Gn 15, 5-12.17-18
Sl 26
Fl 3, 17. 4, 1
Lc 9, 28b-26
Queridos irmãos e
irmãs, a liturgia deste domingo, nos convida a novas atitudes, mudança de vida,
olhos fixos e escuta atenta daquele que nos convida a subir o monte com ele. Na
primeira leitura, a figura de Abraão nos é apresentada como homem de fé, que
escuta atentamente o que Deus lhe fala, ainda que, em certo momento, parece
duvidar das promessas do Senhor, devido às dificuldades para realizar tal
missão, uma vez que ele e sua esposa, Sara, já são de idade avançada. A segunda
leitura nos mostra São Paulo falando daqueles que se comportam como inimigos da
cruz de Cristo, pois as suas preocupações são apenas terrenas. O modo de se
comportar do cristão deve ser diferente, pois, como nos diz o apóstolo: “somos
cidadãos do céu”. E, hoje, esta liturgia ainda nos quer falar deste santo lugar
que possui uma morada preparada pelo Cristo para cada um de nós, que vivemos
iluminados por esta fé. E para falar de céu, eis que Jesus sobe o Monte Tabor
levando três testemunhas: Pedro, Tiago e João, e se transfigura diante deles.
Como diz o evangelista, o seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito
branca e brilhante, e apareceram, ao seu lado, dois personagens do Antigo
Testamento: Moisés e Elias, conversando com ele sobre a paixão. Cristo Jesus é
Deus e homem, tem duas naturezas: a humana e a divina. Como Deus, ele não
morre, é eterno; mas, como homem, ele tem tudo igual a nós; sentiu dor,
tristeza, angústia, fome, sede, abandono dos seus amigos, cansaço; quer dizer,
em tudo, é igual a nós, menos no pecado. Mas, a divindade sempre esteve em
Cristo, porque Ele é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, é o verbo que se
fez carne, Deus feito homem; não são duas pessoas, é uma pessoa só, e divina. Por isso, o normal em Jesus era o que
os apóstolos estavam contemplando: Jesus transfigurado, mostrando naquele
momento um pouco da sua divindade; o normal seria ele estar sempre assim. No
entanto, ele mostrava-se como um homem qualquer, com uma diferença: suas
atitudes eram diferentes daqueles homens que se consideravam os donos da verdade. Como estava se aproximando a sua
paixão, e temendo o que a cruz poderia causar nos seus discípulos, deixando-os
escandalizados, uma vez que a cruz era escândalo para os judeus, ele quis
preparar os seus seguidores para tal episódio. Escolhe três testemunhas: Pedro,
o primeiro chefe da Igreja; Tiago, o primeiro apóstolo a derramar o seu sangue
por amor a Cristo e João, o discípulo amado .Pedro fica tão extasiado que diz:
“senhor é bom estarmos aqui”; e naquele êxtase diz: “se o Senhor quiser, vamos
fazer três tendas, uma para ti, outra pra Moisés e outra para Elias”. Aquela
alegria, cercada de emoção e esplendor, é apenas uma pálida amostra do que Deus
tem preparado para nós. E, mais uma vez, somos chamados a observar o que Paulo
nos fala na segunda leitura: “Ele transformará o nosso corpo humilhado e o
tornará semelhante ao seu corpo glorioso”, pois somos cidadãos do céu. Mas,
para falar de céu é muito difícil, é algo que não se pode descrever. Nós
podemos ter noções do que seja quando participamos da Santa Missa, mesmo assim
é impossível esgotar a sua profundidade. Homem algum vai conseguir descrever a
grandeza e as maravilhas do céu. Se ficamos extasiados ao contemplarmos algumas
obras da natureza como cachoeiras, montanhas, florestas, flores etc., tanto
mais ficaremos quando tomarmos posse de nossa cidadania e contemplarmos as
maravilhas daquele santo lugar preparado com amor para todos nós. Como Abraão, hoje somos chamados a olharmos para o céu, não
simplesmente para contar as estrelas, mas sim para perceber a grandiosidade da
criação que brilha sobre as nossas cabeças. Sejamos, pois, homens e mulheres
que reconhecem, a cada dia, a beleza e a grandiosidade de nosso Deus, que nunca
nos desampara, mas caminha ao nosso lado, nos preparando para a eternidade. O
caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova é o
caminho da escuta atenta de Deus e do seu projeto, o caminho da obediência
total e radical aos planos do Pai.
Diácono Marcelo
de Jesus Pires.
