Êxodo 12, 1-8. 11-14
1Coríntios 11,23-26
Salmo 115
João 13, 1-15
Amados
irmãos e irmãs animados com a força que vem do Senhor, hoje celebramos a
instituição do sacramento do amor-doação. Da entrega livre e serviçal do Cristo
Sumo Sacerdote em favor da humanidade. Recordamos juntamente com a instituição
da Santíssima Eucaristia, o sacerdócio ministerial. Que os homens que o Senhor
chamou para que tivessem “parte com Ele”; que aqueles que Ele lavou os pés para
que façam a mesma coisa, recebam preces e sacrifícios em favor de sua missão.
No
Evangelho depois do ensinamento prático de Jesus, Ele faz um questionamento aos
seus: “Compreendeis o que acabo de fazer?”. De fato, diante de realidades que
se configuram fundamentalmente no ter, no consumir e numa buscar desenfreada de
felicidade como contentamento pessoal e na qual a tristeza, sofrimentos e
limitações não fazem parte, se torna complexo a atitude do Cristo. É dia de
festa, é o encontro celebrativo para se comer a páscoa, e o mestre que deveria ser
servido e tudo receber em suas mãos, quebra o ritmo costumeiro das tradições e
da comodidade humana e se rebaixa – “esvaziou-se de si mesmo” – e num ato de
simplicidade, amor, humildade lava os pés dos discípulos. E não assusta
simplesmente porque Ele fez isso, mas porque manda que os que querem lhe seguir
faça a mesma coisa: “se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós
deveis lavar os pés uns dos outros”. É um tanto desconfortante e ao mesmo tempo
maravilhoso (para os que lhe abrem o coração) ver que Aquele que é esperado
como Rei, Senhor soberano, que tem nas mãos todo o poder de criar, salvar,
conduzir e libertar, seja apenas, Aquele que serve.
Causa
estranhamento para aqueles que se esqueceram que Jesus veio: “para que todos
tenham vida e a tenham em abundancia”, que Ele veio para “servir e não para ser
servido”. Ao contrário, será algo sempre belo e comum para os que se deixam ser
conduzidos por Ele e realizam uma experiência tão profunda, que em cada
encontro para celebrar a Ceia, na qual o Filho único e amado do Pai, ao
entregar-se à morte, deu à Igreja – que nós somos – um novo e eterno
sacrifício, como banquete do seu amor, nos aproximaremos da plenitude da
caridade e da vida. Esta é a oração que ouviremos depois do hino do glória,
como a grande prece da Igreja.
Recordar
o memorial da Páscoa é também um grande convite do Pai para realizarmos uma
passagem com o Cristo. A passagem do egoísmo e do individualismo que nos faz
pensar somente “no meu eu”, para uma vida na qual, somos valorizados, mas
conosco estão também valorizadas e amadas as pessoas, como nossos irmãos, o
mundo como lugar privilegiado de encontro com Deus, com os irmãos e consigo; é
realizarmos uma páscoa de uma vida despercebida, sem sentido e vazia, para uma
vida que encontra sua plenitude no serviço amoroso uns aos outros e ao próprio
Deus.
Que nesta solene
celebração da Ceia do Senhor todos, na alegria nos sentemos à Mesa do Cordeiro
Pascal e vivendo essa unidade de corações testemunhemos ao mundo, na alegria,
que somos cristãos porque temos os pés lavados pelo Cristo e com ele nos
ajoelhamos para lavar tantos pés cansados, machucados e animá-los nas estradas
da vida.
Pe. Gonçalo Aranha