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ENCONTRO DA PASTORAL LITÚRGICA


Aconteceu no último final de semana, no Centro Diocesano, um encontro de formação para membros da Pastoral Litúrgica na Diocese. Participaram 32 de várias paróquias. A maioria está cursando ou já concluiu a ETEL. O encontro iniciou-se no sábado (30) pela manhã e se estendeu até ao almoço do Domingo (31). Dom Armando, em dois momentos, falou respectivamente sobre a Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia como documento conciliar determinante para o modo de celebrar na Igreja e sobre a proposta da CNBB para estruturação e organização da Pastoral Litúrgica, dando orientações para seu funcionamento nas paróquias. O seminarista Júlio César deu também sua contribuição ao encontro falando dos Ministérios Litúrgicos: quais são, suas atribuições e como assessorá-los e dentre os ministérios destacou a importância dos cantores e salmistas. Houve ainda
um momento de prática litúrgica com a preparação da Liturgia Dominical, seguindo os passos propostos pelo Guia Litúrgico-Pastoral, momento este orientado pelo Padre Weverson, que também falou sobre os elementos essenciais das celebrações litúrgicas e apresentou a proposta de organização prática da Pastoral, que foi trabalhada por vicariatos. Cada grupo buscou desenvolver um pequeno projeto e cronograma de atividades para o trabalho este ano. Foi um encontro proveitoso, motivador e que reforçou também a interação entre os agentes de Pastoral Litúrgica, espalhados pela Diocese.
Pe. Weverson Almeida Santos
Assessor da Pastoral litúrgica

Encontro do Conselho Pastoral Paroquial de Érico Cardoso

Aconteceu no sábado, dia 17, no salão paroquial, da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo de Érico Cardoso, o encontro do conselho Pastoral Paroquial. Com a presença dos padres Samuel e Weverson, de coordenadores das comunidades e das pastorais e movimentos. Após a oração das Laudes, Pe. Samuel apresentou a pauta e falou sobre a decisão de que Pe. Weverson vai assumir a paróquia de Rio do Pires como administrador paroquial. Pe. Weverson falou sobre a caminhada destes meses atuando nas 3 paróquias. 
A reunião seguiu com os assuntos da pauta: informações do CPD, avaliação da caminhada, Pastoral do Batismo, da Catequese, do Dízimo e Familiar, Ano Nacional Mariano, Jubileu da Diocese e agenda Pastoral de 2017. 

