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CAFÉ FILOSÓFICO: FÉ E RAZÃO EM DUNS ESCOTO.


Notório intelectual da Idade Média o frade franciscano João Duns Escoto, nasceu por volta de 1265 a 1266 no povoado de Duns, na Escócia, foi formado e assim trabalhou em Oxford e Paris. Escoto recebeu o habito franciscano com quinze anos, e, dez anos mais tarde foi ordenado sacerdote.

O pensamento do Doutor Sutil tem por principal objetivo a defesa da fé cristã, mas, suas obras também abrangem de forma contundente e explicativa a Metafisica, presente em seus principais escritos. Dessa forma o pensamento deste Filosofo-Teólogo caminha em busca de sustentar respostas para a relação, (ou não) entre fé e razão, e também a possibilidade de defender racionalmente a necessidade de todo indivíduo possuir religião, questões estas que caracterizaram as áreas de abrangências dos pensamentos dos mais notórios intelectuais da Idade Média.

Duns Escoto não apresenta a fé e a razão como matérias adversas e contraditórias ou que exista duas verdades, ele considera, no que diz respeito a questão da fé, a razão não tem abrangência, pois a fé enquanto ciência transcendental não carece de fundamentação racional. Ele “apresenta que o objetivo próprio da teologia é Deus enquanto Deus; o da filosofia, e mais especificamente, o da metafisica – que é a coroa –, é o ser enquanto ser”. (LAET, Savio APUD GILSON, Etienne). Assim “Nada do que é demonstrável pela razão é revelado por Deus, e nada do que é revelado por Deus é demonstrável pela razão, salvo, é claro, a partir da revelação”. (LAET, Savio APUD GILSON, Etienne)
Para provar que o homem carece de auxilio sobrenatural Escoto elabora provas que exprimem a necessidade da revelação, que se furta basicamente da reflexão sobre o fim. Na primeira prova o Doutor Sutil diz que a razão não pode ter o conhecimento da determinação do fim do homem, “pois em sua experiência presente nada encontramos que nos permita concluir que a visão beatífica é nosso fim, ou que ela pode convir eternamente ao homem enquanto tal” (BOEHNER, Philotheus e GILSON, Etienne, 2000). Já no segundo argumento, ele considera que a filosofia desconhece as condições -meios- necessários que nos conduzem para o fim.
E concluindo, Duns apresenta a última prova que considera que o homem não pode viver sem o transcendente, pois, pela razão não é possível se atingir o conhecimento de características do mundo espiritual e assim do divino ou seja “aquelas propriedades das substancias espirituais que de algum modo lhes são comuns com o mundo sensível”. (GILSON, Etienne). Em suma, Duns Escoto não está desacreditado no valor da condição humana, ao contrário, ele concede a esta a possibilidade ou a capacidade de elevar-se a uma perfeição superior. 
José Adriano
3º Ano

CAFÉ FILOSÓFICO: Em busca da Felicidade


 A verdadeira felicidade não consiste em ter muito, mas em contentar-se com pouco” (Santo Agostinho).
Ser feliz é um dos grandes anseios da humanidade. No decorrer da história cada povo, cada cultura procurou defini-la de uma maneira e buscá-la em diferentes lugares ou coisas. Contudo, é necessário questionarmos se realmente existe uma receita que nos traga a tão almejada felicidade, ou se ela é fruto das nossas ações, ou de exercícios que todos podem praticar para consegui-la. Em uma sociedade marcada pela cultura do individualismo, pelo consumo desenfreado, onde se coloca o gozo nos bens materiais e os prazeres imediatos acima de tudo e de todos, fica-nos a dúvida se ser feliz é possível ou acaba sendo somente mais uma utopia.
Na Grécia Antiga, diversas foram às concepções de felicidade, ligando-a muita das vezes à atividade do sábio, sendo que este é (era) capaz de levar uma vida virtuosa através da reflexão filosófica sobre suas ações, bem como, o destino da polis. Conforme Marino, para Platão, discípulo de Sócrates, “[...] os seres humanos só poderiam ser felizes vivendo no seio de uma comunidade bem organizada” (MARINO, 2012, p.27), ou seja, seremos felizes se vivermos de acordo com a nossa natureza, contribuindo para a organização da polis, tendo assim uma cidade justa, sendo que cada indivíduo receberia uma educação de acordo com a sua natureza.
Aristóteles, mesmo rejeitando a utopia de seu mestre, desejava uma cidade justa e feliz e acreditava ser a felicidade o fim último de todas as coisas. Segundo Marino, na visão do Estagirita, vivemos para ser feliz e agir bem, sendo a felicidade o resultado de todas as nossas ações “[...] Esse fim, a que todos os outros fins se subordinam, não pode ser outro que a eudaimonia, a vida boa, a vida feliz. Em que consiste a verdadeira felicidade?” (MARINO, 2012, p.29). Dessa forma, a felicidade consiste no hábito da prática da virtude “[...] nosso dever moral é justamente bem desempenhar nela nosso papel, para tanto sendo necessário adquirir as virtudes correspondentes a suas funções sociais”.  (MARINO, 2012, p.29)
Santo Agostinho, cujos pensamentos influenciaram a Idade Média, não concorda com as ideias dos pensadores gregos, pois, para ele “[...] os filósofos gregos não conseguiram encontrar a chave da felicidade humana, pois ela só pode ser encontrada no encontro amoroso com Deus-Pai, que Jesus Cristo anunciou em seu Evangelho, pois a felicidade é uma questão de amar e não de conhecer como queria Platão” (MARINO, 2012, p.35).
No seu livro intitulado Confissões, ele diz que “[...] esta é a felicidade: alegrar-nos em ti, de ti e por ti. É esta a felicidade e não há outra. Quem acredita que exista outra felicidade persegue uma alegria que não é a verdadeira” (CONFISSÕES, 2018, p. 291). Mais adiante ele diz que nem todos desejam ser feliz “Portanto, não podemos dizer com segurança que todos queiram ser feliz, pois aqueles que não querem alegrar-se em ti – única felicidade - certamente não querem ser felizes” (CONFISSÕES, 2018, p. 291), ou seja, para o Bispo de Hipona, só em Deus encontramos a felicidade plena.
Entretanto, na contemporaneidade, o conceito de felicidade se diversifica bastante, tendo assim uma exuberância de conceitos atribuídos a ela. Um deles nos é dado pelo cantor e compositor Zeca Baleiro, na sua canção, Felicidade pode ser qualquer coisa, “Felicidade pode ser qualquer coisa/ Uma cachaça, um beijo, um orgasmo/ Um futebol na tarde de domingo/ Uma canção de Roberto e Erasmo”.
Diante disso, percebemos o quanto a felicidade acompanha o homem no decorrer de sua vida e na formação de sua identidade, e que apesar das diferentes concepções que a ela foram dadas, essa busca nunca ocorre de maneira solitária como muitos acreditam, mas sucede por meio da intersubjetividade.

