Amados irmãos e irmãs de nossa querida Diocese
de Livramento de Nossa Senhora. Bendigamos em um só côro ao Senhor Nosso Deus,
que nos presenteia com mais um domingo, dia de tomarmos parte às mesas da
Palavra e da Eucaristia e de haurir as forças necessárias para nossa missão
cristã. O “Bom Mestre” continua nos convidando a segui-lo através do Evangelho
segundo São Marcos, e, nesta liturgia, nos apresenta uma exigente provocação
quando propõe ao jovem rico o requisito para ganhar a vida eterna: “Vai, vende
tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e
segue-me!” (Mc 10,21). O jovem vai embora triste porque era muito rico e Jesus
diz aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” (Mc
10,23). Os discípulos se admiraram das palavras de Jesus como, com certeza,
muitos ficam admirados ao ouvi-las hoje, sobretudo na sociedade capitalista em
que vivemos, que prega o lucro desmedido, as vantagens advindas da riqueza e
onde o sujeito de referência é o mais abastado, ainda que este status lhe tenha
sido adquirido por meio de fraudes e injustiças. Somos chamados, portanto, e
como cristãos, a andar na contramão desta mentalidade. Sabemos da necessidade
que todos temos do dinheiro e dos bens como subsistência. Todavia, não devem
ser estes a fonte de nossa confiança e segurança, senão Deus mesmo. E o pobre é
sinônimo daquele que confia só em Deus, porque é tudo que tem. Só lhe resta
abandonar-se à sua onipotência, como a criança que se abandona a seus pais.
“Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é
possível” (Mc 10,27), diz Jesus. Tudo isso vai ao encontro da mensagem dada na
1ª leitura, do livro da Sabedoria. O rei Salomão, voltando-se a Deus em oração,
recebe o discernimento para comparar as riquezas e prazeres terrenos à
sabedoria, concluindo que esta é superior àqueles. “Sabedoria” é um outro nome
para designar “Deus”, cuja majestade supera “cetros e tronos” (Sb 7,8), pedra
preciosa, ouro, prata (Sb 7,9), “saúde e beleza” (Sb7,10). Todas estas coisas,
embora sejam de sua autoria, são acréscimos. O essencial permanece o Reino e
sua justiça: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, pai,
filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora,
durante esta vida – casa, irmãos, mães, filhos e campos, com perseguições – e,
no mundo futuro, a vida eterna” (Mc 10,29-30). Voltemo-nos, portanto, para
Jesus Cristo, Filho de Deus e nosso irmão, Palavra viva e eficaz de Deus (2ª
leitura), Sabedoria eterna, nossa Salvação. Acolhamos seu pedido de entrega
amorosa, de adesão ao seu Reino, de doação sem medida. Não basta somente
cumprir os preceitos, é preciso ir além, abandonando-se em Deus. Ele nos acolhe
com misericórdia. Conhece nossas dificuldades e limites: “Jesus olhou para ele
com amor” (Mc 10,21); “Não há criatura que possa ocultar-se diante dela
(palavra de Deus)” (Hb 4,13). Pede, porém a nossa resposta: “é a ela que
devemos prestar contas” (Hb 4,13). Que o Divino Espírito que habita em nós nos
encoraje sempre mais na configuração ao Filho Jesus e, por ele, ao Pai.
Seminarista Weverson Almeida
