Nos dias, 21 a 25 de outubro, Dom Armando esteve na cidade de Crato (Ceará), assessorando um curso de Liturgia para os padres daquela diocese, na oportunidade, encontrou com o padre Valderi, que por vários anos exerceu seu ministério na Paróquia do SS. Sacramento de Rio de Contas. Nossa grata recordação pelo trabalho pastoral que viveu entre nós. Obrigado!
Mostrando postagens com marcador Liturgia das Horas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Liturgia das Horas. Mostrar todas as postagens
DOM ARMANDO ASSESSORA CURSO DE LITURGIA NA DIOCESE DE CRATO(CEARÁ)
Nos dias, 21 a 25 de outubro, Dom Armando esteve na cidade de Crato (Ceará), assessorando um curso de Liturgia para os padres daquela diocese, na oportunidade, encontrou com o padre Valderi, que por vários anos exerceu seu ministério na Paróquia do SS. Sacramento de Rio de Contas. Nossa grata recordação pelo trabalho pastoral que viveu entre nós. Obrigado!
LITURGIA DAS HORAS - VIII
Com esta reflexão, concluímos o
assunto Liturgia das Horas que nos acompanhou nestas últimas semanas.
Espero fique mais claro para os
leitores do nosso blog o sentido da ‘Oração da Igreja’. Pela sua história e
valor, essa oração constitui – junto com a Eucaristia - a expressão mais alta
da Igreja viver seu relacionamento com Deus Pai em Jesus Cristo no Espírito
Santo.
Vimos que, há 50 anos, o Concílio
Ecumênico Vaticano II deu uma nova formulação e estrutura a essa oração e convidou
todos os seus fiéis a praticá-la. Ao antigo ‘breviário’ foi dado o nome de
‘Liturgia das Horas’, para realçar que se trata da ‘obra de Deus’ que acompanha
e santifica as horas do dia, da manhã até à noite. Insisto: não mais uma oração
reservada aos ministros ordenados e religiosos, mas uma oração entregue à
Igreja toda.
Nestes decênios estão aumentando as
Comunidades que oram com a Liturgia das Horas e cresceu a consciência do
sentido dessa oração; mas, ainda estamos longe para que seja acolhida pelos
fiéis em sua vida cotidiana e nos encontros eclesiais.
Vimos que essa oração usa, de maneira
expressiva, os Salmos. Neles encontramos uma extraordinária proposta de
oração. Ensinam-nos um estilo de oração, oferecem-nos um modelo e
uma espiritualidade. Orar com os Salmos ajuda a formar em nós, aos
poucos, uma mentalidade e uma atitude que nos farão sair do pequeno horizonte
do eu e renunciar às pretensões de estar no centro de tudo. Amadureceremos, assim,
uma alma mais aberta e sensível às dimensões do espírito e da fé, como Jesus nos
ensinou com suas palavras e, ainda mais, com seu exemplo. Sentiremos, e de consequência
viveremos mais abertos a Deus e aos irmãos, e, com a força e a luz do Espírito,
nossa oração terá o respiro do Espírito, atentos aos apelos de Deus e da vida
com seus desafios e suas necessidades. Sobretudo, à escola dos Salmos - e da
liturgia em geral - aprenderemos a orar com sensibilidade de homens e mulheres
que sabem, antes e acima de tudo, agradecer e louvar a Deus a partir e
dentro da vida concreta.
Os que se colocaram à procura de Deus e os seguidores de Jesus, sempre
precisaram vivenciar essa dimensão de abertura
e de gratuidade. Hoje em dia, corremos o perigo de perder o sentido do gratuito,
do puro amor, da gratidão. Às (tantas?) vezes, nossa oração é muito
interesseira ou até egoísta! Mas, o cristão que compreende quem é Jesus, é
chamado a vivenciar atitudes totalmente
gratuitas, sobretudo em suas expressões orantes. Por isso, não corresponde
ao estilo cristão dizer: “Rezo (só) quando sinto necessidade”. Porque não somos
nós os protagonistas da oração, é o Espírito que clama em nós. Por meio do
Espírito, com Jesus, devemos expressar ao Pai gratidão e confiança, também
quando os acontecimentos da vida não correspondem aos nossos desejos.