João Batista Oliveira
2º Ano

REFERÊNCIAS
AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus, 2018.
JÚNIOR, Raul Marino. Em busca de uma Bioética global. São Paulo: Hagnos, 2009.
Disponível em:< www.letras.mus.br/zeca-baleiro/felicidade-pode-ser-qualquer-coisa/>. Acesso em 05 de abr. de 2019.

CAFÉ FILOSÓFICO: A maneira de viver a filosofia em busca da sabedoria

“Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir”.
 René Descartes

A maneira de viver filosofando, é questionar sobre as verdades não absolutas, é encontrar na duvida á própria sabedoria; não para nos tornarmos céticos, mas para encontrar na dúvida uma sabedoria que leva a uma verdade. O próprio ato de questionar-se de algo é afirma-lo que já o existe.
O filosofo Aristóteles diz que “A duvida é o principio da sabedoria”. A dúvida, portanto nos leva a questionar, a indagar... Caso contrário nos tornarmos escravos do pensamento alheio; muitas das vezes escutamos que a arte de se questionar é coisa de louco, é coisa de radical. Será? Então como tudo começou? E será que terá um fim? Não foi através do questionar? Para o filósofo brasileiro Mário Sergio Cortella, “Pensar bem, questionar bem nos faz bem”. Por fim apresento “A maneira de viver a filosofia em busca da sabedoria”. Para os gregos, em sua grande maioria, o filofofo é um amante da sabedoria ou aquele que busca a sabedoria. No fundo o filósofo é um desvelador, alguém que afasta o véu daquilo que estão a encobrir os nossos olhos e procura mostrar os objetos na sua forma e posição original, agindo com alguém que encontra uma estátua jogada no fundo do mar coberta de musgo e algas, e gradativamente afastando-as uma a uma, vem a revelar a sua real forma.
Aprendemos na filosofia vários conteúdos excelentes para nos tornarmos questionadores da sociedade cotidiana, para sermos bons escritores, oradores, formadores de opinião... Mas a filosofia vai muito, além disso, a verdadeira filosofia é a prática de como vivemos nosso cotidiano. Isto é mudar de vida, mudar ao menos uma vida. Por isso devemos viver como se estivéssemos vivendo nosso ultimo dia, nossa ultima hora. Tal atitude exige uma conversão total da atenção, parar de olhar o mundo como simples contexto da nossa ação, mas olhar para ele em si mesmo e por se mesmo. Essa atitude é ao mesmo tempo um valor existencial e valor ético. Permite primeiramente que tomemos consciência do valor infinito do momento presente, do valor infinito do momento de hoje, mas também do valor infinito dos momentos de amanhã, que serão acolhidos com gratidão, como uma sorte inesperada. Mas essa atitude também permite que tomemos consciência da seriedade de cada momento da vida; que façamos o que fazemos habitualmente, mas não por hábito, e sim como se fizéssemos pela primeira vez, descobrindo tudo o que essa ação implica para que seja bem feita. 
 Portanto a pratica da filosofia e a busca da sabedoria nunca acabam: devemos sempre nos exercitar, porque a sabedoria exige mais, exige que avancemos sempre, que continuemos incessantemente a renovar as praticas e a vida filosófica.
E você caro filosofo (a), quer encontrar à sabedoria? Então te apresento a filosofia, a porta de entrada para pensar o mistério, a filosofia, portanto já é o amor pela sabedoria.

Douglas Silva da Cruz
2º Ano

A ATUALIDADE PASSADA NO CRIVO DE AQUINO

Google Imagens:
Botticelli. Santo Tomás de Aquino
O livro “A Prudência: a Virtude da Decisão Certa”, que reúne artigos presentes nas questões 47 a 56 da secunda secundae da Suma Teológica, apresenta a prudência e suas características. Após a leitura dessa obra, pus-me a questionar: Qual é, em nossos tempos, a relevância da prudência tomista para a reflexão acerca da reelaboração de uma ética comunitária sem perder o caráter subjetivista?
Antes de adentrarmos nos pormenores do texto base, cabe esclarecer que prudência nos tempos atuais ganhou uma conotação diferente do significado abordado por Tomás. Hoje, o termo foi reduzido a um ato egoísta e talvez medroso. Para o Doctor Angelicus tem um caráter virtuoso próprio do homem que, a partir de um bom uso da razão, faz suas escolhas pautadas num modelo ético.
Outro ponto que devemos abordar é a característica subjetivista presente na sociedade atual. Esse foco no sujeito, herdado da modernidade, traz outro questionamento à tona: é possível fazer um paralelo entre o pensamento de Aquino, marcadamente institucional (coletivo), e o individualismo hodierno?
Diante de tais questionamentos, propus não solucioná-los, mas, ao menos, por em evidência algumas pistas para reflexão, que ajudem a compreender melhor o comportamento do homem de hoje. Desse modo, retornar ao pensamento medieval e entender o significado de ser prudente, torna-se de grande relevância para a reflexão ética do tempo presente.
Tomás de Aquino, na referida obra, apresenta, de forma concisa, as diversas partes da prudência, e, posteriormente, exibe comportamentos que se opõem a ela; porém, alguns que apresentam certas semelhanças com a virtude supracitada. São nítidos, no texto, aspectos de uma ética basicamente teleológica, ou seja, que busca uma finalidade pré-estabelecida.
Todas essas características são encontradas na contemporaneidade (entendendo contemporaneidade como o tempo em que vivemos). Visto que, a ética atual foge dos parâmetros deontológicos (pautados no dever), o que nunca se viveu na prática, e parece regressar à busca de fins que norteiem uma conduta de vida. Ou se pensarmos por outro viés, a moral da “moda” é uma mescla de uma finalidade por dever.
No entanto, os questionamentos acerca da vivência ética na atualidade instiga as reflexões acerca da temática. E outras questões vão surgindo, quanto que o subjetivismo egoísta pode interferir nas decisões éticas? Os diversos tipos de corrupção não teriam origem nessas implicações? Quanto que o eu tem poder de decisão sobre o nós? São interrogações como essas que servem de parâmetros para lampejos de construções éticas que possam solucionar alguns problemas sociopolíticos da atualidade.

