MATRIMÔNIO 18

Nas leituras bíblicas que o ritual propõe para a liturgia do Matrimônio, encontramos quatro textos do evangelho de João. Trata-se de quatro páginas bem significativas que, no contexto da celebração litúrgica do matrimônio, adquirem sentido peculiar.
Começamos com as bodas de Caná (Jo 2,1-11). O evangelista observa que este foi o ‘início dos sinais de Jesus’. A página é repleta de simbolismo. Na atuação de Jesus, Deus realiza sua promessa de amor para com a humanidade. O vinho, que veio a faltar, e a água, nas talhas de pedra, transformada em vinho, falam dos tempos messiânicos que estão chegando. Maria, a mãe de Jesus, estava presente e intervém, evidenciando o constrangimento do casal. Jesus reage com palavras, aparentemente, duras; mas, nelas, Jesus manifesta a consciência da hora em que manifestará seu amor total para com a humanidade. Será a hora de sua morte e, para isso, Ele deve ser movido somente pela vontade do Pai; ninguém, nem a mãe, pode intervir. Novos laços de parentesco, agora, se instauram.
Lida no contexto do casamento, a página bíblica aponta para uma novidade de vida e para uma aliança de amor que o casal pretende realizar. Com sua presença, Jesus representa o novo Adão – como Maria a nova Eva – símbolo da nova humanidade. Cada casal com seu laço de amor abençoado por Cristo é chamado a ‘dar início’ a uma nova história que manifesta o amor de Deus para com a humanidade, seguindo o exemplo de Jesus. Maria aponta para isso.
Outra página do evangelho de João é tirada do capítulo 15, 9-16 (com dois textos, em seguida). Na longa conversa de Jesus durante a última Ceia, duas palavras recebem destaque: Permanecei no meu amor e Este é o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros. Lidas na liturgia do Matrimônio, as palavras de Jesus adquirem um sentido bem concreto: amar para um casal que casa ‘no Senhor’, significa permanecer na Palavra, isto é, viver unido a Jesus, Palavra definitiva do Pai. É Jesus que, com seu exemplo e com a doação de si mesmo, dá sentido à palavra amor. Amar significa dar a vida pela pessoa amada. O discípulo de Jesus deve estar consciente disso. Casar na Igreja comporta um amor maduro, alicerçado em Cristo, e permanecendo nEle. O cristão que casa no Senhor é chamado a ‘produzir fruto’ e responder à vocação de amar, alimentando uma confiança profunda no Pai, e viver esse amor na vida do dia-a-dia, na família, antes de tudo, espaço novo de sua existência.
Sustentados por essa espiritualidade, os que celebram seu amor no Senhor terão força para superar as dificuldades da vida matrimonial e poderão saborear e intimidade de uma vida de amor que, a cada dia, encontra nova seiva no amor do Senhor.
Tudo isso desejo aos casais que lerem esta página. Com a graça de Deus, possam ser sinais vivos e verdadeiros do amor de Jesus.
Dom Armando