Orando com os Salmos e a liturgia da Igreja, seremos conduzidos a
conhecer a Deus, na constante surpresa do puro amor e no silêncio vibrante d’Aquele
que vive no mais íntimo de nós. Estaremos, assim, em continuidade com a
experiência do povo de Deus e do mesmo Jesus, como também de tantas gerações de
santos e mártires que cantaram e oraram os Salmos antes de nós.
Quando oro com essa oração, sinto-me, ainda, em união com miríades de
orantes que, em todo canto do mundo, no silêncio da noite ou no barulho do dia,
na cidade e nos mosteiros, louvam a Deus com essa oração. E respiraremos com a
oração de tantos povos da humanidade inteira a caminho da Verdade total.
Dom
Armando
LITURGIA DAS HORAS - VII
Na ‘Coluna
liturgia’ do nosso blog, estou propondo algumas idéias sobre a Liturgia das
Horas, a grande oração da Igreja. Continuando a reflexão a respeito dos Salmos,
vamos ver:
‘Como orar os Salmos
segundo a fé cristã’.
a) Antes de tudo, o Saltério se expressa
com uma linguagem fortemente humana,
parecida com a de outras culturas. Protagonista dos salmos é a pessoa comum. Tantas vezes, é uma pessoa que apresenta
uma humanidade bastante pobre, limitada, que vive na dor, na angústia, na
dúvida até que Deus escute de verdade e atenda aos pedidos; ouvimos a pessoa gemer
na provação da doença, no terror da morte e na escuridão do futuro, do além, ou
no aperto da perseguição, às vezes, até do fracasso sem esperança. Então, eis o
grito de dor explodir forte, desesperado, humano!
É difícil
encontrar uma coleção de orações que alcance uma experiência tão rica de vida. Alegria e reconhecimento, capacidade de admirar e
contemplar, dor e medo até à depressão, estouros de raiva, de ódio, com imprecações contra os inimigos (cf. Sl 137/136, 7-8 ou 139/ 138, 19-22): tudo é vivido com uma força que tem o sabor da
autenticidade e da universalidade, ao ponto que abraça o ser humano de todos os
tempos e lugares.
O ser
humano dos salmos – além dessas atitudes humanas – universais – tem duas
características:
Ø
É pessoa religiosa, que abre o livro de sua vida diante de
Deus. Lê todos os acontecimentos da vida tendo Deus como referência; também a
experiência da culpa e da infidelidade está presente.
Ø
De qualquer situação comecem, os salmos acabam
sendo sempre um apelo, um grito a Deus. Ensinam-nos a
transformar tudo em oração: Das
profundezas eu clamo para ti, Javé; Senhor, ouve o meu grito (Sl 130/129).
E o grito torna-se súplica, confiança, esperança.
De verdade,
os salmos são uma grande escola de oração! Ensinam-nos a sermos ‘verdadeiros’,
quando oramos, a tirar as máscaras para sermos nós mesmos! Convidam-nos para dizer a Deus, antes de tudo, a nossa vida,
seja qual for a escuridão das dúvidas, a angústia, a tentação ou o pecado.
Dizer a Deus o que somos, do interior de qualquer situação: este um primeiro
grande ensinamento dos salmos.
b) O coração que ora não se fecha em si
mesmo. Tem precisas ligações com uma comunidade, Israel. Nesta
“família de Deus”, neste clã, tem
também JHWH, como ‘chefe’ do mesmo.
Também quando alguém ora os salmos a só, sente-se membro
de uma comunidade, parte de uma única história de aliança. A pessoa que ora
os salmos, portanto, nunca está totalmente isolada; ela vive com todo o
seu povo, dentro da história da fidelidade de Deus. Por isso, quando algo
não dá certo, eis que o salmista, quase por um direito de família, por uma
ligação de parentesco com Deus a motivo da Aliança, grita a Ele para intervir,
para vir em auxílio e socorrer.