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CARTA AOS AGENTES DE MÚSICA LITÚRGICA DO BRASIL

A liturgia ocupa um lugar central em toda a ação evangelizadora da Igreja. Ela é o “cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana toda a sua força” (SC 10). Nela, o discípulo realiza o mais íntimo encontro com seu Senhor e dela recebe a motivação e a força máximas para a sua missão na Igreja e no mundo (cf. DGAE nº 67).
Há uma relação muito profunda entre beleza e liturgia. Beleza não como mero esteticismo, mas como modalidade pela qual a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcança, fascina e arrebata, fazendo-nos sair de nós mesmos e atraindo-nos assim para a nossa verdadeira vocação: o amor (cf. SCa 35). Unida ao espaço litúrgico, a música é genuína expressão de beleza, tem especial capacidade de atingir os corações e, na liturgia, grande eficácia pedagógica para levá-los a penetrar no mistério celebrado.
Acompanhamos, com entusiasmo e alegria, o florescer de grupos de canto e música litúrgica, grupos instrumentais e vocais, que exercem o importante ministério de zelar pela beleza e profundidade da liturgia através do canto e da música. Sua animação e criatividade encantam muitos daqueles que participam das celebrações litúrgicas em nossas comunidades. Ao soar dos primeiros acordes e ao canto da primeira nota, sentimos mais profundamente a presença de Deus. Lembramos alguns aspectos importantes que contribuem para a grandeza do mistério celebrado.
1.        A importância da letra na música litúrgica. A letra tem a primazia, a música está a seu serviço. A descoberta da beleza de um canto litúrgico passa necessariamente pela análise cuidadosa do conteúdo do texto e da poesia. A beleza estética não é o único critério. Muitas músicas cantadas em nossas liturgias estão distanciadas do contexto celebrativo. “Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; é necessário evitar a improvisação genérica e o canto deve integrar-se na forma própria da celebração” (SCa 42). Não é possível cantar qualquer canto em qualquer momento ou em qualquer tempo. O canto “precisa estar intimamente inculado ao rito, ou seja, ao momento celebrativo e ao tempo litúrgico” (DGAE 76). Antes de escolher um canto litúrgico é preciso aprofundar o sentido dos textos bíblicos, do tempo litúrgico, da festa celebrada e do momento ritual.
2. A participação da assembléia no canto. O Concílio Vaticano II enfatiza a participação ativa, consciente, plena, frutuosa, externa e interna de todos os fiéis (cf. SC 14). O canto litúrgico não é propriedade particular de um cantor, animador, ou de um seleto grupo de cantores. A liturgia permite alguns momentos para solos (tanto vocais quanto instrumentais), porém a assembléia deve ter prioridade na execução dos cantos litúrgicos. O animador ou o cantor tem a importante missão, como elemento intrínseco ao serviço que presta à comunidade, de favorecer o canto da assembléia, ora ustentando, ora fazendo pequenos gestos de regência, contribuindo para a participação ativa de toda a comunidade celebrante.
3. Cuidado com o volume dos instrumentos e microfones. Em muitas comunidades, o excessivo volume dos instrumentos, como também a grande quantidade de microfones para os cantores, às vezes, não contribuem para um mergulho no mistério celebrado, antes, provocam a agitação interior e a dispersão, além de inibir a participação da assembléia no canto. Pede-se cuidado com o volume do som, a fim de que as elebrações sejam mais orantes, pois tudo deve contribuir para a beleza do momento ritual.
4. Cultivar uma espiritualidade litúrgica. Os cantores e instrumentistas exercem um verdadeiro ministério litúrgico (SC 29). A celebração não é um momento para fazer um show, para apresentação de qualidades e aptidões. Os cantores e instrumentistas devem, antes de tudo, mergulhar no mistério, ouvir e acolher com a devida atenção a Palavra de Deus e participar intensamente de todos os momentos da celebração. Música litúrgica e espiritualidade litúrgica devem andar juntas, são duas asas de um mesmo vôo, duas nascentes de uma mesma fonte. Invocamos as luzes do Espírito Santo sobre todos os agentes de música litúrgica de nosso país. Reconhecemos o valoro do ministério exercido a serviço de celebrações reveladoras da beleza suprema do Deus criador e da atualização do Mistério Pascal de Jesus Cristo.
Comissão Episcopal para a Liturgia
Perguntas para a reflexão de gurpo:
1 - Na escolha dos cantos, a equipe de música analisa o texto para ver se está de acordo com a liturgia do dia?
2 - Em suas comunidades, a assembleia participa do canto?
3 - Considerando a acústica e o tamanho da igreja de sua comunidade, como vocês avalima o volume dos instrumentos durante as celebrações?
4 - Os músicos cultivam uma espiritualidade litúrgica ou participam apenas para executar uma função?

