LEITURAS:
Isaías
9,1-6
Sl
95,1-2a.2b-3.11-12,13 (R. Lc 2,11)
Tito 2,
11-14
Lucas
2,1-14
O Natal é um momento forte e muito esperado na
nossa vida cristã. Nossa sociedade Ocidental assimilou bem esse evento no qual
se celebra o nascimento de Jesus. É um momento de festa, sem dúvida, momento de
encontro e alegria para as famílias e amigos, não obstante esta mesma festa tenha
adquirido também um tom comercial, dado que Mercado apropria das coisas sagradas
para lucrar financeiramente com isso e, até mesmo, deturpar o seu real e
verdadeiro sentido.
Como Igreja vivemos o tempo litúrgico do Advento,
tempo interessante em vista da preparação para a culminância da festa do Natal.
O Advento preparou nosso espírito, mentes e corações para
esse grande dia. Nesse tempo temos revivido a espera ansiosa e fecunda
do povo de Deus que ansiava o dia da libertação. Sabemos que por muito tempo o
povo de Israel viveu essa expectativa da vinda do Messias. Obviamente aquele
povo que um dia teve um grande rei como Davi e outro grande rei como Salomão,
depois de anos de exploração e escravidão e muito sofrimento, eis que os
profetas anunciam a vinda de um Salvador. Ele nasceria da mesma linhagem
familiar do rei Davi e viria para salvar o povo do grande jugo, do grande peso
que já não mais suportava carregar.
O prenúncio do profeta Isaías é que esse Messias
será luz e trará uma paz duradoura. Esta era a esperança, pois o povo de Israel
tinha experimentado, através dos assírios, um longo tempo de terror com mortes,
torturas, explorações, etc.Na realização do projeto de salvação de Deus,
entretanto a lógica seguida não é de vingança, não é aquela dos homens. O povo
esperava um rei poderoso, forte, rico, guerreiro que esmagaria os inimigos.
Deus porém, segue uma outra pedagogia. Envia um rei indefeso, fraco, pobre, um
menino necessitado de ajuda. Será assim o modo despojado que Deus procurou
manifestar para o seu povo.
A carta de Paulo a Tito lida na liturgia do Natal diz
que “a graça de Deus se manifestou trazendo a salvação para todos os homens”
(2,11). O nascimento de Jesus Cristo, o ungido de Deus, é manifestação do amor
do próprio Deus quenos oferta o Filho para que este pudesse nos conduzir ao
Pai. Conduzir a Deus não é outra coisa senão salvação e também libertação.
Jesus nos mostrou como chegar ao Pai. Assim concluímos com segurança que todos
que acolheram e acolhem essa graça que é Jesus, já está salvo. Seria bom que
compreendêssemos aqui que salvação não se restringe a perdão de pecados ou
morte de Jesus na cruz, mas significa viver próximo de Deus e continuamente
buscando a Deus com o coração e atitudes. O texto de Paulo diz que a graça nos
ensina a abandonar as coisas do mundo e voltar-nos para Deus. Que seja assim.
O nascimento de Jesus que o Evangelista Lucas nos
narra, fala-nos que Maria deu à luz ao seu filho e o colocou numa manjedoura,
isto é, num coxo de dar alimentos para os animais. Esse fato revela a condição
em que Jesus chegou neste mundo. Já de início não encontrou acolhimento.
Imaginamos que o fato de Maria e José não encontrarem alojamento nas
hospedarias, revela a falta de atenção e acolhida. Eram, pois, pessoas
insensíveis diante da necessidade humana que necessita de o mínimo de
solidariedade.
Foi nesse ambiente de falta de sensibilidade
humana que o filho de Deus encontra com a humanidade. Na lógica de Deus certamente
o envio do seu filho para encontrar homens sem hospitalidade era necessário
para trazer a sua graça terna capaz de transformar corações endurecidos pelo
egoísmo e pela maldade. Porém, diante da frieza daquela sociedade, quando nasce
Jesus, os anjos, mensageiros de Deus aparecem para manifestar a alegria e dar o
reconhecimento daquele que tinha acabado de nascer. Juntando-se aos excluídos e
pobres pastores, entoam cantos dando glória, honra e louvor ao Altíssimo. Aos
homens amados por Deus chega a paz, com a chegada do Salvador. Assim podemos
mesmo afirmar com força que depois de Jesus é impossível pensar ou não lutar
por um mundo onde reina e deve reinar a paz. Abramos, pois, com amor, os nossos
corações e permitamos experimentar o nascimento de Jesus na nossa existência
para que o Natal seja realmente de alegria e de paz.
Padre Nicivaldo O. Evangelista
Pároco de Ibitiara