Pablo Prado
3º Filosofia

Habermas e a teoria da linguagem

Baseando-se na teoria da linguagem, Habermas apresenta um modelo educacional imerso na interação humana. Sendo assim, o indivíduo,  poder-se-ia pautar sua atuação não simplesmente nas regras e normas inflexíveis, e que esta seja realmente um novo modelo de fazer acontecer o conhecimento, proporcionando uma educação para a vida, formando “mentes pensantes”, com a consciência de que seriam eles os responsáveis pela mudança da sociedade, despertando no indivíduo a reflexão para a realidade em busca de melhorias, seja para ele próprio ou para a nação, levando para as ruas cidadãos conscientes e atuantes, longe de qualquer instrumentalização. Nesse contexto, Habermas afirma que a ação comunicativa acontece: 

[...] sempre que as ações dos agentes envolvidos são coordenadas, não através de cálculos egocêntricos de sucesso mas através de atos de alcançar o entendimento. Na ação comunicativa, os participantes não estão orientados primeiramente para o seu próprio sucesso individual, eles buscam seus objetivos individuais respeitando a condição de que podem harmonizar seus planos de ação sobre as bases de uma definição comum de situação. Assim, a negociação da definição de situação é um elemento essencial do complemento interpretativo requerido pela ação comunicativa (Habermas, 1984, p. 285).

No entanto, tudo o que se propõe, até então, seria uma reflexão acerca da realidade adotada pela sociedade, mediante o comportamento humano, que antes era estimado pela pessoa do ser. Com o passar do tempo e no decorrer de mudanças na sociedade, o ser humano parece ter perdido o seu valor enquanto humano e ser. Eis que Habermas, com a sua teoria da Razão Comunicacional, visa oferecer ao indivíduo uma valorização da comunicação humana, envolvendo o intelecto do ser em busca de uma melhor compreensão de mundo através da capacidade humana de comunicação, construindo o pensamento e o raciocínio, mesmo que, a princípio, possa parecer irrealizável, cabe contudo, persistência e dedicação na aplicação do método, tendo como objetivo a construção e vivência da “Cidadania e Participação”.
         No tocante à teoria da linguagem, o filósofo alemão discorre acerca dessa, afirmando que, no discurso, estão embutidas/atreladas regras voltadas para um conteúdo normativo, determinando assim a maneira de agir mediante o uso da linguagem. Habermas aprofundou os estudos apresentados por Austin, que apresenta dois termos para distinguir esse ato da comunicação, a saber: ilocucionários e perlocucionários. Habermas os classifica da seguinte maneira: o primeiro refere-se a ação da fala, podendo ser, no entanto, uma promessa, uma ordem ou pedido, desenvolvendo então o processo de entendimento entrelaçado na compreensão da fala; já o segundo acende um resultado naquele que escuta/ouve, e essa é responsável pela ação voltada para a realização de objetivos, visando uma compreensão acerca da linguagem.

Élcio Bonfim
3º Filosofia


AS DUAS FONTES DA MORAL EM HENRI BERGSON (II Parte)

A moral aberta como imitação
Aprofundando o sentido desta segunda moral, o escritor francês é bem específico no que se trata desta, pois a verdadeira moral tem como essência o sentimento do homem, não simplesmente como algo emocional e passageiro, mas como vivência e concretização das normas obtidas a partir daqueles que nos propiciam condutas exemplares e dignas de admiração e de imitação. Para tanto, o autor, descreve esta moral como a da imitação ou moral aberta, uma vez que tem sua fundamentação no mundo da vida. Ele busca compreender esta moral aberta através da religião, ou seja, uma nova moral que busca seu sentido na vida exemplar dos santos (no cristianismo), bem como, daqueles que nos antecederam e são considerados como referência dessa moral completa e absoluta.
Esta moral nos é imposta pela metafísica, uma vez que nos faz compreender as ideias sobre Deus e também sobre o mundo e a relação de um para com o outro. Tendo culminado no ser humano esta força que é própria da imitação, a moral aberta sobrepõe a primeira moral – a moral da obrigação ou fechada – e, em pleno uso da imitação o ser humano, encontra nesta o pleno gozo que para Bergson encontra o seu ápice no próprio evangelho.     
Em suma, o autor quer nos apresentar o Sermão da Montanha como a representação da moral evangélica, destacando a pessoa de Jesus Cristo como exemplo a ser imitado pois serviu também como referência de vida justa e reta no campo da ação, para os grandes místicos que buscaram deixar para a humanidade o caráter dessa moral aberta. A característica principal desta moral é que os exemplo não exigem nada daqueles que os seguem, apenas que abracem a moral que é tida como apelo que perpassa a obrigação social.
Concluindo, as propostas de Henri Bergson acerca das duas fontes da moral, podemos dizer que a sociedade é uma comunidade de seres humanos que mantem entre si uma relação de laços interligados entre seus membros. Esta relação desempenha uma função entre os indivíduos desta sociedade, proporcionando assim o ato obrigacional.
Contudo, é de suma importância destacarmos que essas duas fontes da moral se exercem mediante a vida social, pois a primeira, enquanto obrigação social, busca dosar as atitudes humanas primando assim, a organização social, mesmo que esta seja influenciada pelo hábito ou instinto; já a segunda, busca impregnar no coração do homem o sentimento do amor, e este, encontra na imitação um modelo a ser vivido.
Sendo assim, Bergson buscou defender nesta obra não apenas uma face da moral como a mais importante, mas sim, que ambas com suas características peculiares buscam acrescentar na vivência em sociedade um sentido lógico e organizado para o existir enquanto seres que buscam razão e significado para os seus dias, sempre com a preocupação de deixar aos seus descendentes um primado mais que ideal a ser seguido e que este, o tempo não seja capaz de apagar ou sucumbir.

