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A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - 12

Nossa reflexão sobre ‘batismo de crianças’ chega ao fim, analisando os ritos finais. Compreendem três momentos: a oração do Senhor, a bênção e a despedida.
Vimos que, na celebração de batismo, os ritos deveriam acontecer em quatro lugares: a acolhida, à porta da igreja; a liturgia da Palavra, nos bancos próximos ao ‘batistério’ ou pia batismal; a renovação das promessas batismais e o rito do batismo com seus ritos complementares, ao redor do ‘batistério’; enfim, todos que participam da celebração – se o espaço permitir – aproximam-se do altar, levando acesa a vela dos que foram batizados e cantando um canto batismal.
Junto ao altar, quem preside diz: “Esta criança que foi batizada é chamada, em Cristo, a viver plenamente como filha de Deus Pai. Por isso, ela precisa também ser fortalecida pelo Espírito Santo no sacramento da confirmação e alimentada na Ceia do Senhor”. Ao redor do altar, todos rezam a oração do Senhor, o Pai nosso. Pode-se concluir com as palavras (do livro antigo da Didaqué): “Pois vosso é o reino, o poder e a glória para sempre”.
Com esse rito, a igreja recorda que batizar uma criança é só o primeiro passo e que têm mais outros dois sacramentos da iniciação cristã, crisma e eucaristia. O batismo é o ‘sacramento de entrada na igreja’, mas, pede-se que a iniciação à fé continue até a sua plenitude. Por razões que aqui não temos a possibilidade de explicar, há pouco mais de um século, a eucaristia foi antecipada e – de costume – é celebrada antes da crisma; mas, o sacramento da ‘maturidade cristã’ é a eucaristia.
Em seguida, quem preside abençoa a mãe, o pai e os padrinhos. À mãe, o texto do ritual deseja que ‘seja feliz vendo seu (sua) filho(a) crescer em idade, sabedoria e graça’; ao pai, faz-se votos que ‘unido à sua esposa, tenha a alegria de oferecer condições de vida digna para seu (sua) filho(a) e o incentivo da fé’; aos padrinhos, ‘que sejam membros vivos do povo de Deus’.
Enfim, antes da despedida, tem um rito breve e significativo, ao qual o povo, por antigo costume, dá muita atenção e chama, impropriamente, de ‘consagração a Nossa Senhora’. O ritual o chama de ‘ato de devoção a Maria’, ato com que ‘se confia a criança à especial proteção de Maria, Mãe de Deus e dos discípulos de Jesus’. A oração pede que a criança, ‘conduzida pelo Espírito, seja fiel ao Evangelho, cresça em sabedoria, idade e graça na Igreja e diante de Deus’.
Finalizando, destaco mais um convite: todos reflitam a respeito das palavras e dos gestos com que se celebra o sacramento do batismo. Trata-se de palavras e gestos muito significativos. É preciso que os cristãos tomem consciência e vivam o que celebram, com coerência e fidelidade. Por isso, antes da celebração, pais e padrinhos sejam esclarecidos a respeito do sentido do batismo de um filho ou afilhado. Por esse motivo, são propostos os encontros de preparação ao batismo por parte das Paróquias; visam ajudar a compreender melhor esse momento importante na vida de uma família cristã. Desse modo, o sacramento não será só um ato de tradição ou um rito mágico, mas um sinal da fé da Igreja, que pais e padrinhos manifestam, junto ao compromisso de ‘educar’ na fé a criança que é batizada.
Desejo que todos possam compreender e valorizar o que a Igreja – como mãe – deve e procura ensinar.

