso, sobretudo, em sua oração, canta constantemente esta certeza: Deus tenha pena de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a sua face (Sl 67/66,2); Louvai o Senhor... Porque reforçou as trancas de tuas portas e no teu meio abençoou teus filhos (Sl 147, 1.13).
A bênção recebida não é algo particular de Israel; ela é para todas as raças da terra (Sl 72,17); não só para a casa de Israel e de Aarão, mas também para todos que temem o Senhor (Sl 115/113b, 12-13).
Jesus também abençoava: as crianças (cf. Mc 10,16), os pães e os peixes no momento da multiplicação (cf. Mt 14,19); o pão e o vinho, na ceia da despedida (cf. Mt 26,26); na ceia com os dois discípulos de Emaús (Lc 24,30); enfim, antes de ser elevado ao céu: ergueu as mãos e abençoou-os (Lc 24,50).
A Igreja nascente, como documenta o livro dos Atos, continua segundo o estilo de Jesus. Pedro, em seus primeiros discursos, fala ao povo e diz: Para vós, primeiramente, Deus suscitou o seu Servo e o enviou a vós, para vos abençoar, na medida em que cada um se afaste de suas mas ações (At 3,26). A bênção deve distinguir o comportamento dos seguidores de Jesus: Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis, recomenda o apóstolo Paulo (Rm 12,14).
Eis, portanto, a presença da bênção na vida do povo de Deus e de Jesus. Eis sua origem. Mas, o que significa e comporta, hoje, para nós abençoar e receber a bênção?
Dom Armando

Dom Armando enumera cinco princípios para evitar abusos litúrgicos

Segundo Dom Armando, as redes sociais transmitem com extraordinária velocidade imagens de sacerdotes que, em diferentes contextos litúrgicos, usam posturas e comportamentos que não correspondem às orientações da Igreja Católica. Ele diz que, Sem julgar as motivações desse agir, estas posturas são expressões de ‘criatividade selvagem’ e que acabam difundindo a imagem de uma liturgia ‘show’, de baixa ou equivoca coerência com a identidade da liturgia da Igreja. “Estes vídeos não refletem o que acontece na grande maioria das comunidades eclesiais”, defende o religioso. 

40. RELÍQUIAS


A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), 302 orienta: “Se for oportuno, mantenha-se o uso de depositar sob o altar ser dedicado relíquias de Santos, ainda que não sejam mártires. Cuide-se, porém, de verificar a autenticidade de tais relíquias”.
A origem dessa praxe remonta aos albores do cristianismo. Já antes da paz constantiniana (313), os cristãos começaram a celebrar a eucaristia junto aos túmulos dos mártires. O culto mesmo aos Santos tem sua origem nesta tradição de recordar os irmãos e as irmãs que tinham derramado seu sangue pela fé, oferecendo grande exemplo à Comunidade toda. Depois que o imperador Constantino deu aos cristãos liberdade de culto, os restos mortais dos mártires são levados para dentro das cidades e colocados nas basílicas, as igrejas que são construídas a partir desta época para as celebrações litúrgicas, sempre mais solenes, dos fiéis.
Um exemplo muito significativo a esse respeito é oferecido por Santo Ambrósio, o grande bispo de Milão. Na dedicação da basílica onde ele mesmo queria ser sepultado, foi à procura de relíquias e encontra as dos Santos Gervásio e Protásio (386) e as coloca sob o altar com estas palavras: “É oportuno que as vítimas triunfantes tomem lugar onde o Cristo se oferece a si mesmo como hóstia: sobre o altar, aquele que se ofereceu por todos; sob o altar aqueles que foram por ele resgatados com a sua paixão” (cf. Dicionário, p. 287).
Diante da dificuldade de encontrar relíquias de mártires nos novos edifícios, encontra-se o jeito de substituir com objetos que tinham pertencido aos mártires, ou roupas que tinham tocado os túmulos dos mesmos. A igreja de Roma, porém, por muito tempo, não acolheu essa praxe.
A veneração das relíquias cresceu sempre mais ao longo da Idade Média; também começou e por séculos se difundiu o costume de acrescentar às relíquias um fragmento de pão eucarístico; a eucaristia mesma era usada para substituir as relíquias.
O Ritual de Dedicação de uma Igreja (n. 5) orienta: “Convém observar a tradição da liturgia romana de encerrar sob o altar relíquias dos corpos de Santos. Note-se, contudo, o seguinte: a) As relíquias deverão ser de tamanho suficiente para que se possa perceber serem de corpos humanos...”; b) “É preciso verificar com a máxima cautela se as relíquias são autênticas. É preferível consagrar um altar sem relíquias, a encerrar debaixo dele algumas duvidosas”; c) O relicário (recipiente onde se guardam as relíquias para se expor ao público) não será colocado nem em cima do altar, nem será encerrado na mesa dele, mas debaixo da mesa”.
As relíquias dos mártires, portanto, visam recordar que esses irmãos de fé hauriram a força do martírio de Jesus, o Mártir que por todos nós derramou seu Sangue como vítima, altar e sacrifício. O autor do Apocalipse (6,9) afirma: Vi debaixo do altar aqueles que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho que tinham dado.
Dom Armando

A LITURGIA É REALIDADE EVANGELIZADORA


Ontem,quinta-feira(12), na coletiva de imprensa, do segundo da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP), o nosso bispo dom Armando, falou sobre os assuntos referentes à liturgia que serão tratados na Assembleia.