A EUCARISTA NOS TORNA CRISTÃOS - II

2. A Eucaristia na Comunidade cristã primitiva. A Igreja logo entendeu a importância fundamental da Eucaristia para a sua vida e sua identidade. Os Evangelhos, os Atos e as Cartas doas Apóstolos documentam como a Comunidade, gerada pela morte e ressurreição de Jesus, logo começou a se reunir para fazer memória daquilo que o Senhor tinha feito. Este é, e será, um gesto que qualifica a Igreja e define a sua identidade. Participar deste encontro é algo que marca a história e a identidade dos seguidores de Jesus! Mas, não é suficiente participar da mesa;  é preciso entrar sempre mais profunda e intensamente no sentido desse gesto: “Aos Domingos, mais do que em qualquer outro dia, o cristão procura fazer de sua vida um dom, um sacrifício espiritual agradável a Deus” (Dia do Senhor: documento dos Bispos italianos, 12).  Por isso, deve ser vivido não superficialmente, como habito, nem como facultativo, porque define a identidade do cristão! De fato, o cristão precisa da Eucaristia dominical: “de um preceito podemos evadir, de uma necessidade, não (ib. 58)”.
3. Eucaristia e vida. A Eucaristia educa nossa vida para torná-la coerente com a vocação cristã!
Eis alguns aspectos dessa pedagogia eucarística. A Eucaristia educa:
A.       ao acolhimento e à gratuidade. Na Igreja somos acolhidos. Acolham-se uns aos outros, como Cristo acolheu vocês, para a glória de Deus (Rm 15,7). Este estilo deve gerar a mesma atitude para com os irmãos. É um estilo de vida evangélico que permeia todos os relacionamentos, no cotidiano;
B.       ao dom de si. O que tenho e não o recebi? Diz são Paulo. Viver nossa vida como um presente que recebemos e que, por isso, procuramos partilhar. Esse estilo de partilha deveria ser normal! Deixando-nos formar pelo Senhor que se doa, aprender a sermos dom, e, assim, seremos instrumentos para que o dom de Deus passe aos irmãos. Assim a Eucaristia estimula o empenho e a responsabilidade;
C.       ao diálogo. Na celebração da Eucaristia existe um diálogo constante. Antes de tudo, somos convidados à escuta do Senhor que fala. Pronunciamos o nosso sim à Palavra, com o Creio, com o qual, não só professamos nossa fé, mas manifestamos a vontade de conformar nossa vida à Palavra.  O diálogo com o Senhor deve continuar na vida, com todos: em nossa família, no trabalho, nos encontros. Exige disponibilidade para abrimos aos irmãos, superando desconfianças, suspeitas, concorrências;
D.       ao martírio: “A Eucaristia é o momento em que a vida da Igreja se reúne ao redor do Cristo pascal. Recebe o dom de seu amor oblativo e depois e lançada pelas estradas do mundo para ser presença de bom samaritano, quase para fazer experimentar aos irmãos a intensidade e a força com que Deus os ama, com a qualidade mesma do seu amor”. Ao longo da história, numerosos mártires alicerçaram na Eucaristia sua coragem e sua fé;
E.        ao serviço. Lembremos, de maneira especial, o lava-pés. Este, também, é memória viva e convite entregue à Igreja para agir como Jesus. De maneira plástica, ensina qual é o estilo de vida da Igreja, chamada a ser no mundo sinal de sua presença. Serviço não significa fazer algo pelos outros, mas o que os outros precisam, e da maneira que melhor os favoreça. Serviço vivido, antes de tudo, com a própria profissão; com honestidade, competência e humanidade;
F.        à missão: Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês (Jo 20,21). A igreja vive para ser é enviada. E na Eucaristia finca suas raízes. O Espírito, que deu vida ao corpo morto de Cristo, continua dando vida à sua comunidade. A força do Espírito do Senhor continua agindo e sustentando no caminho da fidelidade. A Eucaristia educa, ainda, para um espírito ecumênico e universal. Torna-nos sensíveis para com os irmãos e irmãs que vivem em condições de sofrimento e marginalização, para sermos construtores da paz que Cristo deixou como dom e responsabilidade, que é fruto da justiça.
Perguntas: 1. Qual o sentido tem a Eucaristia em sua vida? A participação à Santa Missa é algo importante e vivido com fidelidade? Quais consequências têm para a vida do dia-a-dia?
2. Por que tantos batizados não vivem sua relação profunda e coerente com a Eucaristia? Por que o rito, tantas vezes, não mexe com o resto da vida?