Dom Armando 

A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - 11

Continuamos nossa reflexão sobre a celebração do batismo de crianças. Depois do rito da luz, encontramos dois ritos ‘opcionais’. Trata-se da ‘entrega do sal’ e do ‘Éfeta’. O primeiro é fácil de entender; lembra da palavra de Jesus (Mt 5,13): Vocês são o sal da terra. O ritual diz: “a mãe põe um pouco de sal na boca da criança”.
O cristão é chamado, pela palavra de Jesus, a ser pessoa que, com suas escolhas e estilo de vida, demonstra quais valores dão sabor e sentido à sua vida. O papa Francisco, entre as numerosas palavras com que pede à Igreja para ter mais ‘sabor’, escreve (EG 39): “O Evangelho convida, antes de tudo, a responder a Deus que nos ama e salva, reconhecendo-O nos outros e saindo de nós mesmos para procurar o bem de todos”. Eis uma maneira de ser ‘sal’ com a própria vida. Na passagem paralela, o evangelista Marcos escreve: Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros (Mc 9,50). O evangelista Lucas, também, recorda esta palavra de Jesus: se o sal se tornar insosso, com que há de temperar? Não presta para a terra, nem é útil para estrume: jogam-no fora (14,34). Aparece claramente a preocupação de Jesus – e do evangelista - que os discípulos ‘percam o sabor’.
Outras palavras de papa Francisco nos questionam (EG 81): ”Quando mais precisamos dum dinamismo missionário que leve sal e luz ao mundo, muitos leigos temem que alguém os convide a realizar alguma tarefa apostólica e procurem fugir de qualquer compromisso que lhes possa roubar o tempo livre”. Chama a atenção, também dos sacerdotes que ‘se preocupam excessivamente com o seu tempo pessoal... como se uma tarefa de evangelização fosse um veneno perigoso e não uma resposta alegre ao amor de Deus que nos convoca para a missão”.
Enfim, mais um rito facultativo, chamado de ‘Éfeta’ (cf. Mc 7, 34), palavra de Jesus que significa Abre-te. Lembra da cura de um surdo gago realizada por Jesus na região da Decápole. Conta o evangelista Marcos que Jesus levou o homem a sós, para longe da multidão, colocou os dedos nas orelhas dele e, com saliva tocou-lhe a língua. Depois, levantando os olhos para o céu, gemeu, e disse: Éfetá, que quer dizer: ‘Abre-te!’. Imediatamente abriram-se-lhe os ouvidos e a língua se lhe desprendeu, e falava corretamente. Quem preside, toca os ouvidos e a boca da criança e diz: “O Senhor Jesus, que fez os surdos ouvir e os mudos falar, te conceda que possas logo ouvir sua Palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai”.
São ritos simples, mas significativos, e vale a pena realizá-los; se compreendidos, transmitem uma mensagem muito bonita e inspirada em palavras e gestos do mesmo Jesus.
Uma última anotação do ritual: “Se a comunidade eclesial tiver distintivo próprio, este é o momento conveniente para entregá-lo à criança como sinal de pertença”.
Desejo que estes ritos ajudem a compreender melhor a riqueza e as exigências do sacramento que nos tornou filhos e filhas de Deus e membros da Igreja.
Dom Armando


A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - 10

Estamos refletindo sobre a celebração do batismo de crianças. Depois dos ‘ritos complementares’ da unção com o óleo do crisma e da entrega da veste branca, temos o rito da luz. Quem preside, apresenta o círio pascal e diz: “Recebe a luz de Cristo”. Pode-se também cantar, como na Vigília pascal: “Eis a luz de Cristo”, e todos respondem: ‘Demos graças a Deus’.
A rubrica orienta para que ‘o pai, ou, na sua ausência, o padrinho, acenda a vela no círio pascal. Esse é um gesto muito simples, mas tão bonito e significativo. O sentido do rito é explicado com algumas palavras ditas, por quem preside, à criança: “Querida criança, foste iluminada por Cristo para te tornar luz do mundo. Com a ajuda de teus pais e padrinhos, caminha como filho/a da luz”.
Recorda-se, desse modo, qual é a vocação do cristão: ‘ser luz do mundo’, como disse Jesus (Mt 5,13-16), para segui-Lo, Ele que é a Luz do mundo: ‘quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida’. O simbolismo da luz é muito significativo em toda cultura e ambiente. A experiência da luz e das trevas pertence às nossas experiências mais profundas.
Colher no simbolismo o sentido evangélico, porém, não é imediato. Como o discípulo de Jesus é chamado a ser ‘luz do mundo’? Respondo com um texto, muito significativo, do papa São João Paulo II, na carta encíclica ‘O Esplendor da verdade’ (6 de agosto de 1993): “O esplendor da Verdade brilha em todas as obras do Criador, particularmente no ser humano criado à imagem e semelhança de Deus “ (cf. Gn 1,26). Logo em seguida, acrescenta: “Chamados à salvação pela fé em Jesus Cristo, luz verdadeira que a todo homem ilumina (Jo 1,9), os homens tornam-se ‘luz no Senhor e filhos da luz (Ef 5,8) e santificam-se pela obediência à verdade (1Pd 1,22)” (VS 1). A encíclica, em seguida, recorda o documento conciliar Lumen Gentium – Luz dos povos ­– texto maravilhoso sobre a Igreja, e se lê: “Jesus Cristo luz dos povos, ilumina a face da sua Igreja, que envia pelo mundo inteiro a anunciar o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15)” (VS 2).
Eis a vocação do cristão e da Igreja: iluminar, refletindo a luz de Cristo. O rito, singelo e significativo da vela acesa que tanto anima os que participam da celebração de batismo, contém um ensinamento muito concreto. Na preparação ao batismo, vale a pena refletir, sobretudo com pais e padrinhos, a respeito disso: como refletir, hoje, a luz de Cristo em nossa realidade social, cultural, política e eclesial? Os desafios são numerosos, mas o cristão sabe que, quanto mais se deixar iluminar e transformar por Cristo, tornar-se-á ‘luminoso’ da sua luz. Os biógrafos contam que Teresa de Lisieux – a santa Terezinha – quando saía da oração tinha o rosto luminoso. Isso deve acontecer com todos. Batizar uma criança, então, significa ajudá-la a ser luminosa, refletindo a luz dos pais e padrinhos, se esses forem iluminados pela fé. É grande responsabilidade batizar uma criança, e também tão lindo!