Clique e veja, na íntegra, o texto da coleta de imprensa!

Veja também, a carta que os bispos, da 56ªAG, enviaram ao Papa Francisco!




Dom Armando explica a mensagem do Domingo da Misericórdia!

No segundo domingo da Páscoa a Igreja celebra a Divina Misericórdia, convidando os cristãos a se aproximarem de Deus sem medo de serem menosprezados ou rejeitados. A motivação partiu de São João Paulo II, em maio de 2000, e encontra amparo na consciência de que “foi na ressurreição que o Filho de Deus experimentou de modo radical a misericórdia do Pai, que é mais forte do que a morte” (João Paulo II, Carta Encíclica Dives in Misericordia).

O nosso bispo, dom Armando, explica que a decisão do papa tem uma longa história, ligada de maneira especial a Santa Faustina Kowalska, mística polonês, que aos 22 de fevereiro de 1931, numa das primeiras revelações de Jesus, recebeu o pedido que se celebrasse a “Festa da Misericórdia”. “A escolha deste domingo encontra motivações significativas nos textos litúrgicos. A oração do dia reza: ‘Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal’. A divina misericórdia acompanha a vida do povo de Deus que renova a sua fé com a celebração do mistério pascal”.

Clique aqui, e veja, na integra, toda reflexão sobre o domingo a “fortemensagem deste domingo de misericórdia!”



39. VESTES LITÚRGICAS


A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) 335 escreve: “Na Igreja, que é o Corpo de Cristo, nem todos os membros desempenham a mesma função. Esta diversidade de funções na celebração da Eucaristia, manifesta-se exteriormente pela diversidade das vestes sagradas”; orienta que as mesmas “contribuam para a beleza da ação sagrada”. O documento Sacrosanctum Concilium 124 recomendava: “Nas diferentes expressões artísticas”, se procure “mais a beleza nobre do que a mera suntuosidade”. Na liturgia, tudo e sempre deve acontecer e colaborar segundo os critérios de uma ‘nobre simplicidade’ e de uma ‘beleza essencial’.
O conhecido liturgista Aimé Martimort escreve: “A veste litúrgica, enquanto realça o exercício dos diferentes ministérios, serve para esconder nos ministros a sua individualidade para ressaltar a função exercida a serviço da comunidade e sua dignidade”. Não deve chamar a atenção sobre as coisas ou as pessoas, mas abrir os horizontes para a beleza eterna. No Apocalipse (7,9), se lê: Vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar ... vestiam túnicas brancas e traziam palmas na mão.
Na Tradição da igreja, uso e sentido das vestes entraram, aos poucos, a partir das vestes usadas na antiguidade romana. Seria complexo acompanhar a origem de cada uma e seu sentido próprio. Hoje em dia, na liturgia da igreja, usa-se a alva, veste sagrada comum a todos os ministros ordenados e instituídos de qualquer grau. O sacerdote, para a celebração da S. Missa, usa a casula ou a planeta sobre a alva e a estola. O diácono, sobre alva e estola, usa a dalmática (que pode ser dispensada, em celebrações menos solenes). "Os acólitos, os leitores e os outros ministros leigos podem trajar alva ou outra veste legitimamente aprovada pela Conferencia dos Bispos de cada região (IGMR 339).
A IGMR 340 explica a respeito do uso da estola por parte do sacerdote (‘em torno do pescoço’) e do diácono (‘a tiracolo). Ao n. 341 orienta a respeito do uso do pluvial pelo sacerdote “nas procissões e outras ações sagradas, conforme as rubricas de cada rito”. Uma significativa observação é dada pela IGMR 345: “As diferentes cores das vestes sagradas visam manifestar externamente o caráter dos mistérios celebrados, e também a consciência da uma vida cristã que progride com o desenrolar do ano litúrgico”. Observa-se que “em dias solenes podem ser usadas vestes sagradas festivas ou mais nobres, mesmo que não sejam da cor do dia” (IGMR, 346 g).
Considerando que a CNBB, até ao momento, não definiu a forma alternativa da veste litúrgica para os ministros leigos, estes deveriam limitar-se a usar a alva ou túnica branca. Quanto às cores das vestes litúrgicas, isto se aplica somente à dalmática e à casula com as respectivas estolas. Deveriam ser evitados adereços não previstos e que destoam da ‘nobre simplicidade’ da liturgia romana. Assim, ministrantes com escapulários que parecem pequenas planetas romanas, ou outras formas de ‘poncho’ usadas pelos leitores, que mais parecem casulas, deveriam ser evitadas pois ‘poluem’ o ambiente celebrativo com excesso de cores. Do mesmo modo, as toalhas de altar deveriam ser sempre brancas. O altar e o ambão devem ser ornados com moderação (cfr. IGMR 305).
 O chamado Cerimoniário clérigo (diácono ou sacerdote), levando em conta as normas vigentes, pode usar a sobrepeliz sobre a veste talar para se distinguir pela função. Os demais ministrantes ou servidores do altar deveriam abster-se de vestes diferentes das túnicas, que são as únicas previstas para o exercício dessas funções. O já estendido uso da veste talar com sobrepeliz por quem não é clérigo deve ser considerado ilegítimo e abusivo.
Dom Armando