Há muitos meses, estou apresentando a
celebração litúrgica do Matrimônio, sacramento da nossa Igreja católica. Hoje,
concluindo, quero acrescentar algumas palavras a respeito dos ritos que seguem
a bênção nupcial. Se o Matrimônio for celebrado dentro da celebração
eucarística, então, omitem-se as orações Livrai-nos
e Senhor
Jesus Cristo, e
o sacerdote diz: A
paz do Senhor esteja sempre convosco; ao convite de quem preside a
celebração, os recém-casados ‘se dão o ‘ósculo da paz’. Os pais cumprimentam os
filhos e todos se dão o sinal da paz. Segue a comunhão, um momento de silêncio
e a Oração
depois da Comunhão. Nessa oração, pede-se que os novos esposos “animados
pelo vosso Espírito Santo, possam viver e testemunhar no seu lar e no mundo o
amor que Jesus revelou”.
Se o casamento for celebrado sem missa,
então, depois da bênção nupcial, segue a ‘Conclusão da celebração’, isto é, uma
última saudação aos recém-casados e a bênção final. Nessa, pede-se que Jesus,
‘que participou das bodas de Caná, derrame suas bênçãos sobre o casal e todos
os presentes’; o Cristo, ‘que amou a Igreja até o fim, derrame continuamente o
seu amor no coração dos fiéis’; e, ainda, que o casal se torne ‘testemunha da
ressurreição do Senhor’ e espere ‘com alegria a felicidade prometida’. Outra fórmula
de bênção invoca que ‘a paz de Cristo permaneça na casa’ do novo casal; que
Deus dê ‘a bênção dos filhos, o apoio dos amigos e a paz com todos’; enfim, que
o casal saiba abrir ‘a porta de sua casa para acolher os pobres e os sofredores
que um dia os acolherão agradecidos na casa do Pai’.
As palavras da liturgia são repletas da
concretude da vida iluminada pela fé. Com certeza, essas expressões podem
orientar a vida de um casal que celebra seu recíproco amor em Cristo Jesus.
Toda bênção abre para um empenho de vida. O dom de Deus é chamado a se
encontrar com a disponibilidade do ser humano.
Constatamos, porém, tantas vezes, uma
grande distância entre as palavras da liturgia e a praxe de celebrar o
Matrimônio cristão. Modas e modelos mais ligados às propostas das novelas, bem
diferentes do espírito da liturgia entraram na igreja, evidenciando a falta de
compreensão da celebração litúrgica.
Aproveito a oportunidade para dizer aos
noivos que não ridicularizem a celebração litúrgica
introduzindo elementos esquisitos e substancialmente pagãos! Procurem
compreender o sentido rico e bonito da liturgia; deixem vaidades e todo ‘estilo
novela’ e se, de fato, estiverem com fé, expressem essa fé com uma celebração
litúrgica repleta da alegria de músicas bem escolhidas, animação litúrgica de
qualidade, proclamação das leituras feita por amigos que saibam bem proclamar;
oração dos fiéis adaptada à realidade celebrativa, e alguns gestos e símbolos
que deem à celebração a cor da festa de uma família reunida no
nome do Senhor, esposo da sua Igreja que ele amou ‘e se entregou por ela...
purificando-a com o banho da água unida à Palavra’ e ‘quis apresentá-la a si
mesmo esplêndida, sem mancha nem ruga, nem defeito algum”: são as palavras do
apóstolo Paulo (Ef, 5).
Então, sim, o Matrimônio adquirirá seu
sentido verdadeiro e a força da graça divina acompanhará o casal nos desafios
da vida familiar. Esse é o meu desejo!