Dom Armando

A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - IX


Estamos refletindo sobre os ritos da celebração do batismo de crianças. Vimos o sentido da água derramada sobre a cabeça da criança. Nesse momento, quem preside pode realizar também ‘o rito da aspersão da assembleia’, para que os participantes da celebração recordem o seu batismo; enquanto isso, canta-se um hino ou salmo apropriado.
Em seguida, o Ritual propõe alguns ritos complementares. O primeiro é a unção pós-batismal feita na testa da criança com o óleo do crisma. Em nossa Igreja católica, desde antigamente, batismo e crisma foram separados para permitir ao bispo realizar a unção crismal. Mas, a presença do divino Espírito e sua força renovadora não é reservada ao sacramento da crisma. No batismo, já temos uma unção e se pede ao Pai que consagre a criança “com o óleo santo, para que, inserida em Cristo, sacerdote, profeta e rei, continue no seu povo até a vida eterna”.
Ungir é gesto muito significativo. O povo de Deus derramava óleo para expressar a escolha e a consagração de alguém indicado para servi-lo. Por exemplo, no primeiro livro de Samuel, lê-se que Deus ordena a Samuel: “Enche de azeite o teu vaso e vai!” (1 Sm 16,1); e quando Davi aparece na presença do profeta, o Senhor disse a Samuel: “Levanta-te e unge-o: é ele!”. Então, “Samuel apanhou o vaso de azeite e ungiu-o na presença dos irmãos. O Espírito do Senhor precipitou-se sobre Davi” (1 Sm 16, 12-13).
Fiel à linguagem bíblica, a liturgia, através da unção, manifesta que Deus escolheu alguém para colocá-lo ao serviço do povo e, por isso, consagra-o, isto é, enche-o com a sua presença amorosa e lhe dá a força para exercer a sua missão, na fidelidade e generosidade. Outra oração, que acompanha essa unção, diz: “Agora que fazes parte do povo de Deus, segue os passos de Jesus e permanece nele para sempre”. É muito importante que os cristãos tomem consciência disso. A catequese em preparação ao batismo para pais e padrinhos encontra nos ritos numerosas propostas de reflexão.
Segue o rito da ‘veste batismal’. O Ritual orienta: “A criança será revestida com a roupa branca ou de outra cor, segundo a sensibilidade e os costumes locais. Ou faça-se uma alusão à veste que já está usando”. Quem preside diz: “(Nome) nasceste de novo e foste revestido de Cristo”. Na bíblia, encontramos numerosas referências à veste, sobretudo da cor branca. Por exemplo, em Apocalipse 3,5, lê-se: “O vencedor se trajará com vestes brancas e eu jamais apagarei seu nome do livro da vida”; em 6,11: aos que “tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho que dela tinham prestado” (6,9), “a cada um deles foi dada uma veste branca”. Portanto, a veste é sinal da dignidade de filhos de Deus que se recebe com o batismo. Por isso, a oração termina com o convite “a conservar a dignidade de filho / filha de Deus até a vida eterna”.
Desejo que tomemos consciência disso para que nossa vida cristã seja mais coerente e fiel ao batismo que recebemos.
Dom Armando

A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - VIII

Na apresentação do rito da ‘celebração do batismo de crianças’, chegamos ao momento em que se derrama a água sobre a criança que está sendo batizada. O costume de nossa Igreja católica é de derramar água sobre a cabeça do batizando. Observemos, porém, o que se lê no ritual: “Convém que a água seja abundante, de modo que o batismo apareça como verdadeira passagem pela água ou banho. O batismo pode ser realizado das seguintes maneiras: 1) mergulhando a criança parcial ou totalmente na água; 2) derramando água sobre a cabeça da criança e deixando-a escorrer sobre todo o corpo; 3) derramando água somente sobre a cabeça”.
Quem preside o batismo diz: “Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, enquanto mergulha a criança ou derrama água, por três vezes.
São gestos e palavras simples, bem conhecidas e, todavia, muito significativas. A água é sinal de vida e de morte. A água serve para muitos usos: molhar a terra, tomar banho, lavar roupa, fazer comida, limpar, produzir energia etc. A água pode ser causa de morte, por enchentes ou afogamento. Com todos esses e mais outros sentidos, o simbolismo da água entra no batismo.
A Palavra de Deus nos ilumina a esse respeito. Lembremos o que escreve o apóstolo Paulo: “Será que ignoreis que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova” (Rm 6,3-4).
Pelo batismo, portanto, nós mergulhamos em Cristo, por intermédio d’Ele, recebemos a vida nova, entramos na família dos filhos de Deus, somos ‘marcados com o selo do Espírito Santo’ (cf. Ef 1,5. 13). Ainda são Paulo, na carta aos Gálatas (3,27) escreve: “Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo”. O apóstolo Pedro, em sua primeira carta, nos transmite provavelmente uma catequese da Igreja primitiva feita por ocasião do batismo. Lembrando do dilúvio e da arca de Noé, afirma: “À água corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação. Pois o batismo não serve para limpara a sujeira do corpo, mas é o compromisso de uma boa consciência para com Deus, em virtude da ressurreição de Jesus Cristo” (1 Pd 3,21). “Cristo é, o novo Noé, cabeça e primogênito da nova criação, que com sua morte e ressurreição nos libertou ‘pelo batismo pascal’ do velho, do pecado, e fez de nós uma nova raça, uma humanidade renovada (cf. 1 Pd 2,1-10)” (Boróbio, citando J. Jeremias: A celebração na Igreja, 2, p. 99).
Os textos bíblicos a respeito desse assunto são numerosos. Poderíamos continuar... Cada batizado relembre do seu batismo que o tornou ‘nova criatura em Cristo’ e peça a luz e a força do Espírito para viver, a todo dia, coerente com esta dignidade de filho e filha, irmão e irmã em Cristo Jesus.
Dom Armando