Élcio Bonfim
3º Filosofia



AS DUAS FONTES DA MORAL EM HENRI BERGSON (I Parte)

A obrigação moral

O ser humano é um ser social e carece da vida em sociedade. Para que isso seja possível faz-se necessário um conjunto de leis e normas que sejam capazes de reger a sociedade. Eis que surge uma indagação que perpassa a vivência humana: o ser humano foi criado para seguir regras? Nesta perspectiva, Bergson nos propõe uma reflexão acerca da obrigação moral que para ele “uma coisa é um organismo submetido a leis necessárias, e outra, uma sociedade constituída por vontades livres” (Bergson, 2005, p. 23).
 Sendo assim, podemos pensar que a vida em sociedade parte de princípios enraizados nos hábitos e estes, por sua vez, seguem suas classificações, a saber: hábitos de comando e de obediência, sendo o segundo de maior abrangência e detentor do poder de exercer em nosso querer uma pressão ao decidir.
Partindo deste itinerário, Bergson adentra o comportamento da humanidade fazendo uso da contemplação da natureza humana deixando em destaque a dignidade do ser, descrevendo assim, as duas fontes da moral.

A moral fechada como pressão social

O autor deixa claro que a sociedade não é formada por seres privados de liberdade, mas sim por indivíduos portadores do livre-arbítrio. É neste contexto que a obrigação não deve ser vista como imposição e sim como uma maneira de acrescentar uma porção de regularidade em relação aos acontecimentos da vida, pois a obrigação tornar-se-á um atributo para a necessidade humana como o hábito torna-se propício à natureza inerente do ser.
A obrigação assume aqui o laço que une os homens, primeiro liga cada ser em si mesmo e depois um eu social em cada um de nós ao eu individual, expressando assim, a essência da nossa atitude obrigacional. Esta ligação é realizada mediante o convívio social. Destaca-se, pois, que a obrigação realizou proezas na vida social graças a inteligência do homem e não ao instinto, pois este, não supera o primeiro. Para enfatizar a necessidade da obrigação.
Analisando a obrigação, a partir deste contexto que o autor nos apresenta, fica visível que esta obrigação moral está entrelaçada em exigências sociais, uma vez que o homem é provido de hábitos que se concretiza na imitação do instinto humano. Para ilustrar este pensamento, Bergson faz uso do exemplo da formiga que trabalha incessantemente no formigueiro para garantir a existência da sua espécie, sem saber ela que tudo não se passa de gestos repetitivos que é próprio da sua espécie. Se a formiga fosse provida de inteligência ela poderia desviar-se do seu itinerário, fugindo assim, dos impulsos nela contidos, afastando-se, então, da obrigação que mantém o formigueiro como ele é.
Segundo o autor, mesmo que realizemos nosso dever, pode surgir em nós o princípio da resistência em fazê-lo e, ao mesmo tempo, não poderíamos afirmar que esse dever necessite ser cumprido mecanicamente, antes, faz-se necessário o querer fazer. A deliberação da vontade, do querer é uma ação que é precedida de comandos racionais.

Élcio Bonfim
3º Filosofia

Procurando (fora, mais que dentro)

As bibliotecas, tanto mais cheias de títulos quanto menos de gente que queira os livros – em papel, ao menos – guardam em si as descobertas que os humanos foram empreendendo no curso longínquo da história.
Dizem – os livros – de tudo: do universo, dos microrganismos, dos países, das guerras, paz, adolescência, envelhecimento, filosofia, piadas... Afinal: Que é o conhecimento? Quem conhece? O que é conhecer?
De sempre – e parece que é de sempre que tudo quanto se possa falar do homem costuma ir ao momento em que ele percebe que pode perceber e perceber-se, noutros termos, que tudo começa quando ele passa a saber que sabe que consegue saber sobre saberes variados, inclusive o saber de si e saber que sabe de si mesmo: consciência e autoconsciência – o homem procura respostas as perguntas que passou a formular quando se espantou com a existência, a do mundo e a sua. Parece ater-se mais em responder as questões sobre o mundo, pois, sobre si, sabe pouco. Ao menos assim falou um homem, que quis/explicou alguma coisa:

Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos; de nós mesmos somos desconhecidos – e não sem motivo. Nunca nos procuramos: como poderia acontecer que um dia nos encontrássemos? (Nietzsche, 2009, p. 7)

Em nossos tempos temos muita coisa explicada! E não só, de uns séculos pra cá temos muitas coisas cientificamente explicadas! O que, de quando a expressão ganhou forma aos nossos dias parece ser uma coisa bem mais importante que qualquer outra explicação. Não sei, contudo, se calou o anseio do homem em procurar as coisas fora de si. Parece que não! pois, não basta-nos a terra, vamos a Marte, Vênus... Outras galáxias, encontrar outro planeta que tenha – vejam só - água, pois da nossa já cuidamos muito bem...
Sobre a (as) nossa (s) procuras, quando finadas, parecem apontar para uma experiência já relatada, mas que não basta-nos saber por outros – mais fidedignos que sejam os testemunhos – precisam ser presenciadas, vivenciadas – não digo experimentadas para não dar margem aos tubos de ensaio – coisa que só se faz quando o olhar distrai-se de fora e volta-se pra dentro: “Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora” (Agostinho, 1984, p. 295).

Kleber Chaves,
3º Filosofia
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Referências
 AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Paulus, 1984 
NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da Moral: uma polêmica. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