Acompanha o
saltério a consciência de ser o povo de Deus: “Eu serei o Deus de
vocês e vocês serão o meu povo” (Dt 7,6). Sobretudo, a grande experiência da
libertação do Egito, plasmou para sempre a visão religiosa desse povo singular.
A oração dos salmos é total e universalmente humana, mas, ao mesmo tempo, é o
espelho fiel de um povo e sua história única.
Quem vive,
na fé, uma relação profunda e sincera com Deus não se fecha na intimidade
individualista, mas se sente parte de um povo empenhado a construir sua
fidelidade com Deus nos acontecimentos cotidianos e em todos os seus
relacionamentos.
c) Destacamos, ainda, o fato que Jesus
mesmo orou os salmos! Tantas vezes- contam os evangelhos - Jesus orava com
os salmos[1]; os salmos
apontam para Ele e n’Ele encontram pleno sentido e realização. “Falavam d’Ele e
foram falados por Ele, vividos e rezados não só por si, mas por todos nós” (P.
Visentin). Quem tem fé em Jesus encontra nessa oração expressões muito
significativas e de acordo com a sua vida.
d) Enfim, orando os salmos como
cristãos, eles se tornam oração em união com toda a Igreja, com Cristo e
em Cristo, com as mesmas dimensões da oração de Jesus.
Dom Armando
[1] Cfr. Mt 4,6:
Sl 91/90, 11-12; Mt 5,8: Sl 24/23,3-4 e 11/10,7; Lc
13,27 (Mt 7,23): Sl 6,9 e 119/118,
115; Lc 20, 41-44: Sl 110/109,1; Lc 23, 46: Sl 31/30,6 etc.
LITURGIA DAS HORAS - VI
Continuamos nossas reflexões sobre a oração da Igreja, a Liturgia das Horas. Nela encontramos
vários elementos: salmos, antífonas, cânticos, leituras (da Sagrada Escritura, dos Padres e
Escritores eclesiásticos, da vida
dos Santos), responsórios, hinos, preces.
Vamos analisar, sobretudo os Salmos, que constituem a
base dessa oração, esplêndidos poemas que
os autores sagrados do AT compuseram sob inspiração do Espírito Santo (IGLH
100). Podem, porém, gerar “alguma dificuldade quando alguém na oração procura
fazer seus aqueles poemas venerandos” (ib. 101). Por isso, é necessário adquirir “formação
bíblica, a mais rica possível, sobretudo quanto aos salmos” (SC 90).
“Ler os
salmos é como visitar uma catedral construída por numerosas mãos e ao longo de
vários séculos” (Steinmann); de fato, eles são a expressão da oração do povo de
Israel, fruto de um trabalho de séculos (5-6). Os salmos nos ensinam qual
atitude devemos assumir diante de Deus nas mais diversas circunstâncias. É oração
sempre muito concreta, abre-se para a
existência humana: festas e lutos, dor e alegria.
Os ‘itinerários’ de oração propostos pelos salmos são
profundamente ligados ao caminho humano e àquelas situações pelas quais todos
passamos.
Um primeiro itinerário é da angústia. Uma terceira parte dos salmos reflete a situação
da dor, da crise. Assim, como é a vida humana que conhece mais a escuridão que
não a felicidade. Significativo é o salmo 88 /87: Súplica do fundo da angústia. No drama, têm três personagens: Deus,
o homem, o inimigo. Este último assume nomes e rostos diferentes; é ele que
tira a alegria, a serenidade, a confiança. Na dramaticidade do perigo, surge a
perene pergunta: “Por quê? Até quando?” Chegando ao ponto de uma acusação
contra Deus e sua indiferença: “Até quando, Senhor, ficarás olhando?”. O drama
se abre para o futuro: Deus sai de seu silêncio, aproxima-se, escuta a súplica.