A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - VII

Na última reflexão, analisamos a renovação das promessas batismais por parte de pais e padrinhos. É pela fé deles e da Igreja, que a criança recebe o ‘sinal da fé’ em Jesus, o Filho de Deus que viveu entre nós, anunciou o Evangelho da misericórdia e da bondade de Deus, foi morto e venceu a morte. As promessas se encerram com as palavras: “Esta é a nossa fé que da Igreja recebemos e sinceramente professamos”.
Em seguida, quem preside pergunta a pais e padrinhos: “Vocês querem que (diz o nome do batizando) seja batizado (a) na fé da Igreja que acabamos de professar?” E todos respondem: “Queremos”. Esta resposta é prevista pelo rito, mas nem sempre pode ser pressuposta. Às vezes, os pais procuram o batismo mais por tradição, por hábito cultural, ou pelo desejo de dar ‘algo bom’ ao filho, ou por uma espécie de ‘vacina’ contra doenças ou outras forças negativas, ou para ‘ganhar’ um padrinho que, em momentos de dificuldade, pode ser de ajuda.
Sem desmerecer Nenhuma dessas razões que levam a família a procurar o sacramento do Batismo, devem ser rejeitadas ou desmerecidas. Cada um tem as suas razões que a Igreja respeita e valoriza; às vezes é só uma ‘chama que ainda fumega’, e, por isso, precisa ser alimentada. Esta é a razão pela qual se proporcionam os encontros de reflexão para pais e padrinhos, sobretudo: a Comunidade cristã católica não quer perder ninguém, mas pretende ajudar cada um(a) a compreender as razões pelas quais se batizam crianças e as responsabilidades que a família assume em vista da formação cristã dos seus filhos.
O Catecismo da Igreja Católica aborda o assunto ‘Batismo’ aos números de 1213 a 1284. São tantas e bonitas reflexões; destaco alguns pensamentos. Antes de tudo, afirma-se que o Batismo de crianças manifesta “a gratuidade pura da graça da salvação” (n. 1250) e que esta prática “é uma tradição imemorável da Igreja” (n. 1252).
Gostaria evidenciar outro aspecto muito importante que o Catecismo enfatiza: “O Batismo é o sacramento da fé”. Trata-se da ‘fé da Igreja’: “Cada um dos fiéis só pode crer dentro da fé da Igreja. A fé que se requer para o Batismo não é uma fé perfeita e madura, mas um começo, que deve se desenvolver”. Como poderá crescer e amadurecer essa opção de vida? Logo responde o mesmo Catecismo: “É importante a ajuda dos pais. Este é também o papel do padrinho ou da madrinha, que devem ser cristãos firmes, capazes e prontos a ajudar o novo batizado, criança ou adulto, em sua caminhada na vida cristã. A tarefa deles é uma verdadeira função eclesial. A comunidade eclesial inteira tem uma parcela de responsabilidade no desenvolvimento e na conservação da graça recebida no batismo” (n. 1255).
      De um ponto de vista pastoral, sempre mais urgente se torna a formação religiosa e a iniciação e o amadurecimento na fé dos adultos que pedem o Batismo e, portanto, são chamados a garantir a sua fé no Batismo de crianças. Nisso, encontra-se um dos pontos fracos e dos grandes desafios de nossa pastoral. Constata-se que temos muitos batizados, mas poucos ‘iniciados’ na fé. Vale a pena refletir sobre as razões que nos levam a pedir e realizar o Batismo de uma criança e considerar o compromisso que se assume diante de Deus e da Igreja.
Dom Armando

A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - VI

Continuando a reflexão sobre batismo de crianças, chegamos ao momento em que, depois de ter invocado o Espírito Santo sobre a água, pais e padrinhos manifestam a sua fé diante da Igreja. De fato, é pela fé da Igreja, manifestada pelos pais e padrinhos, que as crianças são acolhidas na Igreja. Quem preside a celebração pergunta: “Queridos pais e padrinhos, o amor de Deus vai infundir nestas crianças uma vida nova... Se vocês estão dispostos a educá-las na fé, renovem agora suas promessas batismais”.