Dom Armando

A EUCARISTIA NOS TORNA CRISTÃOS – I

A Eucaristia (E.) é algo fundamental para a vida cristã. Nossa fé na E. determina a identidade de nossa fé. Quando Jesus, em Cafarnaum, puxou a conversa pela primeira vez sobre o assunto, falando do pão vivo que desceu do céu, logo apareceu o desafio de uma escolha determinada pela fé. Alguns acharam duro o discurso e se mandaram (cf. Jo 6, 66). A atitude de Jesus nesta circunstância é muito determinada Vocês também querem ir embora? (ib., 67). Vamos refletir, mais uma vez, a respeito deste grande mistério da fé.
A Eucaristia em sua origem. A E. se coloca no contexto da Páscoa, na hora da grande passagem  de Jesus deste mundo para o pai (Jo 13,1). Como chefe de família, Jesus estava reunido com seus discípulos para faze memória dos acontecimentos marcantes da história de seu povo. Recorda que seus antepassados eram um grupo de escravos, sem dignidade e sem liberdade, quando, em nome da fé no deus de seus pais, que se proclamava como único senhor, foram se juntando e lutando para fugir daquela situação de opressão e de morte. Foi duro! Mas conseguiram.
Esta libertação é interpretada pela fé, uma que transforma e define toda a vida futura deste povo. O fato “luta de libertação” é lido à luz da fé: ‘Deus – JHWH – veio nos libertar’. Por isso, o chamam de Goel, o Libertador.
Este acontecimento é celebrado a todo ano. Nisso está o fundamento da Páscoa hebraica, festa que já existia, mas ligada ao ciclo da natureza, das estações. De agora em diante, será festa ligada à história, e deve ser celebrada, para ser atualizada por todos os membros deste povo. A moldura externa é de uma ceia. É chamada de memorial ziqquaron – no sentido que o evento é atualizado ‘por todas as gerações’, com toda a sua eficácia salvífica.
Jesus escolhe esse gesto, mas introduz uma novidade. No centro não está mais o cordeiro pascal, mas Ele mesmo. Assim, como teria entregado totalmente e livremente se mesmo à morte na hora de sua paixão, Jesus, no contexto da Ceia pascal, dá seu corpo e seu sangue aos irmãos como pão doado e como vinho derramado. Estes gestos são profeciasinal que antecipam o que Ele mesmo está preste a fazer. Celebrando agora, ó Pai, a memória do vosso Filho, da sua paixão que nos salva... nós vos oferecemos em ação de graças este sacrifício de vida e santidade (OE III).
Memória e oferenda de si, a E., ainda, é prece de intercessão. Pedimos a Deus para que continue hoje, na Igreja, a sua obra de salvação: Olhai com bondade...
Enfim, a E. é presença real de Cristo Redentor. A presença de Jesus em sua Igreja se realiza de várias maneiras: na Assembléia reunida, em sua Palavra, na pessoa do Ministro, e, de maneira especial, nas Espécies eucarísticas. Esta presença se torna possível somente pela fé. Nós abrimos as portas a Cristo, acolhemos a presença de um Amigo que se doa e nos chama. É um presente que pede de ser aceito, desejado, procurado por quem tem fome e experimenta que precisa de salvação e de perdão.
A E. é banquete: façam isso, disse Jesus concluindo a Ceia pascal. Este banquete se torna sinal que reveste - e com torna presente - o evento pascal. Este jantar sacia nossa fome de Deus e nossa sede de salvação. O ‘façam isso’ não significa repetir um gesto convencional e vazio, mas entrar no mistério do mesmo amor de Cristo, fazendo o que Ele fez, ‘com o mesmo amor, prontos a nos doar’. Quem vai à E. simplesmente para procurar méritos, fechado no egoísmo espiritual que isola dos outros, não discerne o corpo de Cristo (1 Cor 11,29).
Entendemos, assim, que este banquete de fraternidade não pode ser vivido, com verdade, sem superar preconceitos e exclusões; ao contrário, convida-nos a buscar comunhão e fraternidade em todas as situações da vida.
Dom Armando


ADVENTO, UM TEMPO NOVO PARA ESPERAR, AVALIAR, ACOLHER, RENOVAR...