Tem sempre um final de esperança: “O Senhor é minha força e meu escudo, é nele
que meu coração confia... de todo o coração eu agradeço” (Sl 28/27,7).
Um
segundo itinerário é da alegria. Um exemplo é o Salmo 23/22, onde se fala
do pastor que faz repousar em verdes pastagens e conduz para águas tranquilas; ou o Salmo 131/130: como criança desmamada no colo de sua mãe:
são os símbolos da confiança; são sentimentos que nascem da fé em Deus, sólida
rocha em que podemos nos apoiar. Essa atmosfera acompanha todo o Saltério. Assim, muitas vezes, do lamento elevado a Deus,
passa-se à confissão do próprio pecado, olha-se para a fidelidade inabalável de
Deus, até chegar ao louvor e ao agradecimento quando se alcança a libertação
(cf. Sl 106).
Temos o itinerário da liturgia. Nos salmos
não existem muitas referências litúrgicas explícitas, mas o saltério foi e é o
fundamento da liturgia da Comunidade hebraica e da cristã: o indivíduo nunca
ora separado da Comunidade; ele é sempre um membro do Povo que dialoga com o
Deus da Aliança.
Encontramos,
também, alguns salmos de ingresso (um pouco como o nosso Ato
penitencial) que ajudam para entrar no espírito certo da liturgia: ex. Sl15/14:
Senhor, quem pode hospedar-se em tua
tenda? Quem pode habitar em teu monte sagrado? SlQuem pode subir a montanha de Javé?
24/23:
Encerramos com o itinerário do puro
louvor, a oração mais alta! Com o hino,
de forma livre e espontânea, agradece-se a Deus não por um benefício recebido,
mas somente pelo fato que Ele existe. Esse é o referencial para qualquer
oração. Do louvor a Deus, o agradecimento se expande numa série de círculos concêntricos,
alcança Jerusalém, o Reino de Deus e chega a toda a criação.
Os salmos
apresentam um culto próximo à sensibilidade dos profetas, um culto que não
afasta dos compromissos sociais de justiça e de amor. Sacrifício a Deus é um coração contrito (Sl 51/50, 19): é a união
entre fé e vida. A oração torna-se, então, como que uma grande sinfonia, e o
louvor se expande e envolve a inteira criação: Todo ser que respira louve a Javé (Sl 150,6): assim termina o
saltério (cf. Sl 148).
Dom Armando
LITURGIA DAS HORAS - V
Depois de ter visto o sentido da oração da Liturgia das Horas e as partes principais - Laudes e Vésperas - vamos examinar as outras partes que a compõem.
a) Antes de tudo, lembramos do Ofício das Leituras. A Instrução Geral (n. 55) diz: “quer apresentar ao Povo de Deus, mui especialmente aos que de modo peculiar estão consagrados ao Senhor, meditação mais substanciosa da Sagrada Escritura e as melhores páginas de autores espirituais”. A Liturgia das Horas é oração que educa, também, para que encontremos palavras certas que expressem a nossa oração. Continua a Instrução Geral (n. 56): “A oração deve acompanhar a leitura da Sagrada Escritura, para que se estabeleça o diálogo entre Deus e o ser humano, pois ‘a Ele falamos quando oramos, a Ele escutamos quando lemos os oráculos divinos’ (Santo Ambrósio)”.
De fato, esse momento é muito importante para quem quer rezar. Lendo a Palavra, eu sou convidado a torná-la oração em meu coração e na minha vida. Essa escuta orante da Palavra de Deus, esse deixar-se compenetrar pela Palavra é chamado, pela Tradição da Igreja, sobretudo pelos monges, de lectio divina (leitura orante). É algo que pertence à Igreja toda; é condição indispensável para que a Palavra de Deus frutifique em nós.