É minha experiência e convicção que um dos aspectos mais desafiadores da vida eclesial está no fato de pais e padrinhos que respondem positivamente às perguntas rituais, mas, em muitos casos, ou não compreendem e não assumem o que manifestam.
A profissão de fé tem duas partes, uma de renúncia, a outra de explícita manifestação da fé. Diz o Ritual que, no lugar da palavra ‘renuncio’, podem-se usar outras, exemplo: ‘lutar contra, deixar de lado, abandonar, combater, dizer não, não querer’. Em resumo, trata-se de alguns ‘nãos’ e alguns ‘sins’ que a Igreja coloca em nossos lábios, mas que devem ser amadurecidos na mente e no coração de cada um que os pronuncia. Encontramos, ainda, várias fórmulas de pergunta-resposta. As mesmas, adaptadas, são usadas na celebração da missa de I comunhão e de Crisma, como, também, solenemente, na vigília pascal. Porém, para não esvaziá-las de sentido, pede-se uma boa catequese que ajude, sobretudo, pais e padrinhos, a tomarem consciência do rico sentido dessa profissão de fé.
As perguntas rituais destacam a liberdade dos filhos de Deus, que comporta renúncia de tudo o que afasta de Deus; a fraternidade, que os membros da Igreja são chamados a viverem no amor do Senhor, seguindo Jesus, o Filho que se tornou irmão e que, no Espírito Santo pede que construamos fraternidade entre todos; renuncia-se, ainda, ao demônio, autor e princípio do pecado. A conversa a respeito dessas renúncias demoraria muito. Vale a pena que padres e catequistas façam todo esforço para ajudar, antes da celebração, na compreensão da fé que o rito manifesta.
Seguem as perguntas com a resposta Creio. Lembro que creio, talvez melhor seria responder credo, vem do verbo latim credere que significa ‘dar o coração’, no sentido de ‘consciência’, isto é, do centro da nossa interioridade onde tomamos as decisões que orientam a vida, com suas escolhas, decisões e comportamentos. A dos cristãos é fé num Deus Pai e Filho e Espírito Santo, no Deus Trindade, isto é família de amor infinito. Eis, portanto, a necessidade de refletirmos no que se refere à ‘imagem’ de Deus que nos acompanha e qual o nosso relacionamento com o Deus Trindade. Os demais artigos do Credo, também, oferecem matéria para longa reflexão.
As promessas batismais terminam com uma aclamação: “Esta é a nossa fé, que da Igreja recebemos e sinceramente professamos, razão de nossa alegria em Cristo, nosso Senhor”. De verdade, são palavras bonitas e cheias de luz para a vida cristã. Que, com a graça de Deus, possamos compreendê-las e vivê-las.

Dom Armando

A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - V

      Já vimos os ritos de acolhida, da liturgia da Palavra e da unção pré-batismal. Entramos, agora, na III parte da celebração, a liturgia sacramental. Se for possível, diz o Ritual, “faz-se uma procissão para o batistério”, isto é, o local onde se realiza o batismo, cantando as ladainhas dos Santos, podendo adaptar segundo as mais conhecidas na comunidade.
Segue a oração de bênção sobre a água. O Ritual recomenda que nas igrejas paroquiais, e também nas capelas ‘onde se fazem habitualmente batismos, haja uma pia batismal fixa ou fonte batismal de onde possa jorrar ou correr água’. (O Ritual faz várias propostas; mas, infelizmente, na prática, segue-se – na maioria dos casos – o caminho mais rápido e simplificado, ignorando ou não valorizando as possibilidades que tornariam mais significativo esse, como outros momentos da celebração).
      A oração sobre a água, proposta pelo Ritual, faz memória da atuação de Deus ao longo da História da Salvação. Reza: “Ó Deus... ao longo da História da Salvação vós vos servistes da água para fazer-nos conhecer a graça do batismo”, e recorda aqueles momentos marcantes em que a água entra nessa história: na origem do mundo, quando o Espírito pairava sobre as águas; no dilúvio; na passagem do mar Vermelho; no batismo e na morte de Jesus. No final, pede-se ao Pai: “por vosso Filho desça sobre esta água a força do Espírito Santo”.
      Tantas vezes, quando celebro um batismo, pergunto aos pais e padrinhos: “Quem dá a vida nova de Jesus? Será que é a água?” E acrescento: “Não, não é a água, mas o Espírito Santo”. Por isso, nós invocamos o Espírito sobre a água para que Ele mesmo dê ao batismo seu sentido mais profundo: fazer nascer da água e do Espírito esta criança.
    O simbolismo da água é muito significativo, vale a pena refletir com os participantes da celebração e favorecer uma compreensão mais ligada à realidade sacramental e aos efeitos que a graça produz. Água, fonte de vida, mas, também, causa de morte. Nada de mágico ou automático. Água com seu sentido humano tão expressivo, ligado à nossa estrutura biológica e à vida, possível só por meio da água. A partir desse sentido antropológico da água, é necessário colher o sentido de vida e de morte, em Cristo, que se realiza no batismo, por meio da água e pelas palavras da fé.
    Antes de derramar a água batismal sobre a cabeça da criança, temos outro rito muito significativo: pais e padrinhos são perguntados a respeito de sua fé. É pela fé da Igreja, aqui representada, de maneira especial, pelos pais e padrinhos, que a Igreja batiza crianças. Trata-se das ‘promessas batismais’. Essas contêm palavras fortes, tantas vezes pronunciadas de forma puramente ritual e convencional. Sem a compreensão e o compromisso que fecundem e transformem a vida dos adultos, é difícil que o batismo de crianças alcance sua finalidade.