A EDUCAÇÃO COMO EXERCÍCIO FILOSÓFICO

Antes de explanar sobre o que significa ensinar filosofia, acho oportuno ressaltar a importância do aprender filosofia, ou melhor, aprender filosofar. O ensinar de nada valeria sem o movimento do querer aprender, essa vontade a qual Immanuel Kant aborda em seu pensamento tem importância singular na compreensão, visto que, o refletir é algo subjetivo, e o conhecimento parte do indivíduo. Nesse sentido, a filosofia é apreendida na medida em que o sujeito, interessado em aprimorar seu conhecimento de mundo, busca, por meio de orientadores, vias que o conduza na exploração do universo filosófico.
Conquanto, a filosofia impede a alienação, por ser ela um dos caminhos que permite ao homem uma reflexão mais acurada acerca daquilo que o permeia, possibilitando, assim, que esse mesmo homem questione os fatos políticos, éticos, religiosos, antropológicos, e tudo que diz respeito à vivência humana e possua um grau de razoabilidade. Outra importância primordial na aprendizagem filosófica é em relação à criticidade e questionamentos radicais que só o pensamento filosófico propõe ao seu tempo, dessa forma, mesmo não resolucionando, revoluciona-o, propiciando uma análise que perpassa a mediocridade das concepções rasas que constantemente nos é oferecida.
Esse processo de aprendizagem se dá, sobretudo, pela colaboração de mestres que permitem esse acesso ao conhecimento, porém, esse papel de facilitador que as novas pedagogias pretendem não pode se confundir como mero espectador. O professor, que é por excelência um filósofo, independente da disciplina que aplica, tem papel fundamental no desenvolvimento cognitivo da pessoa, possibilitando, ou não, essa maiêutica a qual o educando é capaz. O mestre tem a responsabilidade de ajudar o discípulo a desenvolver um pensamento de maneira orgânica, dando-lhe oportunidade de superar seus limites, chegando ao ponto de, capacitá-lo de tal forma, que se chegue mais próximo a uma excelência, ou seja, o aluno superar o professor.

Pablo Prado
3º Filosofia


A HERMENÊUTICA UNIVERSAL DE GADAMER

Na busca incansável de uma compreensão acerca do pensar e agir humano, destaca-se a preocupação/ocupação da hermenêutica em adentrar nas questões entrelaçadas à dimensão interior do ser, e nesta, faz-se presente a conversação, a qual enfatizaremos neste escrito, debruçando-nos sob o pensamento de Gadamer, e este, por ter sido aluno de Heidegger, inclina-se ao pensamento do seu professor.
A hermenêutica universal de Gadamer está voltada para as ciências do espírito, em que ele rebate as ideias defendidas pelo historicismo e positivismo de que as ciências do espírito para serem classificadas como tal, deveriam criar seus próprios métodos e critérios.
Gadamer defende a ideia de que as ciências do espírito não carecem de ficar presas à métodos e critérios, mas sim, embasadas ao emprego de um tato, que poderá ser compreendida com base na tradição cultural.
Seguindo esse contexto, Gadamer afirma que o historicismo impregnou na hermenêutica a contextualização dos acontecimentos ao seu período ocorrido, caindo assim numa contradição, pois esta, fica presa ao seu tempo. Ele aprofunda o sentido da compreensão, fazendo ligação também à aplicação do entendimento adquirido deste compreender-se, ao passo de afirmar que compreensão e aplicação coincidem, sabendo que a compreensão é a continuidade de um diálogo outrora começado. Contudo, destaca-se a hermenêutica da aplicação: a dialética da pergunta e da resposta.
A linguagem, a partir da conversação para Gadamer, tem sentido de relação do texto com aquele que o realiza, ou seja, um diálogo interior, pois o texto nunca esgota o seu significado e nós não abstraímos por completo todo conhecimento de um enunciado.
Segundo Gadamer, é preciso despertar a história dos efeitos do texto, apoiando-se na leitura de mundo e do horizonte em que se encontra o leitor num contexto existencial; a tradição tem que ser respeitada para não partir do ponto zero, anulando a existência anterior.
Ele enfatiza que a leitura não deve ser feita de maneira circular, mas sim, em espiral, abrindo novos horizontes de interpretação. Gadamer tem como objetivo, a busca da compreensão como participação do leitor no escrito, para assim, ultrapassar o sentido inicial apresentado pela leitura, a auto-compreensão como possibilidade do ser. Portanto, “a verdadeira linguagem jamais esgota o enunciável”.
                                                                                                                         
 Élcio Bonfim
                                                                                                                                   3º Filosofia                                                                                                                                                                                                               

Vida e natureza: Fenômeno estético na filosofia nietzschiana

A vida é tema recorrente na literatura, na filosofia e na arte, sendo uma temática que abrange todas as áreas do conhecimento humano. Na concepção de Nietzsche, Vida é vontade que cria, é um constante processo de autocriação.
Categoria fundamental para compreendermos a proposta do filósofo alemão é relacionar vida e natureza, como forças antagônicas e que ao mesmo tempo convergem. A vida é como uma obra de arte aberta às diversas interpretações. É, portanto, um fenômeno estético e não um fenômeno em si mesmo. O homem, como escultor do seu próprio destino: aqui o artista e a sua obra estão juntos em constante processo de criação.
Para Nietzsche não é possível avaliar a vida, à medida que nós, seres humanos, somos limitados. Sempre falamos da vida a partir dela mesma, a nossa razão não pode nos dizer o que ela é, é primeiramente o devir, em constante transformação. A crítica nietzschiana se dá pela impossibilidade da moral e da antropologia avaliar o valor da vida e da existência humana.
Nietzsche elaborou uma filosofia da natureza que se apresenta como cosmológica, uma cosmologia artística por assim dizer. A compreensão da natureza pode ser feita a partir de uma investigação genealógica. Para compreender a sua concepção de natureza é preciso analisar o valor supremo, o valor dos valores, bem como, levar em conta que a cosmologia nietzschiana está ligada à vida. O que ele pretendeu, com sua explicação, foi unificar esta teoria de forças, neste processo genealógico e cosmológico.
Como compreender o homem a partir deste pensamento? Qual é a grandeza do homem? Em seu Zaratustra o filósofo nos apresenta o além-do-homem, o super-homem, aquele que supera a si mesmo, aquele no qual a vontade de potência age continuamente. Vale destacar que o filósofo não admite leis causais, essa relação de causa e efeito. A natureza é o “outro” da vida, é ainda a própria vida.
O que é a natureza senão este enigma sombrio, escrito em hieroglífico? O homem é o seu perene intérprete e tradutor e vida é, antes de tudo, “vontade de potência”. Este processo de interpretação necessita do amparo genealógico, pois o tempo é eterno e é preciso fazer uma hermenêutica dos valores. O homem é aquele que é capaz de ler este longo texto e ao menos tentar compreendê-lo. Este processo dinâmico do fluir ocorre no instante, ou seja, não é possível ir contra a natureza. Ao contrário, é preciso compreendê-la, pois a felicidade, de certa maneira, encontra-se nela e é através dela que a vida mostra-se como vontade de potência.