Os últimos documentos dos papas (Bento XVI e Francisco) e, também, dos Bispos, insistem para que os cristãos usem a Palavra de Deus e a tornem oração. Essa parte da Liturgia das Horas é uma oportunidade preciosa para ensinar a orar com a Palavra.
b) Outro momento dessa Liturgia é a chamada de Hora média. Compreende a Oração das Nove horas (Terça), das Doze (Sexta) e das Quinze horas (Nona). Essas orações, distribuídas ao longo do dia, provêm da Tradição, assim como lembra Instrução Geral. Ao n. 74 se escreve: “Seguindo antiquíssima Tradição, os cristãos costumavam, por devoção pessoal, orar em diversos momentos do dia e no meio do trabalho, imitando a Igreja Apostólica. No decurso dos tempos, essa Tradição, de diversas maneiras, foi sendo dotada de celebrações litúrgicas”. Essas horas (n. 75) “se relacionavam com acontecimentos da paixão do Senhor e da pregação inicial do Evangelho”.
Jesus recomendava que ‘devemos orar sem cessar’. Eis que, a Comunidade cristão, desde o início, assumiu com rigor e fidelidade o convite do Senhor e organizou a sua oração ‘oficial’ propondo esses momentos orantes, para que o tempo todo seja santificado pela oração em união ao mesmo Senhor.
c) Enfim, temos as Completas: “são a última oração do dia, e se rezam antes do descanso noturno” (ib. 84; cf. Sacrosanctum Concilium 84). Os salmos dessa oração são escolhidos para que “movem à confiança no Senhor” (ib. 88).
Assim, o tempo todo, sobretudo quando as dificuldades podem aumentar e o cansaço tomar conta de nós, a Igreja convida seus filhos e filhas a se colocarem em diálogo orante e confiante com o seu Senhor.
Desejo que os cristãos todos compreendam sempre mais o sentido dessa oração litúrgica e eclesial, para valorizá-la e usá-la, em sua oração pessoal e nos encontros das Comunidades.
Dom Armando
LITURGIA DAS HORAS - IV
“As Laudes, como oração da
manhã e as Vésperas, como oração da
tarde, constituem como que os dois pólos do Ofício cotidiano. Sejam
consideradas como as horas principais e como tais sejam celebradas” (IGLH
n. 37). Em seguida (n. 40), o texto de Instrução fala de Laudes e Vésperas como
de “orações da comunidade cristã”.
Na formação cristã se aprende a orar
a Deus pela manhã e pela noite, no início e no fim do dia. Com essa oração, pretende-se
expressar a gratidão a Deus, pelo dia que inicia ou que finde. Agradecer é um sentimento fundamental de nossa relação humana,
com os outros e, ainda mais, com Deus. Sabemos que fomos salvos por Jesus Cristo
que se entregou totalmente a si mesmo pela humanidade. Quem sabe disso e tem
consciência de ser Igreja, é chamado a expressá-lo, também, com o sinal da
oração comum. A oração da Manhã e da Tarde, como também os outros
momentos de oração, manifesta o ritmo de vida da pessoa que vive na presença de
Deus.
A Oração da Manhã. “Se destinam e se ordenam à santificação do
período da manhã” (IGLH 38) Por quê? A IGLH responde lembrando um pensamento
de São Basílio que diz: “O louvor da manhã tem por finalidade consagrar a Deus
os primeiros movimentos de nossa alma e de nossa mente”. Pois o corpo não deve
ser entregue ao trabalho, sem antes termos cumprido o que disse a Escritura: “É
a vós que eu dirijo a minha prece; de manhã já me escutai” (Sl 5,4-5). Ainda
nesta hora, lembra-se a ressurreição do Senhor Jesus, “luz de verdade, que
ilumina todo ser humano”, “sol da justiça”, “que nasce do alto”.
Portanto, a Oração da Manhã se distingue por estas atitudes: dar graças
pela ressurreição e a certeza de um destino sem fim.
Oração da Tarde. “As Vésperas são celebradas à tarde, ao declinar do
dia, para ‘agradecer o que nele temos recebido ou o bem que nele fizemos’ (São
Basílio) (IGLH 39)”. Com esta oração, queremos lembrar o “sacrifício vespertino”
de Cristo na Ceia – Cruz; ainda, “para que nossa esperança se focalize naquela
luz que não conhece ocaso” e celebrar a glória divina: nós vivemos na espera de
Jesus Cristo, no desejo de encontrá-lo.