Dom Armando

A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - IV

Nestas anotações sobre ‘batismo de crianças’, vimos o sentido da Palavra de Deus no contexto celebrativo do batismo. À escuta da Palavra, segue uma breve homilia. O Ritual (n. 50) escreve que a homilia visa “aprofundar o mistério do batismo... procurando evidenciar a relação entre a vida das pessoas e os apelos do Senhor. Recomenda que “a Palavra de Deus, acolhida na fé, conduza ao encontro sacramental com o Senhor”. Como acontece de costume, pede-se que, no fim da homilia, se faça um momento de silêncio; pode-se, também, acrescentar um canto apropriado (cf. Ritual 51).
 Segue a oração dos fiéis e a invocação dos santos. A Igreja pede ao Senhor ‘da vida’ a graça que estas crianças possam ‘crescer na alegria do Reino’, ‘sejam protegidas’, ‘convivam em harmonia e respeito com a natureza e se alegrem com as maravilhas divinas’; reza-se para que pais e padrinhos sejam abençoados e sejam ‘fiéis testemunhas da fé para seus afilhados e que a comunidade toda se empenhe ‘a serviço da vida e da esperança’. Trata-se de orações propostas pelo Ritual, mas, para que não sejam simples palavras de circunstância, devem ser consideradas com os pais e os padrinhos, sobretudo na preparação ao batismo. O Ritual propõe três esquemas de orações e, como de costume, é oportuno acrescentar outras preces espontâneas, ligadas à situação concreta dos presentes.
Esta segunda parte da celebração termina com um gesto e uma oração. Lê-se no Ritual (n. 55): “Quem preside, os pais e as mães, os padrinhos e as madrinhas impõem as mãos sobre a cabeça das crianças e fazem uma oração em silêncio”. Segue uma oração para pedir a Deus de dar às crianças a força de Cristo e a luz do Espírito, para que vivam sempre como filhos e filhas da luz e, ‘libertas do poder das trevas’, enfrentem as tentações do mal. Outra oração pede ao “Deus da vida e do amor” que, “como templos vivos do Espírito Santo, manifestem as maravilhas do vosso amor”. Quem preside unge as crianças no peito dizendo: “O Cristo Salvador lhes dê sua força. Que ela penetre em suas vidas como este óleo em seus peitos”. E unge o peito de cada criança de maneira ‘abundante e expressiva’, recomenda o Ritual (n. 57).
Observamos que palavras e ritos expressam, com riqueza de mensagens, o sentido do  batismo e as exigências de vida nova em Cristo. Mais uma vez, constatamos que, para uma adequada catequese, o rito mesmo oferece material muito significativo; basta destacar o que se diz e se faz. O documento conciliar ‘Sacrosanctum Concilium’ já recomendava que os fiéis ‘não assistam à liturgia ‘como estranhos e mudos expectadores’, mas sejam introduzidos na compreensão daquilo que se celebra; de fato, a liturgia se realiza ‘per ritus et preces’, diz o Concílio, isto é, ‘por meio dos ritos e das orações’ e sua compreensão é indispensável para uma participação ‘consciente, piedosa e ativa’ (cf. SC 48).
Desejo que isso aconteça em cada celebração e que, sempre mais intensamente, as nossas celebrações litúrgicas se tornem ‘momentos de graça’, isto é, oportunidades preciosas para cada um(a) viver um encontro transformador com o Senhor.
Dom Armando