Alisson Caires

1º Teologia

O Significado em Lonergan

O filósofo, teólogo e economista, Bernard Lonergan aborda o “Significado”, que, em sua compreensão, está encarnado em intersubjetividade, arte, símbolos, linguagem, vida e nos feitos das pessoas. O modo que ele elege para esclarecê-lo é através da decomposição explicativa de cada umas das referidas partes.
Por intersubjetividade se compreende a relação que o sujeito estabelece para consigo, mas antes para com o outro. Para compreensão desse aspecto, ele evoca o pensamento de Max Scheler que elaborou a distinção entre (1) a comunidade de sentimento, (2) o sentimento de solidariedade, (3) o contágio psíquico e a (4) identificação emocional. O primeiro diz respeito a uma resposta direta ao objeto; o segundo, uma resposta à reação de um sujeito ao objeto; o terceiro à partilha de emoções sem se saber a causa objetiva delas; e o quarto, que é subdividido em (a) diferenciação não desenvolvida e (b) regresso diferenciado.
A comunicação intersubjetiva de significado se sustenta no conceito de percepção que possui uma própria orientação que empreende seleção da pluralidade de impressões, escolhendo somente aquelas que possuem um esquema que signifique. Com isso, ele pretende “indicar a existência de um suporte ou corporificação especial do significado, isto é, da intersubjetividade humana” (LONERGAN, 2012, p. 77)
Referente a Arte, Lonergan se utiliza do pensamento de Susanne Langer, que estabelece o seguinte conceito: “[arte:] objetificação de um esquema puramente experiencial” (In: LONERGAN, 2012, p. 78). Na obra, explica-se o emprego de cada termo, e sua relevância nesse significado, onde, (1) estrutura é a seleção orgânica que parte do perceber; a (2) pureza, quando esta seleção exclui ensejos alheios que tornam a experiência instrumental; (3) experiencial, porquanto seja um desempenho consciente do sujeito que transforma e é transformado.
Os símbolos dizem respeito a uma imagem de um objeto, quer seja real ou imaginário, que diz sobre um sentimento ou é dito por ele, sendo capaz de expressar as tensões internas, conflitos e destruições que a lógica formal não admite. Sentimentos, por sua vez, dizem respeito a objetos, outros sentimentos e ao próprio sujeito.
No que diz respeito a linguagem, ela é entendida como um conjunto de signos convencionais, onde o significado ganha maior amplitude e libertação, sendo responsável pelo processo de estruturação do mundo circundante do sujeito. Enquanto isso, o significado encarnado diz respeito ao modo próprio de ser desse ser, suas palavras, ações e quaisquer manifestações.
Em sua estrutura, o significado é composto de elementos, que são: as fontes, os atos e os termos do significado. As fontes dizem respeito aos atos em consciência, bem como seus conteúdos; os atos se subdividem em potenciais, formais, plenos, constitutivos ou efetivos e instrumentais; finalmente, os termos plenos de significados, carecem de distinguir os distintos campos da existência: transcendente e transcendental.
Finalmente, o significado pode ser concebido por seus estágios, que são três: o primitivo da linguagem, que não se coaduna a ideia de essência das coisas que são nomeadas (senso comum); o segundo, a partir dos gregos e da “descoberta da mente”, que vive entre o senso comum e a teoria, e, por último, o estágio – que aqui decidimos chamar de – “científico”, que se pauta em métodos, onde em determinada área da ciência não se possa encontra melhor especialidade que possa falar naquele assunto específico.
Que cabe à filosofia agora, diante desse cenário? Lonergan conclui, afirmando que: “A Filosofia encontra seus dados próprios na consciência intencional. Sua função primeira é promover uma autoapropriação que chegue às raízes das diferenças e incompreensões filosóficas” (LONERGAN, 2012, p. 114)

Kleber Chaves
2º Filosofia

REFERÊNCIA


LONERGAN, Bernard. Método em Teologia. São Paulo: É Realizações, 2012. (Coleção filosofia atual)

Educar é o ato de filosofar amando

Ensinar filosofia, é proporcionar ao homem um questionamento crucial sob a compreensão de mundo acerca da realidade a qual está inserido, tornando-se um homem para a vida, com a capacidade de desenvolver a auto reflexão. Sabe-se que, a instrução de cunho filosófico não é algo dado como pronto, mas sim, um processo de relação entre o saber construído e o envolvimento do educando, sempre com um olhar crítico e reflexivo mirando uma inclusão do saber e do aprendiz.
São inúmeras as dificuldades encontradas dentro do processo educacional no que se refere ao ensino da Filosofia, dentre elas, destaca-se o problema em torná-la matéria escolar constando na grade curricular, e mais ainda, não como mera ocupação e preenchimento de matérias ou disponibilizando aos professores como preenchimento da carga horária de trabalho, faz-se também a necessidade de consolidar e legitimar, não com o intuito de repor o tempo em que fora suspensa, mas tentar acrescentar uma educação de qualidade, buscando na Filosofia o seu verdadeiro contributo “despertar um pensamento crítico e reflexivo”. Buscando assim, uma valorização e aproveitamento desta, ocupando o lugar que lhe é devida, o campo da reflexão na construção do saber, levando para a vida do aprendiz um conhecimento que seja adequado para a sua formação.
Outra dificuldade a ser superada é a criação de uma política educacional que beneficie o processo de ensino, e que esta educação, não esteja voltada para o utilitarismo/tecnicismo voltados para o mercado capitalista, mas que seja capaz de romper as alienações que o curso da história impregnou na humanidade, primando pelas dimensões que constitui o ser, a saber: intelectual, afetiva, física, estética, política, profissional. Ainda, faz-se necessário também, o investimento na capacitação dos professores, e que este processo seja permanente, através de cursos, seminários, especialização filosófica, entre outros. Também seria necessário um investimento dentro do recursos didáticos, bem como, na melhoria dos livros e que os mesmos tenha cunho filosófico e não apenas metodológicos.
O conhecimento nunca é limitado e jamais ultrapassa a necessidade de buscá-lo, e a Filosofia busca cumprir essa função de jamais dar o entendimento por completo e que a sede de informação seja esgotada, sendo assim, ela desenvolve um papel mais que necessária dentro deste processo, por isso, faz-se necessário o uso de textos filosóficos, para que seja capaz a reflexão acerca da matéria. Como resultado, busca-se por parte dos professores a transmissão de pensamentos filosóficos com o intuito de oferecer aos alunos a capacidade de enfrentar as necessidades futuras, aprofundando a área de estudo da Filosofia (Ética, Política, Estética, Ciência), como resultado, buscar-se-á desenvolver uma educação ativa e que esta seja uma via de crescimento e enfrentamento da realidade sem medo ou incapacidade de fazer valer a sua vez/voz no mundo social. Por conseguinte, será de suma importância a comunicação e interação entre professor e aluno, já que a disciplina está voltada também para esta questão. Sendo assim, o aluno também sentir-se-á parte integrante do processo educacional, e o professor atuará então como facilitador neste processo.