No centro de toda oração está
Jesus Cristo. Por isso, a morte,
a ressurreição e a espera de sua vinda gloriosa são as razões pelas quais os
cristãos param e rezam. Isso não só a título individual, mas como Igreja, que
tem consciência de ser povo que foi salvo e redimido e que, em Jesus Cristo,
encontrou o sentido do seu ser, do seu viver e esperar. Nós cristãos precisamos
desses momentos para dizer-lhe o nosso amor sincero.
O meu desejo é que, aos poucos, as
comunidades eclesiais compreendam e realizem esta bela e grande Oração que,
desde o início de sua caminhada, a Igreja elaborou, fundamentando-se na experiência
do povo de Jesus e de Jesus mesmo.
Dom Armando
LITURGIA DAS HORAS - III
A reforma do Concílio Vaticano II. O documento conciliar sobre
liturgia, Sacrosanctum Concilium, fala do Ofício Divino no capítulo IV (n. 83 –
10). Antes de tudo, define a identidade dessa Oração da Igreja e dá orientações para a sua reforma e diz que
pretende:
a) Oferecer um fundamento
teológico dessa oração. Por isso, determina alguns elementos de grande
importância: - que se trata de oração de intercessão (n. 83-84), cuja
finalidade é “louvar sem cessar o Senhor e interceder pela salvação de todo o
mundo” (n. 83); e, ainda, - que o Ofício divino visa consagrar, pelo louvor a
Deus, “todo o curso do dia e da noite” (n. 84).
b) Realizar uma
reforma geral de modo que “na medida do possível, voltem as Horas à realidade
do tempo... em consideração às condições da vida hodierna (n. 88)”;
Importante é o destaque dado a respeito do sujeito dessa oração: “É a voz da própria Esposa que fala com o Esposo, ou
melhor, é a oração de Cristo, com seu próprio Corpo, ao Pai” (n. 84); também se
nem sempre as propostas que seguem são coerentes com este princípio (cf. n.
84.86.87).
Feitas essas premissas, quero evidenciar alguns elementos
da Introdução Geral à Liturgia das Horas (IGLH)
que, como já observei, constitui uma excelente proposta de reflexão sobre a
oração.
Antes
de qualquer coisa, aparece com mais clareza a referência à Igreja inteira qual sujeito da oração. As motivações: - o convite
de Jesus para a oração sem cessar (cf. n. 3-6); - a participação ao
sacerdócio comum de todo o povo de
Deus, que torna todos “aptos para exercer o culto da Nova Aliança” (n. 7); - a
capacidade de significar a natureza profunda da Igreja (n. 8; cf. n. 20-27).
Dessa
forma, se enriquece o mandato especial
de celebrar a Liturgia das Horas por parte dos sacerdotes: - eles têm o dever de convocar e dirigir a oração da comunidade, de convidar os fiéis e formá-los com a devida catequese;
ensinando-lhes a dela participarem de modo a fazerem autêntica oração (n. 23);
- eles são garantia “para que esta missão da
comunidade seja desempenhada, ao menos por eles de maneira certa e constante, e
a oração de Cristo continue sem cessar na Igreja” (n. 28 que cita PO 13).
Concluindo, então, enfatizamos que a Igreja
como tal, na multiplicidade de suas expressões locais, é chamada a por o sinal
da oração comum. Dessa forma, cumpre-se a exortação do Apóstolo: “Que a palavra
de Cristo, com toda a sua riqueza habite em vós. Do fundo dos vossos corações,
cantai a Deus salmos, hinos e cânticos que o Espírito inspira, pois estais na
graça de Deus” (Cl 3,16: cf. n 33).
Mais
uma vez, convido a todos para que conheçam e pratiquem esta oração ‘da Igreja’ e
encontrem, a todo dia, momentos propícios para santificar o tempo com a
experiência pessoal – melhor eclesial - dessa oração.