No próximo domingo, 30 de novembro, os cristãos católicos que forem à Igreja vão observar algo diferente dos outros domingos. A novidade mais evidente pode-se observar na cor dos paramentos do padre... Ainda têm mais: não se canta o hino de louvor, as orações adquirem um tom mais sóbrio, os cantos tem uma tonalidade própria... Começa o tempo chamado Advento, e com ele, um novo Ano litúrgico. As celebrações da fé visam dispor os corações dos fiéis para a celebração da grande festa do Natal, memória da vinda ao mundo de Jesus, o Filho de Deus.
No âmago da fé cristã, encontra-se um acontecimento, ao qual chamamos de mistério pascal, isto é, a paixão, morte e ressurreição de Jesus. A fé encontra nele sua motivação mais profunda; trata-se da vitória de Jesus sobre a morte; essa é a esperança que acompanha e ilumina a vida dos seguidores de Jesus.
ADVENTO quer dizer ‘vinda’. Alguém, que é o Filho de Deus e Deus plenamente como o Pai, nasce na humildade e fragilidade da carne. Veio ao mundo há muitos anos; mas, a lucidez da fé, permite colher a sua vinda que continua, hoje, de tantas maneiras: na vida dos seus seguidores que sabem acolhê-lo; vem na Palavra anunciada, nos sinais (sacramentos) da fé celebrados, nos pobres e marginalizados: “Tudo o que fizerem a um desses pequeninos, é a mim que o fizeram”. Virá, ainda, no final da história, para apresentar ao Pai o Reino plenamente realizado: então, ‘ Deus será tudo em todos’.
Advento pode ter muitos sentidos. Eis alguns ‘nomes’ com que podemos chamá-lo: tempo para esperar, avaliar, acolher, decidir, servir, renovar, remediar, amar... e muitos mais. Qual dessas palavras você, amigo(a), escolhe para viver e iluminar este tempo?
Se escolher esperar, pergunte-se: o que mais eu espero? Quais sonhos cultivo e o que estou fazendo para que aconteçam? As minhas expectativas têm sentido? Serei mais feliz? Na escuta da Palavra, confira se existe correspondência com a proposta da Palavra de Deus.
Se for avaliar, então, nestes dias, encontre tempo para fazer uma avalição de sua vida, do que está acontecendo, se está aperfeiçoando a qualidade de suas relações e a autenticidade de sua vida.
Talvez, escolheu uma palavra bela e exigente: acolher. Pense: quantas pessoas acolheram a você, desde sua mãe quando soube que estava esperando alguém cujo rosto ainda não conhecia, mas que já amava – às vezes entre dúvidas e anseios. Mas, acolher é gesto de todo dia, em qualquer encontro (ou desencontro). Sim, Advento pode ser tempo precioso para avaliar o jeito de acolher os outros ou de... Evitá-los. Acolher comporta dilatar o coração e ‘fazer espaço’ ao outro. E você – lhe garanto – ficará enriquecido por essa nova presença.
Quem sabe, sua atenção caiu em renovar. O tempo que passa, também se você ainda é jovem, desgasta tantas energias, no íntimo de se mesmos, sobretudo. Advento, então, torna-se convite insistente para renovar e renovar-se. Olhe-se no espelho, observe as atitudes ‘de velhice’ que já aparecem. Chamam-se desânimo, pessimismo, cansaço interior, fuxico, rotina...
A liturgia do Advento começa com um convite: VIGIAI! Pode resumir o que vimos. É convite para acordar, levantar a cabeça, olhar os novos horizontes que no caminho aparecem. Sentir em si os novos apelos da vida, ‘arriscar’ de confiar no Senhor e em suas propostas de vida, sonhar com um estilo mais humano e fraterno de se relacionar... Se for assim, então, Natal não será aquela festa banal com ‘sorrisos de plástico e tanta propaganda, mas um encontro que gerará alegria. Esta será a melhor liturgia. Desejo-lhe, amigo (a), um Advento repleto desse sentido.