A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - III

Nas reflexões desta “Coluna litúrgica” estou tratando do batismo de criança. Vimos o rito da acolhida do batizando na Igreja e seu sentido. Em seguida, possivelmente em procissão – se o rito de acolhida foi realizado às portas da Igreja – eis que ‘em lugar apropriado’, é proclamada a Palavra de Deus (cf. Ritual: Observações preliminares sobre Iniciação cristã, n. 24).
No Ritual do Batismo (RB) – trata-se do livro que contem as orientações para a celebração - se lê: “A sagrada celebração da Palavra de Deus pretende que, antes da ação do mistério, seja despertada a fé dos pais, dos padrinhos e de todos os presentes” (RB 17). Recomenda-se que, se faça ao menos uma leitura. Melhor seria proclamar, seguindo as propostas do Ritual, uma leitura do Antigo Testamento ou das cartas dos Apóstolos, cantar o Salmo e a aclamação e proclamar o Evangelho, como se faz na celebração da Eucaristia.
A Palavra de Deus sempre oferece preciosos ensinamentos; ela ajuda para entrar num clima de fé, que faz compreender o verdadeiro sentido do que celebramos. As leituras deverão receber adequada explicação na homilia, sóbria e eficaz, e que visa adaptar a Palavra à realidade de cada assembleia e à fé, às vezes fraca, dos presentes. Assim, eis que os ritos, ricos de simbolismo, poderão se tornar mais compreensíveis. Ainda mais que ”na relação entre Palavra e gesto sacramental, mostra-se de forma litúrgica o agir próprio de Deus na história... Com efeito, na história da salvação, não há separação entre o que Deus diz e faz; a sua própria Palavra apresenta-se como viva e eficaz (cf. Hb 4,12)... Na ação litúrgica, vemo-nos colocados diante de sua Palavra que realiza aquilo que diz”, assim escrevia o papa Bento XVI na rica Exortação apostólica sobre a Palavra de Deus, Verbum Domini, 53.
O Papa Francisco, com grande sensibilidade insiste na Exortação apostólica sobre ‘A alegria do Evangelho’, afirmando: “Toda a evangelização está fundada sobre esta palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada. A Sagrada Escritura é fonte da evangelização. Por isso, é preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra”.
Podem bastar estas poucas palavras para destacar quão importante é, na celebração do batismo, viver este momento litúrgico de modo que favoreça a escuta da Palavra e ajude, sobretudo, pais e padrinhos dos batizandos, a se aproximarem ou descobrirem o valor e o sentido da Palavra de Deus na vida cristã, em suas vidas. É pela fé deles e da Comunidade, que a nossa Igreja confere o batismo também às crianças.
Deve ser a Palavra que ilumina e dá sentido e sabor ao rito que celebramos. Com certeza, a Palavra de Deus dá aquela luz que ilumina a vida e ajuda a caminhar segundo o projeto de Jesus; Ela é como um espelho para enxergar melhor o rosto de Deus que deve resplandecer no rosto dos cristãos; Ela faz sentir o apelo de Deus à conversão e compreender a beleza e a responsabilidade do batismo de crianças. Na Palavra se encontra a força para assumir os compromissos que a Igreja aponta, sobretudo aos que vão cuidar da educação e formação, também religiosa e cristã, dessas crianças.
Irmãos e irmãs, se pedirem à Igreja para batizar um filho, preparem-se, já em casa, através da leitura e meditação da Palavra. Assim, encontrarão nela alimento para sua fé e o batismo vai adquirir  o seu sentido verdadeiro.
Dom Armando


A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - II


O primeiro dos ‘sinais da fé’ que fundamenta e constroe a vida cristã é o Batismo. Sua celebração começa à porta da Igreja. Quem preside, acolhe a todos com alegria e carinho, sobretudo dá atenção especial às crianças que vão ser batizadas, aos pais, padrinhos, familiares e amigos. Antes de tudo, pergunta aos pais o nome que escolheram para os filhos e, dialogando, questiona pais e padrinhos a respeito do que estão pedindo à Igreja de Deus para suas crianças, ‘se querem ajudá-las a crescer na fé, observando os mandamentos e vivendo na comunidade dos seguidores de Jesus’; aos padrinhos, pois, pergunta se estão dispostos a colaborar com os pais nessa missão.