Dom Armando
LITURGIA DAS HORAS - II
Estamos refletindo sobre a Liturgia das Horas, isto é, a oração da Igreja, oração que, na reforma
que seguiu ao Concílio Ecumênico Vaticano II, foi devolvida à Igreja toda como
sinal e compromisso de uma Comunidade orante. Trata-se da oração oficial da
Igreja e, por isso, deve ser acolhida como modelo de oração da Comunidade
cristã.
Desde
as origens a igreja reza assim. O livro dos Atos dos Apóstolos documenta que,
desde o início, a Igreja é Comunidade de
oração. O evangelista Lucas nos
dá este retrato da Comunidade das origens (At 2,42): “E todos que tinham abraçado a fé continuavam
firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão,
partindo o pão juntos e fazendo orações”. Podemos dizer que a ‘dimensão orante’
acompanha constantemente a Comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus. A
Igreja sempre sentiu a necessidade de orar ao seu Senhor, em atitude de
agradecimento e louvor, pelas maravilhas que Ele operou na história e, de
maneira especial, pela redenção realizada por Jesus.
Do resto, a Igreja nasce tendo como
alicerce a Comunidade hebraica. No começo, sua oração segue a tradição
hebraica, no estilo da liturgia de louvor celebrada no templo de Jerusalém. Usa-se
o livro dos Salmos: as 150 orações
que, para os hebreus, têm um valor especial. Em seguida, também as Igrejas de
origem não hebraica, usam essa oração. Aos cristãos de Éfeso, Paulo escreve: Juntos recitem salmos, hinos e cânticos
espirituais. Cantem, de todo o coração, hinos e salmos ao Senhor (Ef 5,19).
Normal, então, para
a Igreja das origens, formada na maioria por hebreus e judaizantes, orar segundo a tradição antiga, também se o coração é
transformado pela nova experiência de vida com Jesus e pela fé n’Ele. De fato, a
luz de Jesus ressuscitado penetra e ilumina a oração da Comunidade que, em
Jesus, encontra sua razão de ser. Assim, começa se formar a oração
da Igreja.
O hábito hebraico prevê a
oração doméstica feita três vezes ao dia: de manhã, ao meio dia e à noite, como
canta o salmo 54, v.18: “De manhã, ao meio dia e de noite, eu choro e me
queixo, e ele me ouve”. Ainda, no Templo, o sacrifício, oferecido pelos sacerdotes
de manhã e à tarde, é acompanhado por orações. Neste clima orante, viviam os
nossos primeiros irmãos e irmãs de fé e, seguindo o mesmo hábito, destinaram à
oração pessoal e comunitária, os três momentos do dia.
Ainda Atos dos
Apóstolos documenta a existência de orações nas diferentes horas do dia.
Por exemplo, em 2,15, Pedro, no dia do Pentecostes, em nome da Comunidade toda
que tinha recebido a plenitude do Espírito Santo, responde às acusações dizendo
que não estão bêbados, “pois são apenas nove horas da manhã”, é a hora em que a Comunidade está reunida em
oração; em 10,9, fala-se de Pedro que, ‘ao meio dia, subiu ao terraço para
orar”; em 3,1 se lê que “certo dia, de tarde, Pedro e João estavam indo ao
Templo para a oração das três horas”. O
livrinho antigo, chamado Didaquê
(8,3), documenta que, à antiga oração de Israel (Shemá Israel), a Igreja substitui – 3 vezes ao dia – a oração do Pai nosso.
Concluindo observamos
que, no que se refere ao conteúdo, Jesus, de mestre e modelo de oração,
torna-se mediador, junto ao Pai, de sua Igreja em oração e, também, término
da oração: Aquele a quem se ora, como a Senhor,
com o louvor e com as preces.
Desejo que essa ORAÇÃO
se torne modelo e inspiração para nós.