Élcio Bonfim
2º Filosofia


O HOMEM E A BUSCA DE SI

Na busca pela compreensão de si mesmo, o homem, ao longo dos séculos, elaborou uma série de conceitos, no intuito de desvendar os problemas existenciais: de onde vim? Onde estou? Para onde vou? Na Idade Moderna, destaca-se o conceito antropológico elaborado por René Descartes, pautado na característica racionalista.
O problema antropológico, surgido na Grécia, a partir da observação do cosmos e da busca do arché (princípio originário),  desenvolveu-se ao longo dos séculos, alcançando o seu auge na Idade Moderna, com o antropocentrismo. Nesse momento, o homem é exaltado em sua natureza e apresentado como o centro do universo e de toda a criação, passando, assim, a ocupar o centro do pensamento.
Juntamente com a exaltação do homem e de suas capacidades cognitivas, surge o problema do conhecimento. O que antes era recebido de maneira passiva, como verdade absoluta, passa a ser questionado. O indivíduo é colocado na posição de construtor de seu próprio conhecimento. Juntamente com isso, nasce a necessidade de encontrar um meio seguro pelo qual se comprove a veracidade da produção elaborada pelo homem.
Buscando encontrar uma forma segura de conhecer, René Descartes elabora um método que vai ser base para a ciência moderna, nisso ele formula a antropologia racionalista, onde afirma que a forma segura para se chegar ao conhecimento é fazendo o pleno uso da razão. O homem para Descartes é um ser formado por duas substâncias: res cogitas (pensamento) e res extensa (extensão).
Na obra Meditações Metafísicas, Descartes aborda a relação da res cogitas (pensamento) com a res extensa (corpo). Em sua antropologia, o pensamento é exaltado, e, no fim da Sexta Meditação, o corpo é colocado como necessário para a existência do homem. A idade cartesiana do pensamento é marcada pela supremacia do Cogito como fonte inabalável do saber, isso é visível nos neocartesianos como Blaise Pascal.
            A antropologia racionalista, proposta por René Descartes, ao exaltar o uso da razão para o conhecimento da verdade, impulsiona o homem a aprimorar a sua capacidade cognitiva, no intuito de conhecer, cada vez mais, a si mesmo e ao mundo com o qual interage. Assomada a essa concepção cartesiana, temos muitas outras que, juntas, proporcionam um percurso histórico, revelando a necessidade que o homem tem de firmar-se, elaborando uma concepção universal que abranja a compreensão do seu ser. 
Júlio César
1º Teologia

ATÉ QUE QUANDO ESSA IMAGEM TERÁ PODER?

No início deste mês de setembro, a frase “a humanidade levada pelas águas” repercutiu pelo mundo, escrita nos mais diversos idiomas e das mais variadas formas. Ela serviu de legenda para a imagem do pequeno Aylan Kurdi, de apenas três anos, morto no naufrágio do barco que ia em direção a Europa. Tal imagem – feita em Bodrum, na Turquia – espalhou-se pelas redes sociais, tornou-se manchete de muitos jornais e revistas a ponto de estimular intensa reflexão sobre a crise migratória dos sírios para a Europa e provocar discussões sobre a questão política vivida no Oriente Médio e na África. Como se sabe, desde o início da guerra civil na Síria em 2011, milhares de pessoas estão deixando o país por causa da extrema violência, das perseguições e da pobreza. Não possuem destino específico, vão para todos os cantos da terra. Porém, há muitas rejeições na receptividade, como acontece com alguns países europeus, como é o caso da Grécia, só pra citar um exemplo.
Todos esses acontecimentos nos permitem pensar na influência que as imagens possuem em nossos dias. Quer dizer, ao longo da história, a imagem sempre se desponta como sinal de comunicação, porque é capaz de transmitir sentimentos, vontades e opiniões. No entanto, com o avanço da tecnologia, sobretudo pelas redes sociais, as imagens adquiriram enorme velocidade, tornando-se grande veículo de comunicação. O problema é que nem sempre os objetivos pretendidos com as postagens são atingidos. Pensemos na imagem do pequeno Aylan. Não há dúvidas que a intenção daquela foto seja um sinal de alerta para a humanidade repensar suas escolhas.
 Efetivamente, a maior lição que aprendemos ajuda-nos refletir sobre o que pode tornar nossas relações sociais mais humanas. Nesse viés, se a Europa se comover com o caso de um pequeno inocente, certamente irá repensar a forma de tratamento aos refugiados e imigrantes, podendo acolhê-los e possibilitá-los uma nova oportunidade para reconstruírem suas vidas. Sobre esse problema, o jornal britânico ‘Independent’ na sua publicação de 03/09, questionou: “se estas imagens com poder extraordinário de uma criança síria morta levada a uma praia não mudarem as atitudes da Europa com relação aos refugiados, o que mudará?” Além dessa questão, perguntamos também: será que a Síria e outros países do Oriente, da África e de outras partes do mundo não se sentiram comovidos com aquela imagem? De fato, é preciso pensar na acolhida dos migrantes na Europa e noutros lugares, mas não se pode esquecer que a questão política do Oriente precisa mudar, pois se houverem melhorias de vida naquela região, surgirão possibilidades de uma nova humanidade. Até quando um inocente morrerá para nos ensinar resgatar a humanidade para os caminhos da justiça, da paz, da fraternidade e do bem comum? Enfim, para onde caminha a humanidade? fundamentalmente, essa é a questão que nos provoca, pois somos a “humanidade levada pelas águas”.