Dom Armando

PASTORAL LITÚRGICA E EQUIPES

Uma exigência de nossa vida eclesial no que se refere à liturgia é a efetiva organização da Pastoral litúrgica. Também se em todas as paróquias existem grupinhos que atuam para as celebrações, precisamos dar mais um passo: organizar uma verdadeira Pastoral. Por isso, eis algumas sugestões, que, há anos, encontram-se num documento (n. 43) da CNBB (Comissão da Liturgia)[1]. É preciso distinguir, antes de tudo, entre Equipe de Pastoral litúrgica – que deve ser estável e formada por pessoas que tiveram uma específica formação - Equipes de celebração que, orientadas pela primeira, organiza e anima as específicas celebrações.
1.  Equipe de Pastoral litúrgica
A meta da Equipe de Pastoral litúrgica é favorecer a participação ativa nas ações litúrgicas, em vista da edificação da Igreja em comunidades vivas, comprometidas com a missão de Jesus Cristo e com a prática da caridade. Ela atua em vista da animação da vida litúrgica numa paróquia, e tem como funções:
      planejar, animar, coordenar e avaliar a vida litúrgica das comunidades;
      zelar pela dimensão celebrativa do conjunto da ação evangelizadora e pastoral, da qual a liturgia é fonte e culminância;
      constituir, formar e fortalecer as equipes de celebração nas comunidades;
      garantir a celebração do mistério pascal de Cristo, dando particular atenção às celebrações dos tempos significativos do Ano Litúrgico;
      introduzir os fiéis nas diferentes formas celebrativas, na oração pública da Igreja, fonte de piedade e alimento da oração pessoal (cf. SC 90).
      integrar as diferentes equipes de celebração da Palavra de Deus, da Eucaristia e dos demais sacramentos e sacramentais;
      construir, pela liturgia, comunidades eclesiais vivas e missionárias.
Em síntese, as principais tarefas da Equipe de Pastoral litúrgica são: animação da vida litúrgica, planejamento, coordenação, formação, assessoria e avaliação.
A equipe de Pastoral litúrgica integra pessoas engajadas na vida da comunidade que, animadas pela fé, assumem e realizam de forma corresponsável e competente o serviço de animação litúrgica. O ideal é que ela seja plural, isto é, que reflita e integre a diversidade de idades, sensibilidades e engajamentos nas diversas dimensões da pastoral da Igreja[2].
A equipe de Pastoral litúrgica atua bem quando constituída por pessoas que amam a liturgia e prestam serviço de forma gratuita e desinteressada, aceitando trabalhar em equipe e aderindo-se ao processo de formação permanente. Ela é, antes de tudo, uma equipe de vida, de oração, imbuída do espírito do serviço gratuito e comprometida com a santidade e a espiritualidade da comunidade.
Para uma efetiva participação e crescimento eclesial, é muito importante que, periodicamente, se renove o quadro de seus membros. Isto evitará os monopólios, o cansaço e a rotina[3].
2.  Equipe de celebração[4]
Estas são encarregadas diretamente das celebrações da Palavra de Deus, da Eucaristia (missas), do Batismo, do Matrimônio, das Exéquias e das Bênçãos nas paróquias e comunidades. Destas equipes fazem parte, especialmente, leitores, Ministros da sagrada comunhão eucarística, recepcionistas, salmistas, cantores e instrumentistas, animadores, comentaristas e ministros que presidem.
Tarefas da equipe de celebração
equipe de celebração tem como tarefas:
      preparar, com certa antecedência, as celebrações, de forma criativa, simples, alegre, acolhedora, participativa e adaptada à cultura e à experiência religiosa da comunidade;
      organizar o espaço celebrativo de modo agradável, acolhedor e orante;
      preparar tudo o que for necessário para uma determinada celebração;
      prever os diferentes elementos e momentos da celebração, tendo em vista a integração entre o mistério celebrado e a vida das pessoas;
      escolher os cânticos e hinos levando em conta os momentos da celebração, o tempo litúrgico e a experiência da comunidade;
      distribuir corresponsavelmente as diversas funções e serviços;
      preparar-se técnica e espiritualmente para o desempenho competente das funções litúrgicas, tendo em vista a participação ativa da assembleia, definido também expressões e gestos simbólicos;
      avaliar, periodicamente, a prática celebrativa à luz da vida da Comunidade eclesial e da vida como um todo, isto é, enraizada na realidade do bairro, da cidade ou do meio rural. A liturgia deverá ser sensível às condições do povo[5].
Pede-se às Equipes de celebração para evitar o uso de folhetos litúrgicos. A atenção de todos deve estar centrada no altar, no ambão e na ação de quem preside ou anima a celebração. A proclamação da Palavra de Deus, das Orações Eucarísticas e das outras Orações deve ser acompanhada, ouvida e vivenciada com o olhar e o coração voltados para as pessoas que exercem em nome de Cristo o ministério litúrgico. Como povo sacerdotal não somos leitores de folhetos, mas atores da liturgia.




[1]CNBB. Animação da Vida Litúrgica no Brasil. (Documento 43).
[2] Cf. CNBB. Animação da Vida Litúrgica no Brasil. (Documento 43), n. 216.
[3] Idem., n. 216.
[4] Cf. Idem, n. 217.

[5] Cf. Ibidem, n. 194.