Dom Armando
LITURGIA DAS HORAS - I
Em ‘nossa’ coluna litúrgica, quero
propor, à atenção dos que a acompanham, a Liturgia das Horas. O documento conciliar Sacrosanctum Concilium (SC) dedica ao
assunto o capítulo IV.
Escreve-se: “Na Liturgia Deus fala ao seu povo e... o povo responde a
Deus, ora com cânticos ora com orações” (SC 33). A oração é, portanto, um modo
de responder a Deus que fala.
Jesus permanece o grande Orante que “associa a Si toda a comunidade dos
humanos, e une-a consigo na celebração deste divino cântico de louvor”
(SC 83). Com essas palavras, SC introduz o assunto da oração denominada de Liturgia das Horas (LdH). Com ela, Cristo “continua aquela
função sacerdotal através de sua Igreja” (ib.), e a Igreja procura por em prática
o ensinamento de seu Mestre: orar
sempre, sem jamais esmorecer (Lc 18,1).
Como é bonito ver Comunidades cristãs, formada não só por religiosos e
religiosas, mas também por irmãos leigos e leigas que, seguindo o exemplo e os
ensinamentos do Senhor, reúnem-se para orar com este livro litúrgico chamado também
de OFÍCIO
DIVINO.
Na Igreja católica, temos diferentes expressões para orar: novenas e
ladainhas, rosário e procissões, pios exercícios e romarias etc. Mas essa
oração tem um sentido especial: é oração
da Igreja! Com a Liturgia das Horas é a
Igreja em oração! Então, sem
desmerecer as demais expressões orantes, essa é uma maneira de orar que deve
receber sempre maior atenção e compreensão, sobretudo por parte dos católicos
mais maduros e conscientes em sua fé.
Com alegria, constato que aumentam os fiéis que oram com o livro
litúrgico da Liturgia das Horas,
amadurecendo na compreensão dessas expressões litúrgicas. Com certeza, é
preciso ter uma ‘iniciação’ para compreender o sentido, a riqueza e a beleza
dessa oração eclesial e, por esse motivo, dedicarei vários artigos sobre o
assunto. Se alguém estiver interessado e pretende compreender mais, pode
escrever pedido maiores informações.
Essa oração tem uma longa história; é fruto da experiência orante de
tantos irmãos e irmãs que nos transmitiram o que o Espírito realizou em seus
corações. Os mais velhos já ouviram falar e sabem o que é o Breviário: ‘o padre está rezando o seu breviário’, diziam! Trata-se do nome que,
até o Concílio, dava-se a este livro que, com o Concílio, recebeu outro nome.
Isso aconteceu pelo fato de que a Igreja sentiu a necessidade de retomar essa
‘dimensão’ tão significativa de sua vida e reformulá-la, com duas atenções:
a) fidelidade à sua longa história e
experiência, b) fidelidade às
situações em que, hoje, as pessoas vivem.
O Oficio Divino é apresentado
como ”renovado conforme o decreto do Concílio Vaticano II e promulgado pelo
papa Paulo VI” que o apresentou com a Constituição
apostólica Laudis canticum (O cântico
de louvor. Encontra-se no I volume – dos 4 - da Liturgia das Horas, p. 13-20).
Em seguida, na Introdução, encontramos (páginas 21-100) uma rica INSTRUÇÃO GERAL sobre a LdH, onde se explica
o sentido e a estrutura da mesma, com
todas as orientações para o seu uso. A leitura desse texto será muito
proveitosa e ajudará na compreensão da riqueza e beleza da ‘Oração da Igreja’.
Pessoalmente, considero essa introdução um dos textos mais profundos sobre o que
é oração.
Por isso, vale a pena que todos os cristãos procurem compreender – e
usar – este livro da Liturgia das Horas para ‘respirar’ com o mesmo respiro de
Jesus e da Igreja. Sobretudo, é essencial compreender as motivações, e assim tornar
essa expressão orante praxe do Povo de Deus.
Dom Armando
Assinar:
Postagens (Atom)



.jpg)