O batismo é o sacramento que introduz na Igreja; por isso, pede-se também à Comunidade reunida se ‘quer ser uma Comunidade de fé e de amor para as crianças’ que vão ser batizadas. Todos deveriam responder ‘sim, queremos’. A resposta deve ser consciente e responsável e não só formal, porque exigida pelo rito. Por isso, eis a necessidade que pais e padrinhos / madrinhas tomem consciência do que estão fazendo, a fim de que as respostas manifestem, com sinceridade, o que brota do coração e transforma a vida.
Esse primeiro momento termina com um gesto significativo: o sinal da cruz é traçado na fronte das crianças, é ‘o nosso sinal’, diz o ritual, o ‘sinal de Cristo Salvador’. O sinal da cruz é feito na fronte dos batizandos por quem preside, pelos pais e padrinhos e por alguém em nome da Comunidade.
Termina-se com uma breve oração que visa preparar para a Liturgia da Palavra pedindo a Deus que ‘caminhemos na vida nova’ dos ressuscitados.
Permito-me destacar a necessidade de procurarmos entrar com a mente e o coração nos gestos e nas palavras que a liturgia da Igreja propõe para compreender e viver cada elemento com autenticidade e torná-lo uma luz que ilumina nossa vida. Somente assim, o que se celebra na Igreja vai adquirindo sentido e sabor e toda celebração pode encher de sentido humano e religioso a vida e alimentar a fé.
Infelizmente, em minha experiência constato que boa parte de pais e padrinhos e, também, dos católicos que participam dessas celebrações, entendem pouco dos ritos e, portanto, os símbolos, as palavras e os gestos da liturgia não falam aos corações nem à vida. Assim sendo, eis a urgência – sobretudo por parte dos pastores e seus colaboradores – de iluminar com competência e celebrar com cuidados e muito amor cada batismo. Tenho certeza que, aos poucos, com solícita e constante formação, a liturgia tornar-se-á momento forte de vida eclesial. Para isso, porém, é necessário que toda a vida eclesial prepare e seja organizada de tal forma que introduza e faça respirar um clima de fé, de participação e de vivência comunitária. Se isso faltar, a liturgia, sozinha, não conseguirá alcançar seu objetivo.
Dom Armando


A CELEBRAÇÃO DO BATISMO DE CRIANÇAS - I

Desde Março de 2010, nossa Diocese teve como ‘prioridade pastoral’ a Iniciação cristã e seus Sacramentos (Batismo, Crisma, Eucaristia). Acompanhei a caminhada com quatro cartas pastorais; nelas podem encontrar numerosas reflexões e propostas pastorais.
Nesta Coluna litúrgica, hoje, retomando algumas daquelas reflexões, pretendo apresentar o assunto: A celebração do Sacramento do Batismo de Crianças, dentro do tema mais amplo da Iniciação cristã. De fato, para realizar o Batismo, a Igreja católica tem dois Rituais: o Ritual do Batismo de Crianças (BC) e o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), isto é, para os que já completaram 14 anos, considerados ‘adultos’ pela Igreja e para os quais existe não só uma rápida e sintética celebração, mas a proposta de uma longa caminhada de iniciação à fé e à vida da Igreja. Pela fé da Igreja, esses Sacramentos são os sinais que enxertam no Corpo místico de Cristo os novos membros e fazem participar do Povo de Deus. Por enquanto, vamos conhecer melhor o Sacramento do Batismo de crianças e sua celebração.
Penso que, todos os leitores deste blog já participaram de alguma celebração de Batismo de crianças. Pergunto: o que mais chamou a sua atenção? Algo ficou não muito compreensível? está certo a Igreja católica batizar crianças?
Gostaria que procurássemos entender o sentido deste Sacramento, observando os gestos e escutando o que dizem os textos litúrgicos. A Igreja manifesta sua fé através da sua liturgia. Então, é oportuno compreender o sentido dos Sacramentos a partir da celebração. O Batismo é o Sacramento que introduz na vida nova em Cristo e na comunidade de fé e amor dos seguidores de Jesus, isto é, a Igreja.
Como vimos pela celebração da Eucaristia, temos quatro momentos: os ritos de acolhida, a Liturgia da Palavra, a Liturgia do Sacramento e os ritos finais. Vamos examiná-los um por um, procurando entender seu sentido e, assim, participar com maior intensidade e compreensão.
Os Ritos de acolhida. Batizar uma criança (até aos sete anos), é um gesto muito bonito, é momento de festa, e não só pela família da criança e seus familiares, mas também pela Comunidade cristã na qual a criança entra. Por isso, lemos no Ritual, “as crianças sejam batizadas em celebração comunitária, quanto possível, no domingo, dia em que as comunidades cristãs se reúnem para fazer memória da ressurreição de Jesus”.
Vivemos numa sociedade em que domina uma mentalidade individualista e, neste clima de subjetivismo, a religião, também, pode ser procurada só para satisfazer emoções individuais e exigências familiares. As primeiras dificuldades que certos pais encontram em aceitar o que a Igreja propõe, está aqui: o Batismo vivido como se fosse um evento individual e a Igreja procurada, só ou quase exclusivamente, para satisfazer as exigências de um ‘rito de passagem’, que tem um sentido antropológico profundo, mas que, para os cristãos, é muito mais, sendo participação na morte e ressurreição de Cristo’ (cf. Rm 6,3) e vida nova em Jesus ressuscitado.
Observa-se, tantas vezes, como que uma defasagem entre a procura por parte da ‘freguesia’ e a ‘proposta da Igreja. Somente compreendendo o sentido dado pela Palavra de Deus e pela Liturgia da Igreja, a celebração adquire a sua verdadeira beleza e o seu sentido. Então, convido a todos para ficarem bem atentos quando participarem de uma celebração do Batismo de uma criança, observando gestos e palavras que acompanham a celebração mesma.

Dom Amando