Marcos Bento

 1º Teologia

O MISTÉRIO DA MORTE

A morte é objeto de análise e estudo do homem em diferentes épocas. Essa experiência única e irrevogável a qual passamos, trona-se um misterioso tema de incansável discussão até mesmo no universo filosófico. Quem nunca se questionou acerca do morrer ao menos uma vez na vida? Ao participarmos de um velório, e essa é a expressão que acho melhor usar, visto que, participamos realmente daquele momento, além das piadas costumeiras, que o “animam”, ou até mesmo da intenção te tomar um café com biscoito, ou ainda, das condolências à família enlutada, sempre surge uma reflexão profunda relacionada a essa temática. E, seguindo esse viés, proponho nesse pequeno escrito apontar algumas pistas reflexivas para, senão compreendermos, ao menos despertar o mínimo de interesse pelo assunto.
Certo pensador alemão, afirmava que o homem é um ser para a morte. Podemos, partindo dessa concepção de Heidegger, iniciarmos um esboço de caminhos que norteiem esse texto. Primeiramente, analisaremos a morte de um ponto de vista biológico, assim sendo, parece-me insuficiente, a morte como fim último do ser humano, pois esse, segundo grande parte dos filósofos, bem como, todas as pessoas adeptas das religiões, que possui em sua essência um caráter transcendental, ultrapassa os limites biológicos ganhando, assim, um caráter superior (transcendente). Todavia, ao que me parece, o pensamento heideggeriano propunha a morte como algo que esta além de um acaso da natureza, tomando proporções indeléveis ao homem. Deste modo, o que anteriormente poderia ser pensado como algo acabado, passa-se a ser pensado como algo próprio do ser humano que não pode ser negado e que deve ser vivido constantemente.
Hannah Arendt, contemporânea de Heidegger, contestando essa afirmativa, assegura que o homem é um ser para a vida. Do mesmo modo que, anteriormente fora analisada a morte sob dois aspectos, ao fazermos o mesmo com o termo vida, chegaremos à mesma conclusão. Porém, confrontando o pensamento de ambos os filósofos, poderíamos cair no erro de apontar um ou outro como verdadeiro, o que seria, em meu humilde ponto de vista, uma tamanha injustiça. Portanto, cabe aqui buscar uma conciliação dos dois pensamentos (sabendo que em sua origem isso seria impossível). Nesse caso, poderíamos apontar o homem como, simultaneamente, um ser para a vida, como para a morte, desse modo, a afirmação seria analisando o indivíduo em sua amplitude e com todas as suas potencialidades. Assim, vida e morte se complementariam, sabendo que uma depende constantemente da outra, pois, se a cada dia que vivemos caminhamos para a morte, somos impelidos a cada dia a morrermos para as coisas velhas para constantemente renascermos para o novo.

Pablo Barbosa
2º Filosofia

O PRÍNCIPE, A ARTE DE GOVERNAR NO PENSAMENTO DE MAQUIAVEL

A obra “O Príncipe” do filósofo político italiano Nicolau Maquiavel, como o mesmo descreve, é uma carta direcionada ao magnifico Lorenzo de Medici, como um presente da mais alta estima e devoção. A obra é composta por vinte e seis capítulos, tendo como tema a melhor maneira de governar politicamente um reino confiado aos domínios do príncipe, para assim, manter uma organização da sociedade como um todo a ele confiada.
Na concepção política de Maquiavel, o Estado deve ser visto como ele é e não como gostaríamos que ele fosse. No decorrer do escrito, o autor discorre sobre os vários tipos de estados e como os mesmos são instituídos.
Maquiavel buscou apresentar no começo da obra, os tipos de governos/reinos, e bem como os seus governantes/administradores submetiam os seus subordinados, descrevendo as causas oriundas das práticas adotadas pelos mesmos, para governar e manter o poder, ao mesmo tempo em que aponta as causas pelos quais muitos conseguiram manter, outros adquirirem e até mesmo perderem seus impérios. O autor demonstra que o poder alimentado pelos nobres/ricos tem menores chances de manter-se por muito tempo, já aquele que se alimenta do apoio dos menos favorecidos, que constituem a maioria, tem maior probabilidade de seguir adiante, sendo pois, mais duradouro e eficaz, alegando ser o primeiro, mais ambicioso, já o segundo, ter desejos em comum e mais honestos.
O autor apresenta um questionamento “será preferível ser amado ou temido?” Sendo assim, será preciso que o príncipe não esteja temeroso ao ser considerado cruel mediante suas atitudes, pois o mesmo visa o bem estar e a paz em meio ao seu povo. Maquiavel afirma que é preferível ser temido que amado, pois não se pode com facilidade ser as duas coisas ao mesmo tempo. Ele afirma que para o príncipe é preferível evitar o desprezo e o ódio, buscando na grande massa popular a estima de seus subordinados e não a discórdia, pois o maior requisito na administração do seu reino, será a tentativa de evitar qualquer ameaça ou conspiração contra o seu governo. Quando é estimado pela maioria, o príncipe estará livre de grande problemas e preocupações, caso contrário, enfrentará um grande dificuldade.
Findando sua obra, o autor discorre sobre o uso da sorte na condução do poder, sendo que aquele, que direcionar totalmente ao controle do destino corre o risco de colocar tudo a perder, sabendo que o tempo sofre alterações, cabendo ao príncipe estar atento às mudanças ocorrentes, sempre atento às necessidades advindas do tempo vivido, e de nenhum modo, faça-se oculto à realidade. O filósofo político apresenta um apelo em favor da libertação da Itália, que estava dominada pelos Bárbaros, onde menciona: “agora, quase sem vida, a Itália aguarda quem possa curar suas feridas... pede a Deus que lhe envie quem for capaz de libertá-la dessa insolência, dessa bárbara crueldade”. 
Toda a obra, apresenta um modelo de governo, onde o autor busca de maneira justificada expor os estilo de liderança dos príncipes, destacando suas eficácias e falhas, acerca de seus governantes. A princípio a obra é tida como um presente a ilustre família Medici, mas no decorrer do texto, pode-se observar nas entrelinhas, o desejo elevado do autor, em apresentar sua visão e ao mesmo tempo o desejo de que a Itália seja libertada do domínio dos Bárbaros, e que toda a pátria possa brindar sua vitória e libertação tão almejada por cada italiano, e que a família Medici com toda a coragem e bravura assuma este encargo.

Élcio Bonfim
2º Filosofia