Leituras:
Jó 19,1.23-27a
Sl 22(23)
1Cor 15,20-24a. 25-28
Lc 12,35-40
No dia 02 de novembro, a Igreja recorda todos os fiéis
que já faleceram. Trata-se de um momento oportuno para refletir a finitude da condição humana, bem como a realidade
espiritual dos batizados e a comunhão da Igreja.
A primeira leitura é tirada do livro de Jó. Este livro do Antigo Testamento permite uma reflexão profunda sobre a
condição da vida humana. Jó é um homem que passa pelo sofrimento, mas não
encontra uma explicação para esse seu estado. Muitos acreditavam que o sofrimento era causado pelo pecado. No entanto, Jó era um homem justo e, ainda assim, afligido
pelo mal. Como explicar esse dilema?
Para o texto bíblico, não se trata de investigar uma causa para o sofrimento. Ainda que seja uma pessoa boa, o ser humano é um ser limitado, frágil, finito, sujeito a tantas adversidades. No trecho da leitura que ouvimos, Jó tem uma esperança: sabe o que o seu Redentor vive, está atento aos seus clamores, e que, no fim, contemplará Deus com seus próprios olhos, será por Ele acolhido graças à sua vida justa. Desse modo, mesmo em meio a tantos sofrimentos e dificuldades em que se encontra, Jó tem esperança, que é alimentada pela sua fé em Deus.
Para o texto bíblico, não se trata de investigar uma causa para o sofrimento. Ainda que seja uma pessoa boa, o ser humano é um ser limitado, frágil, finito, sujeito a tantas adversidades. No trecho da leitura que ouvimos, Jó tem uma esperança: sabe o que o seu Redentor vive, está atento aos seus clamores, e que, no fim, contemplará Deus com seus próprios olhos, será por Ele acolhido graças à sua vida justa. Desse modo, mesmo em meio a tantos sofrimentos e dificuldades em que se encontra, Jó tem esperança, que é alimentada pela sua fé em Deus.
Essa esperança que Jó possui deve ser também assumida pelos
cristãos, inclusive quando deparamos com a realidade da morte. A ressureição de
Cristo é a certeza de que a morte não tem uma palavra definitiva para a
humanidade. Como Paulo ensina aos coríntios: “como em Adão todos morrem, assim
também em Cristo todos reviverão” (1Cor 15,22). Se possuímos uma condição
limitada nessa vida terrena, em Cristo partilhamos a certeza da ressurreição.
Desse modo, a morte não é o fim. Não deve ser causa de
desespero. Para nós que cremos “a vida não é tirada é transformada”. Na morte,
abandonamos a existência e as limitações terrenas para assumir uma nova vida em
Deus. Como seres humanos, herdamos a condição finita e limitada. Como batizados,
filhos de Deus, partilhamos da nova vida em Cristo.
Além de acenar para esse aspecto, a liturgia de hoje chama
atenção também para a comunhão da Igreja. Aqueles que partem para junto de Deus
estão separados de nós, mas fazem comunhão conosco na fé. Em toda Eucaristia
nos lembramos “dos nossos irmãos e irmãs que morreram na esperança da
ressurreição”. Nesse espírito de comunhão, cremos que nossas orações os
alcançam e eles também intercedem por nós. Como se reza na oração sobre as
oferendas “Cristo une mortos e vivos no seu mistério de amor”. Por isso, a
Eucaristia que celebramos, sobretudo neste dia dedicado especialmente à lembrança
dos que faleceram, nos põe em comunhão com eles na certeza de que formamos uma
mesma Igreja, comunidade dos discípulos de Cristo, em que uns sustentam os
outros na oração.
Por fim, a liturgia nos alerta também a prestar atenção ao
nosso hoje. A mensagem do Evangelho é a vigilância, o estar preparados. Não
sabemos o dia nem a hora, por isso precisamos viver cada dia da melhor forma
possível, sendo fiel a Deus e ao evangelho. Nada melhor do que terminar a nossa
existência terrena sabendo que deixamos um bom legado. Nada melhor do que nos
despedir das pessoas que amamos sabendo que, enquanto estavam vivas,
manifestamos a elas todo amor que deveríamos dar. Na realidade da morte, muitas
vezes, a pior dor que sofremos não é a da separação, mas o remorso por não
termos feito o que deveríamos.
Que esta celebração, que realizamos a cada ano, nos ajude a tornar
“mais viva a nossa esperança na ressurreição”, nos faça mais confiantes na
comunhão de todos os batizados e nos permita aproveitar melhor o tempo que dispomos
na companhia dos que amamos, para que quando a morte bater a nossa porta,
permaneça apenas a saudade, as boas lembranças e não a dor do remorso.
Diác. Jandir Silva
